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Carnaval 2026: Ano Novo Chinês impõe restrições à sorte e prosperidade

Por Portugal 24 Horas

A próxima terça-feira de Carnaval em 2026, agendada para 17 de fevereiro, será palco de uma rara e significativa coincidência cultural. Neste dia, enquanto muitos se preparam para as festividades carnavalescas, assinala-se também o início do Ano Novo Chinês, marcando a entrada no vibrante Ano do Cavalo de Fogo. Esta particularidade astrológica e cultural impõe uma série de restrições inesperadas às rotinas diárias e à higiene pessoal, especialmente para aqueles que valorizam as tradições ancestrais e aspiram atrair a tão desejada fortuna. As superstições milenares orientais alertam que determinadas ações, como varrer a casa ou lavar o cabelo, podem inadvertidamente “limpar” a sorte, comprometendo a prosperidade financeira para os meses vindouros. Esta confluência de calendários exige um olhar atento e uma adaptação dos festejos, unindo a alegria do Entrudo à sabedoria oriental na busca por um ano auspicioso. Os portugueses, perante esta particularidade, são convidados a ponderar os seus hábitos.

Tradições ancestrais cruzam-se com o Entrudo

A confluência de calendários e crenças

O ano de 2026 apresentará uma fascinante sobreposição de culturas e calendários, um evento que, pela sua singularidade, merece atenção redobrada. O dia 17 de fevereiro, tradicionalmente celebrado em Portugal como a terça-feira de Carnaval, um período de folia, desfiles e subversão de rotinas, coincidirá com a chegada do Ano Novo Chinês. Este não é um mero alinhamento temporal, mas uma junção de dois sistemas de contagem de tempo e crenças profundamente enraizados em civilizações distintas. Enquanto o calendário ocidental segue o ciclo solar, o calendário chinês é lunar, ditando que o início de cada novo ano varia anualmente, geralmente entre o final de janeiro e meados de fevereiro.

Esta coincidência é particularmente notável porque o Ano Novo Chinês, também conhecido como Festival da Primavera, é o feriado mais importante na China e em muitas comunidades asiáticas, assinalando um período de renovação, esperança e rituais meticulosos destinados a assegurar boa sorte e prosperidade. O Carnaval, por sua vez, é uma celebração católica que antecede a Quaresma, caracterizada pela exuberância e pela quebra temporária de normas sociais. A fusão destas duas datas traz consigo uma camada adicional de significado, transformando um dia de festejos em Portugal num momento de introspeção e adesão a práticas milenares para quem busca harmonizar as energias do novo ciclo que se inicia. A singularidade desta sobreposição convida a uma reflexão sobre a diversidade cultural e a influência que as crenças podem exercer sobre as nossas ações mais quotidianas, mesmo em contextos festivos.

Rituais de purificação e prosperidade: O que evitar

O perigo de “limpar” a sorte: Cabelo e casa

As tradições milenares associadas ao Ano Novo Chinês são claras e específicas quanto às proibições para o dia de arranque do novo ciclo lunar. Para quem deseja atrair fortuna e prosperidade, é imperativo evitar duas ações aparentemente inofensivas: lavar o cabelo e varrer a casa. A razão por detrás destas proibições é profundamente simbólica e, em alguns casos, ligada à fonética da língua mandarim.

No que respeita à higiene capilar, a palavra em mandarim para “cabelo” possui uma sonoridade quase idêntica à palavra que significa “prosperidade”. Assim, lavar a cabeça nas primeiras 24 horas deste ciclo anual é interpretado como um ato de “lavar” ou “limpar” a fortuna da vida de uma pessoa. Este gesto, que em qualquer outro dia seria uma rotina básica de higiene, é encarado como um erro grave que pode comprometer as finanças pessoais e o sucesso ao longo de todo o ano. A crença sugere que, ao invés de purificar, a lavagem do cabelo neste dia específico expulsa as boas energias recém-chegadas com o Ano Novo.

As proibições estendem-se à manutenção do lar, impedindo o uso de vassouras ou produtos de limpeza. Varrer o chão, especialmente, é simbolicamente interpretado como varrer a riqueza para fora da porta de entrada, afastando as boas energias e a prosperidade da habitação. Em vez de limpar, o ato de varrer é visto como um gesto de “expurgar” a sorte recém-chegada. Para garantir que a casa esteja pronta para acolher as energias positivas, a limpeza profunda deve ser realizada antes do dia do Ano Novo Chinês, simbolizando a remoção de energias antigas e estagnadas para dar espaço ao novo. A adesão a estas regras é vista como um compromisso sério com a prosperidade futura, um investimento de fé nas energias que se renovam com o calendário lunar.

O poder das palavras e o silêncio protetor

Para além das ações físicas, o comportamento verbal assume igualmente uma importância redobrada durante as celebrações do Ano Novo Chinês, e, por extensão, no dia 17 de fevereiro de 2026. A tradição oriental adverte que qualquer linguagem negativa, discussões acaloradas, ou referências a temas considerados mórbidos, como doenças e morte, devem ser totalmente banidas das conversas familiares ou sociais. A premissa subjacente a esta regra é que as palavras têm um poder intrínseco de moldar a realidade e atrair energias.

Iniciar o ano com tópicos pesados ou pessimistas é encarado como um convite para que essa energia densa se manifeste no futuro imediato. Por exemplo, queixar-se de problemas financeiros, lamentar-se sobre a saúde, ou discutir desgraças pode, de acordo com esta crença, agourar o ano, atraindo precisamente aquilo que se deseja evitar. Assim, o silêncio sobre temas mórbidos e o foco em expressões de alegria, esperança e votos de prosperidade são a melhor estratégia para não prejudicar o ano que agora se inicia no calendário chinês. É um período para cultivar a positividade, expressar gratidão e desejar boa sorte a todos, criando uma atmosfera de otimismo que se acredita ser propícia à atração de energias benéficas. Os cumprimentos e desejos de prosperidade são incentivados, reforçando o ambiente de boas-vindas ao novo ciclo.

O Ano do Cavalo de Fogo: Energias e desafios

A influência astrológica e o destino pessoal

O calendário chinês, que se baseia nas fases da lua e num ciclo de doze animais, dita que 2026 será o Ano do Cavalo de Fogo. Esta combinação particular é considerada extremamente poderosa e dinâmica na astrologia chinesa. O Cavalo, por si só, é um signo associado à independência, à energia, ao movimento constante, à paixão pela liberdade e à busca por aventura. As pessoas nascidas sob o signo do Cavalo são frequentemente descritas como ativas, entusiasmadas e cheias de vida.

Quando este signo se une ao elemento Fogo, as suas características são amplificadas. O Fogo é um elemento de grande paixão, intensidade, criatividade e liderança, mas também pode ser volátil e impulsivo. Assim, o Ano do Cavalo de Fogo é pressagiado como um período de grande atividade, mudanças rápidas, inovações e um impulso para a frente. É um ano propício para iniciar novos projetos, assumir riscos calculados e demonstrar coragem. No entanto, a energia avassaladora do Fogo combinada com a impetuosidade do Cavalo também pode levar a excessos, conflitos e imprevisibilidade se não for gerida com sabedoria e controlo. Para muitos, compreender a influência astrológica do Cavalo de Fogo é fundamental para navegar pelos desafios e oportunidades que o ano trará, alinhando as suas ações com as energias dominantes para otimizar os seus destinos pessoais e profissionais.

O ritual do vermelho: Atração de fortuna

Ao contrário de algumas proibições, existe também um ritual positivo e obrigatório para quem nasceu em anos específicos regidos pelo signo do Cavalo: 1942, 1954, 1966, 1978, 1990, 2002 ou 2014. Para estes indivíduos, que estão no seu “Ben Ming Nian” (Ano do Zodíaco Pessoal), o dia 17 de fevereiro de 2026 exige um cuidado especial com o guarda-roupa.

A tradição manda que os nativos do Cavalo de Fogo devem vestir uma peça de roupa vermelha, independentemente de ser uma peça visível ou íntima. O vermelho é uma cor de extrema importância na cultura chinesa, simbolizando sorte, prosperidade, felicidade e a capacidade de afastar os maus espíritos. Durante o Ano Novo Chinês, o vermelho é omnipresente, desde as decorações até aos “envelopes vermelhos” (hongbao) com dinheiro. Ao vestir vermelho no seu “Ben Ming Nian”, os nativos do Cavalo não só atraem a prosperidade, como também se protegem das energias negativas que podem surgir durante o seu ano astrológico. É um ato simbólico de alinhamento com as forças positivas, um talismã visual que visa garantir que o resto de 2026 decorra da melhor forma possível, suavizando quaisquer desafios inerentes à natureza intensa do Cavalo de Fogo e atraindo fortuna e boa saúde.

Preparar a fortuna no Carnaval: Um guia para 2026

A rara coincidência de o Carnaval e o Ano Novo Chinês partilharem o mesmo dia em 2026 oferece uma oportunidade única para abraçar uma perspetiva cultural mais ampla e incorporar sabedorias ancestrais nas nossas vidas. Embora o ano civil ocidental já se tenha iniciado há mais de um mês, muitos continuam a adotar estas práticas orientais como forma de reforçar a sorte e garantir um ano auspicioso. A fusão do espírito festivo do Entrudo com a solenidade e o simbolismo do Ano Novo Chinês exige um equilíbrio. Para aqueles que pretendem festejar sem restrições, a adesão a estas regras pode ser desafiante, mas a tradição sugere que os benefícios de respeitar estas diretrizes superam largamente qualquer inconveniente. A adaptação, mesmo que mínima, aos rituais de não varrer, não lavar o cabelo e manter uma linguagem positiva, juntamente com o uso da cor vermelha para os nativos do Cavalo de Fogo, pode ser o catalisador para um ano repleto de sorte e prosperidade. O Carnaval de 2026 será, assim, não apenas uma celebração de máscaras e folia, mas também um convite à reflexão sobre a interligação das culturas e o poder das crenças na moldagem do nosso destino.

Fonte: https://postal.pt

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