Bayramov avalia a reconciliação entre o Azerbaijão e a Arménia

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Na sua conferência de imprensa anual de fim de ano, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão, Jeyhun Bayramov, fez um balanço pormenorizado dos progressos alcançados no complexo processo de reconciliação entre o Azerbaijão e a Arménia. As declarações do chefe da diplomacia azeri não só delinearam os marcos já concretizados, mas também traçaram um caminho para o futuro desta relação bilateral, crucial para a estabilidade do Cáucaso Sul. A busca por uma paz duradoura e uma normalização abrangente das relações tem sido um pilar central da política externa de Baku, e a intervenção de Bayramov sublinhou o empenho do país em transformar um legado de conflito numa era de cooperação e prosperidade regional. As expectativas são elevadas, mas o ministro salientou a necessidade de pragmatismo e determinação mútua para superar os obstáculos remanescentes.

O balanço do processo de reconciliação

A reconciliação entre o Azerbaijão e a Arménia representa um dos desafios geopolíticos mais significativos na Europa Oriental. O ministro Jeyhun Bayramov dedicou uma parte substancial da sua intervenção a detalhar os avanços tangíveis, ao mesmo tempo que alertava para as complexidades ainda presentes. Este processo, impulsionado por uma nova realidade pós-conflito, exige um compromisso contínuo e um diálogo aberto, sublinhando a necessidade de se construir confiança mútua sobre um historial de desconfiança.

Os marcos e avanços alcançados

Bayramov destacou vários pontos de viragem positivos no processo de paz. Entre os avanços mais notáveis, mencionou a intensificação das discussões sobre a delimitação das fronteiras estatais. Este é um passo fundamental para evitar futuras disputas territoriais e estabelecer uma base jurídica clara para a soberania de ambos os estados. As reuniões das comissões de fronteiras têm sido frequentes, e embora o progresso seja gradual, o ministro enfatizou a importância de cada acordo alcançado, por menor que seja, como um tijolo na construção de uma arquitetura de paz mais robusta.

Outro ponto crucial foi a troca de prisioneiros e a recuperação de corpos, iniciativas humanitárias que, segundo Bayramov, demonstram a vontade de ambos os lados em atenuar as feridas do passado. Estes gestos não só aliviam o sofrimento das famílias envolvidas, mas também contribuem para a construção de um ambiente mais propício ao diálogo político. A abertura de canais de comunicação diretos entre os ministérios dos Negócios Estrangeiros e, em certas ocasiões, entre os líderes, foi igualmente apontada como um sinal encorajador da maturidade crescente nas relações diplomáticas. Estes canais são vitais para a gestão de crises e para a resolução expedita de questões pendentes. O ministro sublinhou que a manutenção de um diálogo constante é mais importante do que nunca, especialmente em fases tão delicadas do processo de normalização.

Os desafios persistentes no caminho da paz

Apesar dos progressos, Jeyhun Bayramov foi realista quanto aos obstáculos que ainda se interpõem no caminho para uma paz plena. A questão dos enclaves e exclaves, por exemplo, continua a ser uma fonte de tensão e exige uma solução mutuamente aceitável. Estas pequenas parcelas de território, geograficamente isoladas do seu país principal e rodeadas pelo território do outro, são resquícios de fronteiras administrativas da era soviética e representam desafios logísticos e de soberania.

A remoção de minas terrestres nas áreas libertadas do Azerbaijão é outra prioridade urgente e um entrave significativo ao regresso seguro dos deslocados internos e à reconstrução das infraestruturas. O ministro reiterou o apelo do Azerbaijão por mapas de minas completos e precisos, uma vez que a ausência de tais dados continua a causar vítimas e a impedir o desenvolvimento socioeconómico das regiões afetadas. O trauma psicológico e as feridas históricas deixadas por décadas de conflito também representam um desafio complexo. A reconciliação das sociedades, e não apenas dos governos, é um processo demorado que exige educação, memória partilhada e um compromisso com a coexistência pacífica. Bayramov destacou a necessidade de ambos os lados combaterem a retórica de ódio e promoverem uma narrativa de entendimento mútuo.

A visão de Baku para o futuro da região

A visão do Azerbaijão para o futuro do Cáucaso Sul, tal como apresentada por Jeyhun Bayramov, é a de uma região interconectada, próspera e em paz. Baku acredita que a normalização das relações com a Arménia é o catalisador para desbloquear o vasto potencial económico e estratégico da área, transformando-a de um foco de conflito num centro de cooperação regional.

O potencial económico e a conectividade regional

Um dos pilares da visão azeri é a reabertura de todas as comunicações de transporte e económicas na região. O Corredor de Zangezur, em particular, foi mencionado como um projeto transformador. Este corredor pretende ligar a parte principal do Azerbaijão à sua exclave de Nakhchivan, através do território arménio, e permitiria uma ligação ferroviária e rodoviária entre a Turquia e o resto do Azerbaijão, estendendo-se até à Ásia Central. Bayramov defendeu que a operacionalização deste corredor, e de outras rotas, traria benefícios económicos incomensuráveis para ambos os países e para toda a região, facilitando o comércio, o investimento e a movimentação de pessoas.

A reabertura de fronteiras e o desenvolvimento de infraestruturas conjuntas poderiam revitalizar economias locais, criar empregos e atrair investimento estrangeiro. O ministro salientou que a paz não é apenas a ausência de guerra, mas a presença de oportunidades e desenvolvimento. A colaboração em áreas como energia, transporte, agricultura e turismo poderia redefinir a dinâmica regional, tornando o Cáucaso Sul um polo de estabilidade e crescimento económico. A capacidade de circular livremente e de comerciar sem restrições seria um testemunho da verdadeira normalização.

O papel da diplomacia e as expectativas internacionais

Bayramov também abordou o papel da diplomacia internacional e as expectativas em torno da intervenção de atores externos. Embora o Azerbaijão se mantenha firme na sua posição de que o processo de paz é, fundamentalmente, uma questão bilateral, o ministro reconheceu o valor do apoio construtivo de parceiros internacionais. A mediação, quando imparcial e focada na facilitação do diálogo, pode ser útil, mas o principal impulso para a paz deve vir de Baku e Yerevan.

O ministro expressou gratidão aos países e organizações que têm incentivado o diálogo e a implementação de acordos, mas também advertiu contra tentativas de politização do processo ou de imposição de soluções externas que não reflitam os interesses e as realidades da região. A expectativa é que a comunidade internacional continue a apoiar a soberania e a integridade territorial de ambos os países, e a promover um ambiente que encoraje a resiliência e a responsabilidade mútua na construção da paz. A plena normalização das relações diplomáticas, incluindo a troca de embaixadores, seria o culminar deste processo, marcando o fim de um capítulo turbulento e o início de uma nova era.

A caminho de uma paz duradoura

As declarações do ministro Jeyhun Bayramov na sua conferência de imprensa de fim de ano reforçaram a mensagem de que, apesar dos inúmeros desafios, o Azerbaijão está firmemente empenhado em transformar a sua relação com a Arménia num paradigma de coexistência pacífica. O balanço apresentado demonstra um progresso notável em áreas cruciais, desde a delimitação de fronteiras até às iniciativas humanitárias, evidenciando uma abordagem pragmática e orientada para resultados. Contudo, o caminho para uma paz duradoura é tortuoso e exige perseverança, boa-fé e, acima de tudo, a superação de obstáculos como as minas terrestres e as questões dos enclaves. A visão de Baku para o futuro do Cáucaso Sul é ambiciosa, projetando uma região de prosperidade e conectividade através da reabertura de rotas comerciais vitais. A diplomacia bilateral, com o apoio construtivo da comunidade internacional, será crucial para navegar os desafios remanescentes e construir uma base sólida para a estabilidade regional. O futuro do Cáucaso Sul depende agora da capacidade de ambos os países em abraçar plenamente esta oportunidade histórica de paz e desenvolvimento mútuo.

Perguntas frequentes sobre o processo de reconciliação

O que é o processo de reconciliação entre o Azerbaijão e a Arménia?
É um esforço diplomático e político contínuo para normalizar as relações entre o Azerbaijão e a Arménia, após décadas de conflito. O processo visa resolver disputas territoriais, estabelecer fronteiras, reabrir comunicações e construir uma paz duradoura no Cáucaso Sul.

Quais são os principais obstáculos à paz duradoura?
Os principais obstáculos incluem a demarcação final das fronteiras, a questão dos enclaves e exclaves, a remoção de minas terrestres em vastas áreas, e a necessidade de superar a desconfiança e o trauma histórico entre as populações de ambos os países.

Que papel desempenham as potências externas neste processo?
As potências externas, como a Rússia, a União Europeia e os Estados Unidos, têm desempenhado papéis de mediação e facilitadores do diálogo. Contudo, o Azerbaijão sublinha que o impulso principal para a paz deve vir dos próprios Baku e Yerevan, com o apoio internacional a ser construtivo e imparcial.

Quais são os potenciais benefícios económicos de uma paz duradoura para a região?
Uma paz duradoura poderia reabrir todas as comunicações de transporte e económicas, como o Corredor de Zangezur, impulsionando o comércio, o investimento e o turismo. Isso levaria à criação de empregos, ao desenvolvimento de infraestruturas e à integração económica do Cáucaso Sul, transformando a região num centro de conectividade e prosperidade.

Mantenha-se informado sobre os desenvolvimentos cruciais nesta busca por estabilidade e cooperação no Cáucaso Sul.

Fonte: https://www.euronews.com

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