Astrónomos brasileiros identificaram a formação de anéis em torno do asteroide 2060 Chiron, um corpo celeste com cerca de 180 quilómetros de diâmetro localizado entre as órbitas de Saturno e Urano. A descoberta, que tem intrigado a comunidade científica, sugere que Chiron possui pelo menos três anéis em processo de formação, um fenómeno considerado raro para um objeto desta dimensão.
Chiron foi observado pela primeira vez em outubro de 1977 por Charles T. Kowall, que utilizou o telescópio de 1,2 metros do Observatório Palomar, na Califórnia. Inicialmente classificado como um asteroide, Kowall não descartou a hipótese de se tratar de um cometa, dada a sua órbita invulgarmente distante. Essa ambiguidade reflete-se no seu nome, Chiron, uma alusão ao centauro mitológico, figura híbrida de homem e cavalo. Caso se confirme a sua natureza cometária, Chiron seria o maior cometa já observado.
Em setembro de 2023, os astrónomos brasileiros notaram variações no brilho de Chiron durante a sua passagem em frente a uma estrela distante. A análise desses dados revelou que não era apenas o asteroide a bloquear a luz da estrela, mas também outros objetos menores. A comparação com observações efetuadas em 2011, 2018 e 2022 confirmou a consistência destas variações de brilho.
Os investigadores concluíram que as flutuações de luminosidade indicam a presença de três anéis distintos em órbita de Chiron, a distâncias que variam entre 270 e 420 quilómetros do corpo celeste. A consistência das variações ao longo do tempo sugere que estes anéis são estruturas permanentes e não fenómenos efémeros como erupções de poeira ou gelo.
A descoberta de anéis em torno de Chiron levanta questões sobre a formação e a estabilidade destas estruturas em objetos de menor dimensão. Anéis já foram observados em torno de outros asteroides, como Chariklo, Haumea e Quaoar, mas Chiron é o menor objeto celeste conhecido a possuir um sistema de anéis.
Os cientistas acreditam que os anéis de Chiron podem estar em processo de formação, o que justifica a sua ausência em observações anteriores. O acompanhamento da sua evolução nos próximos anos será crucial para compreender a sua origem e dinâmica. Uma hipótese é que os anéis se formaram a partir de material ejetado por Chiron, seja através de atividade cometária ou de colisões. O estudo destes anéis poderá fornecer informações valiosas sobre os processos que moldam os corpos celestes no Sistema Solar.
Fonte: www.tempo.pt