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Bloqueio de comunicações no Irão: propaganda e ocultação da verdade sobre mortes

Por Portugal 24 Horas

A preocupação em torno das táticas de controlo informativo do regime iraniano tem vindo a intensificar-se, com figuras proeminentes do Parlamento Europeu a expressar um alarme considerável. O foco recai sobre a estratégia deliberada de Teerão para bloquear as comunicações e, simultaneamente, difundir a sua própria propaganda. Esta abordagem visa não só manipular a narrativa interna, mas também impedir que a realidade dos acontecimentos chegue ao mundo exterior, especialmente no que diz respeito ao número de mortes, que alegadamente continua a aumentar. Esta dualidade de controlo — censura e desinformação — representa um desafio significativo aos direitos humanos fundamentais e à liberdade de expressão, levantando questões cruciais sobre a transparência e a responsabilidade do Estado iraniano perante a comunidade internacional e os seus próprios cidadãos.

A estratégia de controlo informativo do regime iraniano

O regime iraniano há muito que emprega uma sofisticada e multifacetada estratégia para controlar o fluxo de informação, tanto dentro das suas fronteiras como para o exterior. Esta tática é fundamental para a manutenção do seu poder e para a supressão de qualquer forma de dissidência ou movimento de contestação. O bloqueio de comunicações não é um evento isolado, mas sim uma componente integral de uma política de Estado que visa moldar a perceção pública e isolar a população de narrativas alternativas. A preocupação de deputados europeus sublinha a seriedade desta manipulação, que impede a verificação independente de factos e cria um ambiente de incerteza e medo entre os cidadãos.

Censura digital e controlo de acesso à internet

Uma das ferramentas mais potentes na arsenal do regime é o controlo sobre a internet e as redes de comunicação digital. Em momentos de agitação social ou protestos, o governo iraniano recorre frequentemente ao encerramento completo ou parcial da internet, restringindo o acesso a plataformas de redes sociais e aplicações de mensagens. Esta censura digital serve múltiplos propósitos: impede a organização de manifestações, dificulta a partilha de vídeos e imagens que documentem a repressão e impede que jornalistas cidadãos transmitam informações ao exterior. Além disso, o regime tem vindo a desenvolver uma “internet nacional” ou intranet, que lhe permite um controlo ainda maior sobre o conteúdo acessível aos seus cidadãos, filtrando sites e bloqueando VPNs (redes privadas virtuais) que poderiam contornar estas restrições. A criação de uma infraestrutura digital paralela permite ao regime filtrar informações e disseminar apenas os conteúdos que considera alinhados com a sua ideologia, reforçando o seu monopólio narrativo.

A máquina de propaganda estatal

Paralelamente à censura, o regime iraniano opera uma vasta e bem financiada máquina de propaganda. Esta máquina utiliza todos os canais disponíveis, desde a televisão e rádio estatais até jornais oficiais e uma presença significativa nas redes sociais, muitas vezes através de contas controladas e “bots” que amplificam mensagens pró-regime. O objetivo é difundir uma narrativa cuidadosamente construída que retrata o governo como estável e legítimo, os seus oponentes como traidores ou agentes estrangeiros, e a nação como vítima de conspirações ocidentais. Esta propaganda é concebida para semear desconfiança em relação a fontes de notícias independentes e internacionais, minar a credibilidade dos ativistas e justificar a repressão interna como uma medida necessária para manter a ordem e a segurança nacional. A incessante repetição destas mensagens visa normalizar a perspetiva do regime e suprimir qualquer voz dissidente através da saturação informativa.

O impacto da desinformação e a verdade sobre as vítimas

A combinação de bloqueio de comunicações e propaganda tem um impacto devastador na capacidade dos cidados iranianos de acederem à verdade e de partilharem as suas experiências, bem como na capacidade da comunidade internacional de compreender plenamente a gravidade da situação. A ausência de informação fidedigna e a proliferação de narrativas estatais distorcidas criam um ambiente onde a verdade se torna uma mercadoria escassa, com consequências diretas para a vida e os direitos dos indivíduos. O número crescente de mortes é um dos pontos mais críticos desta realidade.

Ocultação de dados sobre mortes e repressão

A indicação de que o número de mortes continua a aumentar é particularmente alarmante. Em cenários de repressão e protestos, a capacidade de documentar e relatar com precisão as vítimas é crucial para a responsabilização. No entanto, o bloqueio sistemático das comunicações impede que organizações de direitos humanos, jornalistas independentes e até mesmo familiares das vítimas confirmem e divulguem estes números. Hospitais e morgues são frequentemente colocados sob vigilância estatal, e os dados oficiais, quando existem, são geralmente minimizados ou distorcidos para esconder a verdadeira escala da violência. Esta ocultação de dados não só impede a justiça para as vítimas e as suas famílias, como também cria um vácuo de informação que o regime pode explorar para negar a sua responsabilidade e continuar com as suas ações repressivas, invisíveis aos olhos do mundo e até de grande parte da sua própria população.

Desafios para a informação independente e a comunidade internacional

A censura e a propaganda do regime iraniano representam um desafio significativo para a informação independente e para a comunidade internacional. Jornalistas locais enfrentam detenção e perseguição, enquanto os media estrangeiros têm acesso extremamente limitado ou são alvo de campanhas de difamação. Organizações de direitos humanos internacionais dependem de relatos clandestinos e da verificação cruzada de fontes, um processo que se torna quase impossível quando as comunicações estão cortadas. Apelos de deputados europeus e de outras entidades internacionais para que o Irão respeite a liberdade de expressão e permita o fluxo livre de informação são constantes, mas a resistência do regime tem sido férrea. A ausência de transparência torna extremamente difícil para os organismos internacionais avaliarem a situação dos direitos humanos, implementarem sanções direcionadas ou prestarem assistência humanitária eficaz, perpetuando um ciclo de impunidade.

Implicações e apelos internacionais

A estratégia de bloqueio de comunicações e a disseminação de propaganda por parte do regime iraniano têm implicações profundas e preocupantes, não só para a sua própria população, mas para a estabilidade e os princípios democráticos a nível global. O controlo férreo sobre a informação é uma violação flagrante dos direitos humanos fundamentais, incluindo a liberdade de expressão e o direito de acesso à informação. A incapacidade de monitorizar e relatar com precisão o número crescente de mortes sublinha a urgência de uma maior pressão internacional para exigir transparência e responsabilização. O Parlamento Europeu, juntamente com outras instituições globais, continua a apelar ao regime iraniano para que cesse estas práticas repressivas, respeite as liberdades civis dos seus cidadãos e permita que a verdade sobre a situação humanitária e política no país seja conhecida, tanto interna como externamente. A luta pela informação e contra a desinformação no Irão é, assim, uma luta pela dignidade humana e pelos valores democráticos universais.

Perguntas frequentes (FAQ)

P: Qual é o objetivo principal do regime iraniano ao bloquear as comunicações e divulgar propaganda?
R: O principal objetivo é manter o controlo sobre a narrativa interna, suprimir a dissidência e evitar a organização de protestos. Ao impedir o acesso a informações independentes e ao saturar os canais com a sua própria propaganda, o regime procura legitimar as suas ações, descredibilizar os oponentes e controlar a perceção pública, tanto dentro como fora do país.

P: Como é que o bloqueio de comunicações afeta a população iraniana?
R: Afeta a população de diversas formas. Limita drasticamente o acesso a notícias e informações independentes, impede a comunicação entre familiares e amigos, dificulta a organização social e política, e impede que os cidadãos documentem e denunciem abusos dos direitos humanos, criando um ambiente de isolamento e medo.

P: Que papel tem a comunidade internacional e, em particular, o Parlamento Europeu nesta situação?
R: A comunidade internacional, incluindo o Parlamento Europeu, desempenha um papel crucial ao condenar as ações do regime iraniano, exigir o respeito pelos direitos humanos e a liberdade de expressão. Através de declarações, sanções e apoio a organizações de direitos humanos, procuram pressionar Teerão a cessar a repressão, permitir o fluxo livre de informação e ser transparente sobre o número de vítimas.

Explore fontes de notícias independentes e apoie organizações que defendem os direitos humanos e a liberdade de imprensa para combater a desinformação e garantir que a verdade prevaleça.

Fonte: https://www.euronews.com

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