Início » Buraco Negro Microscópico: Impacto no Corpo Humano é Surpreendentemente Moderado

Buraco Negro Microscópico: Impacto no Corpo Humano é Surpreendentemente Moderado

Por Portugal 24 Horas

Um novo estudo desafia a perceção comum sobre os efeitos de um buraco negro microscópico que atravessasse o corpo humano. Contrariamente à ideia de destruição imediata e total, a pesquisa sugere que os danos seriam relativamente limitados, a menos que o buraco negro excedesse um certo limiar de massa.

Robert Scherrer, físico teórico da Universidade de Vanderbilt, EUA, motivado por uma antiga curiosidade, decidiu investigar formalmente este cenário. A sua análise concentra-se nos buracos negros primordiais, objetos teóricos que se teriam formado no início do Universo, resultantes de flutuações extremas de densidade após o Big Bang. Estes buracos negros, se existirem, seriam extremamente pequenos e raros.

O estudo avaliou dois efeitos principais: a onda de choque gerada pela passagem rápida do buraco negro e as forças de maré. A onda de choque revelou-se o fator determinante nos danos, superando a influência da gravidade extrema habitualmente associada a estes objetos. A análise também estabeleceu um limite de massa crítico, a partir do qual o impacto se tornaria significativo.

Os cálculos de Scherrer indicam que um buraco negro com uma massa de cem biliões de toneladas causaria ferimentos menores do que os provocados por uma pequena bala. Esta comparação surpreendente contrasta com a crença generalizada de que tal evento resultaria em consequências catastróficas.

Para chegar a esta conclusão, Scherrer considerou massas comparáveis às dos asteroides mais pequenos. Nestas escalas, o raio do buraco negro é ínfimo, menor até do que muitas células. A sua passagem a velocidades próximas dos duzentos quilómetros por segundo geraria uma onda de pressão interna que se propagaria pelos tecidos como uma explosão minúscula, mas extremamente rápida.

Este efeito balístico domina a ação gravitacional, que se revela demasiado fraca para superar as forças que mantêm as moléculas unidas. Para que a gravidade cause danos severos, a massa do buraco negro teria de ser enorme, atingindo um limiar de cerca de sete biliões de toneladas métricas, um valor colossal que dificilmente se enquadraria na escala microscópica considerada.

Abaixo deste limiar, a onda de choque é o único fator relevante. O estudo aponta que o ponto em que essa onda de choque se tornaria letal corresponde a cerca de 1,4 × 10¹⁷ gramas. No entanto, a probabilidade de encontrar um buraco negro primordial com esta massa é tão baixa que, na prática, se considera inexistente.

A raridade destes buracos negros é crucial. Mesmo que um buraco negro ultrapassasse o limiar de massa calculado, a probabilidade de um organismo vivo se cruzar com ele é insignificante. Os números sugerem que tal evento ocorreria, em média, uma vez a cada quintilhão de anos, um período que excede a duração da espécie humana e do próprio Universo.

Apesar da sua natureza hipotética, este exercício teórico permite examinar a interação entre fenómenos cósmicos extremos e tecidos biológicos em escalas minúsculas. O resultado desafia conceções pré-concebidas e demonstra que mesmo as questões mais improváveis podem revelar novos limites naturais.

Em suma, o estudo conclui que um buraco negro microscópico, contrariamente à perceção comum, seria menos prejudicial do que um projétil leve. O mistério dos buracos negros não é resolvido, mas ganha contornos mais precisos, revelando uma realidade inesperada e intrigante.

Fonte: www.tempo.pt

Você deve gostar também