Arranque rápido do Windows: porquê desativar e como otimizar o seu PC

Bruno Fonseca

O sistema operativo Windows, omnipresente em milhões de computadores pessoais em todo o mundo, oferece uma miríade de funcionalidades destinadas a otimizar a experiência do utilizador. Entre estas, destaca-se o “Arranque Rápido”, uma característica que promete reduzir drasticamente o tempo necessário para iniciar o computador. Concebida para acelerar a inicialização do sistema após um encerramento, esta função funde elementos de um encerramento tradicional com a hibernação, visando proporcionar conveniência e eficiência. No entanto, o seu mecanismo de funcionamento levanta questões importantes sobre a forma como o seu PC realmente desliga, e se esta otimização aparente não estará, na verdade, a gerar mais problemas do que soluções. Compreender o funcionamento do arranque rápido é crucial para discernir quando esta funcionalidade beneficia ou prejudica o seu sistema, e como pode gerir as suas definições para garantir o melhor desempenho e estabilidade.

Compreender o arranque rápido: como funciona?

A funcionalidade de Arranque Rápido, introduzida com o Windows 8 e mantida nas versões subsequentes, como o Windows 10 e o Windows 11, tem como objetivo principal acelerar o processo de inicialização do sistema. Para muitos utilizadores, a ideia de ligar o computador e estar pronto a trabalhar em poucos segundos é extremamente apelativa. Contudo, a forma como esta velocidade é alcançada é frequentemente mal compreendida, levando a uma perceção errónea do que constitui um “encerramento” completo do sistema.

A fusão entre o encerramento e a hibernação

Para entender o Arranque Rápido, é essencial compará-lo com um encerramento tradicional e com a hibernação. Quando se desativa a funcionalidade de Arranque Rápido e se encerra o Windows, o sistema efetua um “encerramento completo” (full shutdown). Isto significa que todos os processos, sessões de utilizador e controladores são encerrados, e a memória RAM é completamente limpa. Ao reiniciar, o sistema tem de carregar tudo de novo, resultando num arranque mais lento, mas também num “estado limpo” do sistema.

A hibernação, por outro lado, é um modo de poupança de energia que guarda o estado atual de todo o sistema (programas abertos, documentos, etc.) num ficheiro no disco rígido antes de desligar o computador. Ao ligar novamente, o sistema lê esse ficheiro e restaura o estado exato em que estava antes de hibernar. É um arranque rápido porque não precisa de carregar tudo do zero, mas é concebido para preservar o trabalho do utilizador.

O Arranque Rápido do Windows é uma espécie de híbrido. Quando esta funcionalidade está ativada e o utilizador clica em “Encerrar”, o sistema não encerra completamente. Em vez disso, o Windows fecha todas as sessões dos utilizadores, mas mantém o estado do kernel (o núcleo do sistema operativo), dos controladores e do sistema guardado num ficheiro de hibernação (hiberfil.sys) no disco rígido. É, em essência, um encerramento “híbrido” ou uma “hibernação parcial” do sistema. Na próxima vez que o computador é ligado, o Windows lê este ficheiro de hibernação e carrega o estado do kernel diretamente para a memória, em vez de passar por um processo de inicialização completo. Isto resulta num tempo de arranque significativamente mais curto, uma vez que muitas das tarefas iniciais de carregamento do sistema já foram previamente “guardadas”.

Vantagens e desvantagens do arranque rápido

Apesar da sua intenção de otimizar a experiência do utilizador, a funcionalidade de Arranque Rápido tem um conjunto de benefícios e de inconvenientes que devem ser considerados. A decisão de mantê-la ativada ou desativada deve basear-se nas necessidades específicas de cada utilizador e na configuração do seu sistema.

Os benefícios da inicialização veloz

A principal e mais evidente vantagem do Arranque Rápido é, sem surpresa, a velocidade. Os utilizadores que o têm ativado notam uma redução substancial no tempo necessário para que o Windows esteja pronto a ser utilizado após ligar o computador. Em máquinas com discos rígidos tradicionais (HDDs), esta diferença pode ser bastante notória, transformando um processo que poderia demorar um ou dois minutos numa questão de dezenas de segundos. Mesmo em sistemas com SSDs (Solid State Drives), que já por si oferecem arranques rápidos, a funcionalidade pode cortar alguns segundos adicionais, proporcionando uma experiência ainda mais fluida e reativa. Para quem usa o computador várias vezes ao dia e valoriza cada minuto, esta otimização do tempo de espera é um fator significativo para a produtividade e conveniência.

Os inconvenientes e potenciais problemas

Contudo, a conveniência do Arranque Rápido vem com uma série de potenciais desvantagens. Uma das mais críticas é que o sistema nunca executa um encerramento verdadeiramente completo. Isto pode interferir com a instalação de certas atualizações importantes do Windows, que requerem um encerramento total para serem aplicadas corretamente. Da mesma forma, algumas atualizações de controladores de hardware podem não ser instaladas de forma eficaz sem um reinício “limpo”, levando a problemas de funcionamento ou a um desempenho subótimo dos componentes.

Outro problema comum ocorre em sistemas com configurações de “dual-boot”, onde o utilizador tem mais de um sistema operativo instalado (por exemplo, Windows e Linux). Quando o Arranque Rápido está ativado, o Windows “bloqueia” o acesso ao disco rígido onde está instalado ao efetuar o seu encerramento híbrido. Isto significa que, se arrancar para outro sistema operativo, poderá não conseguir aceder ou manipular ficheiros na partição do Windows, ou pior, pode causar corrupção de dados nessa partição.

Adicionalmente, o Arranque Rápido pode causar problemas com alguns periféricos ou componentes de hardware. Por exemplo, se conectar ou desconectar hardware frequentemente, o sistema pode não reconhecê-lo corretamente na próxima inicialização, pois o estado dos controladores não foi totalmente reiniciado. Há também relatos de que em alguns computadores portáteis, a função pode levar a um maior consumo de bateria, pois o encerramento híbrido pode não cortar a energia de todos os componentes da mesma forma que um encerramento completo. A dificuldade em aceder à BIOS/UEFI para alterar definições de hardware ou inicialização é outro ponto negativo, já que o arranque acelerado pode não dar tempo suficiente para carregar as opções de entrada. Por fim, a constante escrita do ficheiro de hibernação no disco rígido, embora geralmente não seja um problema significativo para SSDs modernos, pode teoricamente contribuir para um maior desgaste ao longo do tempo.

Como gerir o arranque rápido no Windows

A boa notícia é que a funcionalidade de Arranque Rápido é totalmente controlável pelo utilizador. O Windows oferece uma forma simples de ativar ou desativar esta opção, permitindo-lhe adaptar o comportamento do sistema às suas necessidades específicas e mitigar quaisquer problemas que possam surgir.

Passos para desativar ou ativar a funcionalidade

Para gerir o Arranque Rápido, siga estes passos:

1. Abrir o Painel de Controlo: Clique com o botão direito do rato no botão Iniciar (ou prima Windows + X) e selecione “Painel de Controlo”. Se não o encontrar, pode pesquisar por “Painel de Controlo” na barra de pesquisa do Windows.
2. Aceder às Opções de Energia: No Painel de Controlo, procure por “Opções de Energia”. Se a visualização estiver definida para “Categoria”, esta opção estará em “Hardware e Som”.
3. Alterar o comportamento dos botões de energia: No painel esquerdo da janela “Opções de Energia”, clique em “Escolher o que o botão de energia faz”.
4. Alterar definições indisponíveis: Nesta nova janela, verá algumas opções de encerramento, mas a funcionalidade de Arranque Rápido pode estar “acinzentada” e indisponível para alteração. Para a ativar, clique em “Alterar definições que estão atualmente indisponíveis”. Poderá ser-lhe solicitada uma permissão de administrador.
5. Ativar/Desativar o Arranque Rápido: Após clicar na opção anterior, as definições de encerramento ficarão editáveis. Procure a caixa de verificação que diz “Ligar arranque rápido (recomendado)”. Desmarque-a para desativar a funcionalidade ou marque-a para a ativar.
6. Guardar as alterações: Clique em “Guardar alterações” para aplicar a sua escolha.

Após guardar as alterações, o comportamento do seu sistema ao encerrar e ligar será modificado de acordo com a sua escolha. Se desativar o Arranque Rápido, o seu próximo encerramento será um encerramento completo, e o arranque subsequente será um “arranque frio”.

Quando desativar o arranque rápido?

Existem vários cenários em que desativar o Arranque Rápido é altamente aconselhável:

Sistemas Dual-boot: Se tiver outro sistema operativo instalado no seu computador, desativar o Arranque Rápido é quase uma obrigação para evitar problemas de acesso ao disco ou corrupção de dados na partição do Windows.
Problemas com atualizações ou controladores: Se estiver a ter dificuldades em instalar atualizações do Windows ou controladores de hardware, ou se os seus periféricos não estão a ser reconhecidos corretamente, desativar temporariamente ou permanentemente o Arranque Rápido e efetuar um encerramento completo pode resolver estes problemas.
Acesso frequente à BIOS/UEFI: Se precisa de aceder regularmente às definições da BIOS/UEFI (por exemplo, para alterar a ordem de arranque ou configurar hardware), o Arranque Rápido pode dificultar este processo devido à velocidade com que o sistema operativo carrega.
Periféricos com problemas de inicialização: Alguns dispositivos USB ou outros periféricos podem não inicializar corretamente se o sistema não passar por um ciclo de energia completo.
Diagnóstico de problemas: Em caso de problemas misteriosos com o sistema que não parecem ter uma causa óbvia, desativar o Arranque Rápido e reiniciar o computador pode ajudar a determinar se a funcionalidade está a contribuir para o problema.
Preferência por um “arranque limpo”: Alguns utilizadores simplesmente preferem que o seu sistema comece sempre de um estado “fresco” para garantir a máxima estabilidade e evitar qualquer resquício de sessões anteriores.

Considerações finais e otimização do sistema

A funcionalidade de Arranque Rápido do Windows é uma ferramenta que visa equilibrar a rapidez com a conveniência. No entanto, como vimos, essa conveniência pode vir com compromissos em termos de estabilidade, compatibilidade e até mesmo na forma como o sistema processa as atualizações críticas. A decisão de manter ou desativar esta funcionalidade deve ser informada e baseada na sua experiência individual com o computador e nos tipos de tarefas que executa.

Se valoriza a velocidade acima de tudo e não enfrenta nenhum dos problemas mencionados – como dual-boot, dificuldades com atualizações ou hardware – o Arranque Rápido pode ser uma adição útil à sua rotina. Contudo, se se enquadra em alguma das situações problemáticas ou simplesmente prefere ter um controlo total sobre o seu sistema, optando por um “arranque frio” sempre que inicia o computador, a desativação é a opção mais sensata. É importante lembrar que um verdadeiro encerramento permite que o sistema operativo faça uma limpeza completa e reinicie todos os seus serviços, o que é fundamental para a manutenção da saúde e do desempenho do seu PC a longo prazo.

Para além da gestão do Arranque Rápido, outras otimizações podem garantir que o seu computador arranca e funciona de forma eficiente. A instalação de um SSD, a manutenção regular do sistema operativo (limpeza de ficheiros temporários, desinstalação de programas não utilizados) e a gestão dos programas que iniciam com o Windows são passos cruciais para otimizar a experiência geral do utilizador. Em última análise, um utilizador informado é um utilizador empoderado, capaz de tomar as melhores decisões para o seu equipamento e para o seu dia a dia digital.

Fonte: https://www.leak.pt

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