O Estádio da Luz foi palco de um confronto intenso e controverso na fase de play-off da Liga dos Campeões, onde o Benfica enfrentou o Real Madrid. O encontro, que culminou na derrota das águias por 1-0, foi muito mais do que um mero resultado desportivo, ficando indelével pela carga emocional e por um alegado incidente de racismo que marcou profundamente a partida. A celebração do golo do brasileiro Vinícius Júnior, crucial para a vantagem madrilena, desencadeou uma série de eventos que levaram à interrupção do jogo e à ativação do protocolo antirracismo, lançando uma sombra sobre o espetáculo futebolístico e gerando ampla discussão.
Confronto principal: Benfica vs. Real Madrid
Polémica no relvado: golos, festejos e o protocolo
O encontro entre o Benfica e o Real Madrid na oitava e última jornada da fase de liga, disputado no icónico Estádio da Luz, não desiludiu em termos de intensidade, mas foi a polémica que se sobrepôs ao futebol jogado. Quase três semanas após uma derrota por 4-2 em solo espanhol, as águias voltaram a ceder frente aos merengues, desta vez por 1-0. O golo decisivo foi apontado pelo avançado brasileiro Vinícius Júnior aos 50 minutos. Contudo, mais do que o lance em si, foi a sua comemoração que inflamou os adeptos encarnados, gerando um ambiente de grande tensão.
Os festejos do jogador do Real Madrid estiveram na génese de uma altercação com o extremo argentino do Benfica, Gianluca Prestianni. O jogador foi posteriormente acusado pelo adversário de ter proferido alegados insultos racistas. A gravidade da situação levou o árbitro francês François Letexier a interromper de imediato a partida, acionando o protocolo antirracismo em vigor na competição. Seguiu-se um período de confusão e discussão acesa entre elementos das duas equipas na zona técnica, com a intervenção da equipa de arbitragem a ser fundamental para tentar acalmar os ânimos. A ação no relvado só foi retomada quase 10 minutos depois, um interregno que realçou a seriedade do incidente e a importância da tolerância zero perante atos discriminatórios.
Contexto e expulsão: Mourinho fora da segunda mão
Apesar do turbilhão de emoções e da interrupção, o Real Madrid conseguiu manter a sua vantagem tangencial até ao apito final. A pressão e a frustração sentiram-se particularmente no banco do Benfica, culminando na expulsão do treinador José Mourinho. O técnico português foi admoestado por protestos reiterados na direção da equipa de arbitragem, falhando, assim, a sua presença no banco na segunda mão do play-off. Esta ausência será um revés significativo para as aspirações das águias, especialmente num palco tão simbólico como o Santiago Bernabéu, onde Mourinho se sagrou campeão europeu com os italianos do Inter Milão na temporada de 2009/10, antes de assumir o comando técnico dos madrilenos.
Para o Benfica, bicampeão europeu em 1960/61 e 1961/62, esta foi a segunda derrota consecutiva frente ao Real Madrid nesta edição da prova. O clube espanhol, recordista absoluto de troféus da principal competição europeia de clubes, com impressionantes 15 conquistas, e líder isolado da Liga espanhola, demonstrou a sua resiliência. Importa recordar que, antes destes confrontos, o Real Madrid vinha de um período menos feliz frente ao Benfica, com 15 golos sofridos e três derrotas nos quatro encontros anteriores com as águias, o que tornava este triunfo ainda mais significativo para os merengues. A vantagem é agora do Real Madrid, que parte em posição privilegiada para a partida de regresso em casa.
Outros embates decisivos nos play-offs
Reviravolta francesa: PSG supera Mónaco com drama
Paralelamente ao drama vivido na Luz, outros play-offs da Liga dos Campeões também reservaram momentos de grande emoção. O Paris Saint-Germain, por exemplo, também garantiu uma importante vantagem na primeira mão, num duelo que marcou a terceira eliminatória exclusivamente francesa da história da Liga dos Campeões. Os parisienses visitaram o Mónaco e saíram vitoriosos com um resultado de 3-2. O jogo começou de forma surpreendente para os monegascos, que foram eliminados pelo Benfica nesta mesma ronda na época passada, e que se adiantaram no marcador com um bis do norte-americano Folarin Balogun, logo aos 1 e 18 minutos de jogo. A equipa do Mónaco ainda teve a oportunidade de ampliar a vantagem quando o guarda-redes suíço Philipp Köhn defendeu um penálti do internacional português Vitinha, aos 22 minutos, que foi titular ao lado dos seus compatriotas Nuno Mendes e João Neves, enquanto Gonçalo Ramos foi lançado apenas perto do fim.
No entanto, o PSG mostrou a sua capacidade de reação. Apesar da perda de Ousmane Dembélé por uma aparente lesão, os parisienses conseguiram dar a volta ao resultado. A entrada de Désiré Doué foi providencial, com o avançado a marcar dois golos, aos 29 e 67 minutos, e a assistir para o tento do marroquino Achraf Hakimi, aos 41 minutos, selando o triunfo. Este resultado foi particularmente relevante para o PSG, que havia perdido a liderança da Liga francesa no fim de semana anterior para o Lens. A expulsão do russo Aleksandr Golovin, aos 48 minutos, por uma entrada sobre Vitinha, também contribuiu para a reviravolta dos parisienses, facilitando a sua tarefa na segunda parte.
Goleada turca: Galatasaray impõe-se à Juventus
De regresso à fase a eliminar da Liga dos Campeões, 12 anos depois, os turcos do Galatasaray protagonizaram uma impressionante goleada na receção aos italianos da Juventus. O clube de Istambul impôs-se por 5-2 frente a uma equipa que já venceu a prova por duas ocasiões e que contou de início com o português Francisco Conceição. Os bianconeri ainda reagiram ao golo inaugural do brasileiro Gabriel Sara, aos 15 minutos, dando a volta ao resultado com um bis rápido do neerlandês Teun Koopmeiners, aos 16 e 32 minutos. Contudo, a segunda parte foi um verdadeiro pesadelo para a Juventus.
O Galatasaray desferiu um ataque avassalador, com o neerlandês Noa Lang, recém-emprestado pelo campeão italiano Nápoles, a marcar dois golos, aos 49 e 75 minutos. O colombiano Davinson Sánchez também contribuiu para a goleada, aos 60 minutos, e o suplente francês Sacha Boey fechou as contas aos 86. A derrota pesada para a Juventus foi ainda agravada pela expulsão do colombiano Juan Cabal, aos 67 minutos. Este resultado representa um dos maiores desaires europeus para o conjunto de Turim, que não sofria tantos golos num duelo europeu desde a longínqua goleada averbada na visita aos austríacos do Wiener, em 1958/59, por 7-0, na segunda mão da ronda preliminar da então designada Taça dos Campeões Europeus, que assinalou a sua estreia nas provas da UEFA.
Vitória alemã: Dortmund leva vantagem sobre Atalanta
Outro dos representantes italianos no play-off, a Atalanta, também não teve melhor sorte, perdendo fora de casa com os alemães do Borussia Dortmund por 2-0. A equipa alemã, que já ergueu o troféu da Liga dos Campeões, construiu a sua vantagem com golos do guineense Serhou Guirassy, logo aos três minutos de jogo, e de Maximilian Beier, aos 42. O português Fábio Silva foi lançado na reta final da partida, que teve um início atípico, com 15 minutos de atraso devido a problemas de acesso da equipa anfitriã ao Signal Iduna Park. A vitória oferece uma confortável vantagem ao Dortmund para a segunda mão, num confronto em que a equipa demonstrou solidez defensiva e eficácia ofensiva.
Perspetivas para a segunda mão e qualificados
O play-off da Liga dos Campeões prosseguirá na quarta-feira com a realização de mais quatro jogos, prometendo mais emoção e decisões. As partidas da segunda mão estão agendadas para 24 e 25 de fevereiro, altura em que se definirão os últimos apurados para a fase a eliminar da competição. Os vencedores destes play-offs juntar-se-ão aos oito primeiros classificados da fase de liga, que já garantiram a sua presença nos oitavos de final. Entre as equipas já qualificadas destacam-se o Arsenal, que realizou um percurso impecável com oito vitórias em oito jogos, o Bayern Munique, o Liverpool, o Tottenham, o FC Barcelona, o atual campeão mundial Chelsea, o bicampeão português Sporting, que poderá, inclusivamente, defrontar o Benfica nos oitavos de final, e o Manchester City. A Liga dos Campeões promete, assim, continuar a ser palco de confrontos memoráveis e de desfechos imprevisíveis, com a esperança de que o fair play e o respeito prevaleçam em todos os jogos.
Fonte: https://www.noticiasaominuto.com