Início » Cangurus gigantes extintos podiam saltar, sugere estudo inovador

Cangurus gigantes extintos podiam saltar, sugere estudo inovador

Por Portugal 24 Horas

Uma recente investigação científica vem desafiar as conceções estabelecidas sobre a locomoção dos impressionantes cangurus gigantes pré-históricos, criaturas que outrora deambularam pela Austrália. Durante décadas, a comunidade científica acreditou que estes marsupiais, que podiam pesar mais de 200 kg, eram demasiado pesados para saltitar, uma forma de movimento comum nos seus descendentes modernos. Contudo, um novo estudo lança luz sobre esta questão, apresentando provas convincentes de que os cangurus gigantes extintos não só poderiam ter saltado, mas também empregado uma variedade de outras estratégias de locomoção. Esta descoberta revoluciona a nossa compreensão da biomecânica e da ecologia destes animais icónicos da Idade do Gelo, revelando que a sua capacidade de movimento era muito mais diversificada e adaptada ao seu enorme porte do que se pensava anteriormente.

A Capacidade de Salto dos Cangurus Gigantes Pré-Históricos

O Desafio às Teorias Anteriores

Atualmente, o canguru-vermelho é o maior marsupial saltitador vivo, atingindo cerca de 90 kg. No entanto, durante a Idade do Gelo, existiram espécies de cangurus que ultrapassavam em mais do dobro este peso, chegando a impressionantes 250 kg. Durante muitos anos, prevaleceu a crença de que estes animais maciços seriam incapazes de saltitar. Esta teoria baseava-se em investigações anteriores que sugeriam que o salto se tornava biomecanicamente inviável acima dos 150 kg, extrapolando dados de cangurus modernos. Estas conclusões eram amplamente aceites, moldando a percepção da locomoção destes gigantes pré-históricos.

Contudo, uma equipa de investigadores abordou esta questão com uma nova perspetiva, questionando a validade de simplesmente escalar as características dos cangurus modernos para entender os seus antepassados gigantes. A investigadora principal, Megan Jones, sublinhou que as estimativas anteriores “baseavam-se simplesmente no aumento da escala dos cangurus modernos, o que pode significar que nos escapam diferenças anatómicas cruciais”. Os seus resultados sugerem que estes animais não eram meramente versões maiores dos cangurus atuais, mas possuíam uma construção diferente, especificamente adaptada para gerir o seu tamanho extraordinário. Esta abordagem mais matizada permitiu à equipa reavaliar as capacidades de locomoção dos cangurus gigantes, abrindo caminho para uma compreensão mais precisa da sua biologia.

As Provas Anatómicas Inovadoras

A nova investigação combinou medições detalhadas de cangurus vivos com uma análise minuciosa de material fóssil. Os cientistas focaram-se em dois fatores cruciais que poderiam limitar a capacidade de salto: a capacidade do tornozelo para ancorar os tendões que impulsionam o salto e a força dos ossos do pé para suportar o impacto. As descobertas foram surpreendentes. Os cangurus gigantes revelaram possuir ossos do pé mais grossos e curtos em comparação com os seus equivalentes modernos, uma característica que os tornaria mais aptos a suportar as forças de aterragem associadas ao salto. Além disso, os seus ossos do calcanhar eram significativamente mais largos, sugerindo a existência de tendões do tornozelo muito mais robustos do que os dos cangurus atuais.

A Dra. Katrina Jones, investigadora na Universidade de Bristol, explicou as implicações destas adaptações: “Os tendões mais espessos são mais seguros, mas armazenam menos energia elástica”. Isto implica que, embora os cangurus gigantes pudessem saltitar, o seu salto seria provavelmente mais lento e menos eficiente em termos energéticos do que o dos cangurus modernos. Em vez de longas viagens a saltitar, seriam mais adequados para “curtas explosões de movimento”, ideais para atravessar rapidamente terrenos acidentados ou para escapar a predadores em situações de perigo iminente. Assim, o salto, mesmo que não fosse a forma de locomoção mais eficiente para longas distâncias, continuaria a ser uma ferramenta valiosa para a sua sobrevivência.

Mais Além do Salto: Uma Diversidade de Movimentos

Estratégias de Locomoção Múltiplas

Ainda mais fascinante é a revelação de que a locomoção dos cangurus gigantes não se limitava apenas ao salto. Ao examinar o vasto material fóssil, os cientistas descobriram que as espécies extintas demonstravam uma impressionante variedade de estratégias de movimento. Acredita-se que alguns cangurus gigantes possam ter combinado o salto com outras formas de locomoção, como andar de quatro patas (quadrupedalismo) ou a capacidade de se manter em pé sobre duas pernas (bipedalismo, sem ser o salto). Esta plasticidade locomotora sugere que o salto, embora presente, não era a única forma de se moverem, permitindo-lhes adaptar-se a diferentes ambientes e situações.

Esta descoberta é fundamental para reavaliar a diversidade ecológica dos cangurus pré-históricos. O Dr. Robert Nudds, professor catedrático na Universidade de Manchester, afirmou: “As nossas descobertas contribuem para a noção de que os cangurus tinham uma diversidade ecológica mais ampla na Austrália pré-histórica do que a que encontramos atualmente”. Enquanto algumas espécies de grande porte podem ter pastado de forma semelhante aos cangurus modernos, outras poderiam ter sido “navegadoras”, explorando nichos ecológicos que não são observados nos grandes cangurus contemporâneos. Esta versatilidade na locomoção é um testemunho da extraordinária adaptabilidade destes marsupiais e oferece uma imagem mais rica e complexa da vida selvagem que habitava a Austrália há milhares de anos.

As novas provas transformam a nossa compreensão dos cangurus gigantes extintos. Longe de serem animais desajeitados e restritos ao solo, a sua biomecânica sofisticada permitia-lhes uma gama de movimentos que incluía o salto, ainda que adaptado ao seu peso, e outras formas de locomoção. Esta perspetiva redefine o seu papel nos ecossistemas pré-históricos australianos, mostrando-os como criaturas versáteis e robustas, perfeitamente equipadas para o ambiente da Idade do Gelo. A sua capacidade de salto, juntamente com outras estratégias de movimento, sublinha a incrível evolução e diversidade que caracterizaram a megafauna australiana.

FAQ

Os cangurus gigantes podiam realmente saltar?
Sim, o novo estudo sugere que os cangurus gigantes pré-históricos, apesar do seu enorme tamanho (até 250 kg), eram biomecanicamente capazes de saltar, contrariando teorias anteriores. No entanto, o seu salto seria provavelmente mais lento e menos eficiente em termos energéticos do que o dos cangurus modernos.

Qual era o peso máximo destes cangurus pré-históricos?
Algumas espécies de cangurus gigantes pré-históricos podiam atingir até 250 kg, mais do dobro do peso do maior canguru vivo atualmente, o canguru-vermelho (cerca de 90 kg).

Como é que os ossos dos cangurus gigantes diferiam dos modernos?
Os cangurus gigantes tinham ossos do pé mais grossos e curtos, capazes de suportar as forças de aterragem. Além disso, os seus ossos do calcanhar eram mais largos, indicando a presença de tendões do tornozelo mais espessos, adaptados ao seu peso e às exigências do salto.

Além do salto, que outras formas de locomoção podiam usar?
A investigação sugere que os cangurus gigantes podiam ter empregado uma variedade de estratégias de locomoção, combinando o salto com movimentos como andar de quatro patas (quadrupedalismo) ou manter-se em pé sobre as duas pernas (bipedalismo), permitindo-lhes explorar diferentes nichos ecológicos.

Interessado em desvendar mais mistérios da vida selvagem pré-histórica ou em acompanhar as últimas descobertas científicas? Continue a explorar o nosso portal para artigos fascinantes e atualizações diárias!

Fonte: https://www.tempo.pt

Você deve gostar também