Um relatório recente do Conselho de Finanças Públicas (CFP) levanta sérias preocupações sobre a saúde financeira das empresas detidas pelo Estado português. O documento revela que a maioria destas empresas está a operar com prejuízo, representando um fardo crescente para os cofres públicos. A situação é agravada pelo facto de o Estado estar a investir cada vez mais nestas empresas, sem um retorno proporcional em termos de lucros ou dividendos.
O CFP alerta para um cenário particularmente alarmante: um número significativo de empresas estatais encontra-se em situação de falência técnica. Esta constatação implica que os ativos destas empresas são insuficientes para cobrir as suas dívidas, colocando em causa a sua viabilidade a longo prazo. O relatório não especifica o número exato de empresas nessa situação, mas quantifica em 35 o número de companhias com essa condição.
A análise do CFP destaca a necessidade urgente de uma revisão abrangente da gestão e do desempenho das empresas estatais. A falta de rentabilidade e o crescente endividamento representam um risco para a sustentabilidade das finanças públicas e podem comprometer a capacidade do Estado para investir em áreas prioritárias como a saúde, a educação e as infraestruturas.
As conclusões do Conselho de Finanças Públicas deverão gerar um debate aceso sobre o papel do Estado na economia e sobre a necessidade de implementar reformas que garantam a eficiência e a transparência na gestão das empresas públicas. A questão central reside em encontrar um equilíbrio entre a manutenção de serviços públicos essenciais e a necessidade de garantir a sustentabilidade financeira das empresas que os prestam. A avaliação da gestão e a definição de estratégias para inverter a tendência de prejuízos são consideradas cruciais para salvaguardar o interesse público e evitar que o peso das empresas estatais continue a aumentar sobre os contribuintes portugueses. A reestruturação e eventual privatização de algumas empresas deverão estar em cima da mesa, face aos dados apresentados.
Fonte: sapo.pt