Início » Brisa esclarece gestão de diques em nova obra de infraestruturas

Brisa esclarece gestão de diques em nova obra de infraestruturas

Por Portugal 24 Horas

No panorama das grandes obras públicas em Portugal, a clarificação de responsabilidades assume-se como um pilar fundamental para a boa execução e segurança das infraestruturas. Recentemente, no contexto de um ambicioso projeto de infraestruturas, a concessionária responsável veio a público assegurar a continuidade e solidez da empreitada que tem a seu cargo. Contudo, em simultâneo, fez questão de demarcar claramente as suas atribuições no que concerne à manutenção dos diques adjacentes à obra. Estes elementos críticos de proteção, segundo a declaração da liderança da empresa, estão sob a alçada e gestão pública, uma distinção crucial que sublinha a complexidade da coordenação em empreendimentos de grande escala, especialmente quando a segurança territorial e ambiental está em jogo, levantando questões sobre a cooperação entre o setor privado e as entidades estatais na proteção dos recursos hídricos e das comunidades ribeirinhas.

O enquadramento da obra e as responsabilidades contratuais

O megaprojeto de infraestruturas em questão

O projeto em causa representa uma das mais significativas empreitadas de infraestruturas em curso no país, focada na expansão e requalificação de um troço vital da rede viária nacional. Esta obra, de elevado valor estratégico, visa não só melhorar a fluidez do tráfego e a segurança rodoviária, mas também impulsionar o desenvolvimento económico regional, facilitando o transporte de mercadorias e a mobilidade de pessoas. Com um investimento avultado, o projeto abrange a construção de novas faixas de rodagem, pontes e viadutos, bem como a implementação de tecnologias avançadas de gestão de tráfego. A sua complexidade técnica é notória, dada a necessidade de ultrapassar obstáculos geográficos significativos, como rios e zonas húmidas, e de mitigar os impactos ambientais associados. A sua execução exige um planeamento meticuloso e uma coordenação multifacetada, envolvendo engenheiros, urbanistas, ambientalistas e diversos fornecedores, num esforço concertado para cumprir prazos e orçamentos rigorosos, garantindo, ao mesmo tempo, a máxima qualidade e durabilidade da infraestrutura resultante. A conclusão desta obra é aguardada com grande expetativa pelas populações e pelo setor empresarial, perspetivando-se um impacto transformador na conectividade e na competitividade da região.

A clarificação do papel da concessionária

No modelo de parceria público-privada (PPP), comum na gestão de grandes infraestruturas em Portugal, a concessionária, neste caso a Brisa, assume um papel central. A sua responsabilidade abrange desde o planeamento e o financiamento até à construção, operação e manutenção da infraestrutura que lhe foi concedida. Contratos de concessão como este são instrumentos jurídicos complexos e detalhados, que delineiam com precisão o âmbito das atribuições da empresa. Eles especificam quais os ativos e serviços que fazem parte da concessão, quais os padrões de qualidade e segurança a serem cumpridos, e quais as contrapartidas e obrigações para ambas as partes. É neste contexto de rigor contratual que a declaração da Brisa se insere, ao garantir que a obra sob sua alçada está a ser devidamente assegurada pela empresa. Contudo, a mesma declaração serviu para demarcar os limites da sua intervenção, salientando que a manutenção de diques pré-existentes ou que não sejam intrínsecos à nova infraestrutura da concessão não faz parte das suas obrigações contratuais. Esta delimitação é crucial para evitar sobreposições de responsabilidades ou, pior, lacunas na gestão de ativos públicos que são vitais para a segurança coletiva.

A questão dos diques e a gestão pública

A importância vital dos diques para a segurança

Os diques desempenham uma função insubstituível na salvaguarda de Portugal contra os perigos de inundações e cheias, eventos que, nos últimos anos, têm sido agravados pelas alterações climáticas e pela urbanização crescente em zonas ribeirinhas. Estas estruturas de engenharia, que podem variar de simples aterros a complexos sistemas de proteção, são essenciais para proteger comunidades inteiras, terrenos agrícolas férteis, infraestruturas críticas e ecossistemas fluviais sensíveis. A sua integridade e manutenção contínua são, portanto, fundamentais para a resiliência das regiões mais vulneráveis. Uma falha num dique pode ter consequências catastróficas, resultando em perdas de vidas, danos materiais avultados, deslocamento de populações e impactes ambientais duradouros. A gestão eficaz dos diques é, assim, uma componente crucial da política de proteção civil e de ordenamento do território, exigindo não só a sua construção robusta, mas também a sua monitorização constante, inspeção periódica e intervenção atempada para reparar danos ou reforçar secções fragilizadas, garantindo que continuem a cumprir a sua função protetora ao longo do tempo.

As implicações da gestão pública na manutenção

Quando se fala em “gestão pública” de diques, refere-se tipicamente à responsabilidade de entidades estatais ou autárquicas pela sua manutenção e operação. Em Portugal, estas competências podem recair sobre diversas instituições, como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que gere o domínio público hídrico, as Direções Regionais de Agricultura e Pescas, ou os municípios, dependendo da sua dimensão, localização e da sua integração em planos mais vastos de gestão de bacias hidrográficas. A justificação para esta responsabilidade reside na natureza dos diques como bens de domínio público e na sua função de interesse geral, que transcende os interesses privados. Contudo, esta gestão enfrenta desafios significativos. O financiamento público para a manutenção de infraestruturas envelhecidas é muitas vezes insuficiente, levando à acumulação de necessidades de intervenção. A coordenação entre diferentes níveis de administração pública (central, regional, local) pode ser complexa, com potenciais falhas de comunicação e sobreposição ou diluição de responsabilidades. Além disso, a necessidade de monitorização contínua e a realização de inspeções periódicas exigem recursos humanos e técnicos especializados que nem sempre estão disponíveis em todas as entidades. Garantir que os diques sob gestão pública são mantidos a um nível adequado de segurança é um imperativo, mas requer um esforço coordenado e um investimento sustentado.

Implicações e desafios futuros

Coordenação entre entidades e o financiamento

A declaração da concessionária, embora clarificadora das suas próprias responsabilidades, realça um desafio inerente a grandes projetos de infraestruturas: a necessidade de uma coordenação exemplar entre o setor privado e as entidades públicas. Mesmo que a manutenção dos diques não seja da alçada da Brisa, a interligação física da nova infraestrutura rodoviária com estes elementos de proteção hídrica exige uma comunicação e planeamento sem falhas. Por exemplo, a construção da autoestrada pode implicar a adaptação ou o reforço de diques existentes, ou até a construção de novos diques como medida de compensação ambiental ou de segurança. Nestes casos, quais são os mecanismos de comunicação e colaboração para assegurar que as intervenções sejam mutuamente benéficas e não comprometam a segurança de nenhuma das partes? A questão do financiamento é igualmente premente. Quem financia eventuais adaptações ou reforços nos diques que, embora não diretamente resultantes da obra da Brisa, se tornem necessários à segurança geral ou à integração paisagística? É crucial otimizar recursos, evitando que o foco do setor privado na sua concessão e o foco do setor público no bem comum resultem em lacunas ou ineficiências que poderiam ser evitadas através de uma articulação mais robusta e transparente.

A perspetiva da Brisa e das autoridades

A perspetiva da Brisa, como concessionária, é de focar-se integralmente na entrega da sua obra no prazo e orçamento estipulados, garantindo a qualidade e a segurança da infraestrutura rodoviária que tem a seu cargo. O seu compromisso é com a concessão, e a declaração sobre os diques serve para reforçar que não se pode imputar-lhe responsabilidades que estão contratualmente fora do seu âmbito de atuação. Paralelamente, as autoridades públicas, sejam elas nacionais, regionais ou locais, mantêm o seu dever inalienável de zelar pela segurança e integridade dos diques, independentemente da obra adjacente. O seu mandato é proteger os cidadãos, gerir os recursos hídricos e garantir a resiliência territorial. Este cenário sublinha a necessidade de um diálogo contínuo e de uma definição clara de interfaces entre os projetos privados e a gestão pública de infraestruturas críticas. O objetivo comum deve ser sempre a segurança da população e a proteção do ambiente. A transparência na delimitação de responsabilidades, tal como procurada pela Brisa, é um passo fundamental para uma gestão mais eficaz dos recursos e para a prevenção de futuros conflitos ou, mais grave ainda, de falhas de segurança no complexo ecossistema das infraestruturas nacionais.

Fonte: https://sapo.pt

Você deve gostar também