As Mulheres de Harvard Que Desvendaram os Segredos do Universo

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No final do século XIX e início do século XX, um grupo de mulheres trabalhou no Observatório do Harvard College, sob a direção de Edward Charles Pickering. Designadas como “computadores de Harvard”, executavam meticulosas tarefas de cálculo e catalogação de estrelas, recebendo, para isso, salários modestos.

Estas mulheres, lideradas por figuras como Williamina Fleming, Henrietta Swan Leavitt, Annie Jump Cannon e Antonia Maury, foram responsáveis por descobertas que revolucionaram a astronomia. O seu trabalho, muitas vezes subestimado na época, lançou as bases para a astrofísica moderna e transformou a nossa compreensão do cosmos.

Williamina Fleming, originalmente contratada como empregada doméstica, ascendeu a posições de destaque no observatório, supervisionando a equipa de “computadores”. Catalogou mais de 10.000 estrelas e descobriu a Nebulosa Cabeça de Cavalo, além de ter sido fundamental na criação do Catálogo Draper, precursor da moderna classificação espectral.

Henrietta Swan Leavitt fez uma descoberta crucial: a relação entre o período e a luminosidade das estrelas Cefeidas. Esta relação, conhecida como lei período-luminosidade, permitiu aos astrónomos medir distâncias no universo, abrindo caminho para a determinação das dimensões da galáxia e a descoberta de outras galáxias além da Via Láctea.

Annie Jump Cannon dedicou-se à classificação estelar, organizando os espectros das estrelas num sistema lógico e coerente. Criou o sistema OBAFGKM, ainda utilizado hoje em dia, que ordena as estrelas por temperatura e propriedades espectrais. Cannon classificou mais de 350.000 estrelas ao longo da sua carreira, um feito notável.

Antonia Maury, por seu lado, desenvolveu um sistema de classificação espectral mais detalhado, embora não tão amplamente adotado como o de Cannon. O seu trabalho permitiu identificar estrelas binárias espectroscópicas e influenciou o astrónomo Ejnar Hertzsprung, conhecido pelo diagrama de Hertzsprung-Russell.

Mais tarde, Cecilia Payne demonstrou que as estrelas são compostas principalmente por hidrogénio e hélio, contrariando a ideia então prevalecente de que a sua composição seria semelhante à da Terra. A sua tese de doutoramento é considerada um marco na história da astrofísica.

Em conjunto, estas mulheres, que iniciaram as suas carreiras com tarefas consideradas menores, contribuíram de forma extraordinária para o avanço da astronomia, desvendando os segredos das estrelas e do universo. O seu trabalho, muitas vezes realizado em condições precárias, permanece como um testemunho do poder da inteligência, da dedicação e da perseverança.

Fonte: www.tempo.pt

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