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Cirurgias oncológicas aumentam 67%, mas um quarto dos doentes enfrenta atrasos

Por Portugal 24 Horas

A saúde pública em Portugal regista um crescimento notável no número de cirurgias oncológicas realizadas nos últimos cinco anos, assinalando um esforço contínuo para responder à prevalência da doença. Entre 2020 e 2024, o volume de doentes operados por cancro disparou 67%, traduzindo-se em mais 31.178 intervenções cirúrgicas, um aumento significativo que reflete avanços na deteção precoce e na capacidade de resposta do sistema. No entanto, este progresso é ensombrado por um desafio persistente: em 2024, um em cada quatro doentes submetidos a cirurgia oncológica ainda aguardou além do tempo máximo de resposta recomendado, levantando questões sobre a equidade e a eficiência no acesso a tratamentos cruciais. Este cenário complexo sublinha a dicotomia entre a melhoria quantitativa e as dificuldades qualitativas que ainda permeiam a jornada dos doentes com cancro.

O crescimento das intervenções cirúrgicas oncológicas

Nos últimos cinco anos, o sistema de saúde português demonstrou uma capacidade crescente de resposta às necessidades dos doentes com cancro, com um aumento sem precedentes no número de cirurgias oncológicas. A subida de 67% entre 2020 e 2024 não é apenas uma estatística; representa a esperança e a oportunidade de tratamento para dezenas de milhares de portugueses. Este incremento, que se traduz em mais 31.178 pessoas operadas, é um indicador multifacetado de progresso, impulsionado por uma combinação de fatores. Por um lado, houve provavelmente um investimento em infraestruturas e equipas, permitindo um maior volume de procedimentos. Por outro, a crescente consciencialização para a importância do rastreio e do diagnóstico precoce pode ter levado a que mais casos de cancro fossem identificados em fases que permitiam uma intervenção cirúrgica curativa.

Impacto do aumento na capacidade do sistema

O aumento substancial de cirurgias oncológicas exerce, naturalmente, uma pressão significativa sobre a capacidade do sistema de saúde. Absorver um crescimento de 67% em cinco anos exige uma coordenação exemplar, otimização de recursos e, muitas vezes, sacrifícios por parte dos profissionais de saúde. Para lidar com este volume acrescido, é plausível que se tenham implementado estratégias como a otimização de blocos operatórios, a redistribuição de equipas e a priorização de casos oncológicos. Contudo, este aumento pode também mascarar disparidades regionais ou a sobrecarga de certas unidades hospitalares. Embora seja um sinal positivo de que mais doentes estão a aceder a tratamentos vitais, o sistema tem de garantir que este esforço não compromete a qualidade dos cuidados ou a capacidade de resposta a outras patologias, mantendo a sustentabilidade a longo prazo.

Os persistentes desafios dos tempos de resposta

Apesar do notável progresso no volume de cirurgias oncológicas, a questão dos tempos de resposta continua a ser um calcanhar de Aquiles para o sistema de saúde português. Os dados revelam que, em 2024, um em cada quatro doentes ainda foi operado para além do tempo máximo de resposta clinicamente recomendado. Este é um dado alarmante, pois, no contexto da doença oncológica, o tempo é um fator crítico. Atrasos no início do tratamento podem ter consequências graves, desde a progressão da doença e a redução das chances de sucesso terapêutico, até ao aumento da ansiedade e do sofrimento psicológico para o doente e a sua família. As causas para estes atrasos são complexas e multifatoriais, incluindo a escassez de profissionais especializados, a limitada disponibilidade de blocos operatórios, a gestão de listas de espera e, por vezes, a complexidade dos próprios percursos do doente dentro do sistema.

Estratégias e perspetivas para mitigar atrasos

Para combater os atrasos nos tempos de resposta em cirurgia oncológica, é imperativo implementar e reforçar um conjunto de estratégias integradas. Uma abordagem passa pelo investimento contínuo em recursos humanos e tecnológicos, garantindo que existem profissionais qualificados e equipamentos modernos em número suficiente. A otimização dos percursos do doente, desde o diagnóstico até à cirurgia e pós-operatório, através de uma maior articulação entre os diferentes níveis de cuidados e especialidades, é crucial. A tecnologia, como sistemas de gestão de listas de espera mais eficazes e a telemedicina, pode também desempenhar um papel importante na monitorização e agilização dos processos. Além disso, a colaboração entre o setor público e privado pode ser uma solução para aumentar a capacidade cirúrgica, especialmente em momentos de maior pressão. É fundamental que estas estratégias sejam acompanhadas de uma monitorização rigorosa e transparente, permitindo ajustes contínuos e assegurando que o objetivo de que nenhum doente oncológico espere para além do limite aceitável seja alcançado.

Um balanço entre progresso e desafios na oncologia

O panorama da cirurgia oncológica em Portugal revela uma dualidade marcante: um progresso inegável no número de intervenções realizadas, que oferece esperança a milhares de doentes, em contraste com a persistência de atrasos inaceitáveis nos tempos de resposta para uma parcela significativa desses mesmos doentes. O aumento de 67% nas cirurgias em cinco anos é um testemunho do esforço e da dedicação dos profissionais de saúde e da expansão das capacidades do sistema. No entanto, o facto de um quarto dos doentes ainda exceder o tempo máximo de resposta sublinha a urgência de abordar as fragilidades estruturais e operacionais. É crucial que o foco se mantenha não apenas em aumentar a capacidade, mas também em garantir que cada doente oncológico receba tratamento atempado e adequado, pois cada dia de espera pode ter um impacto profundo no prognóstico e na qualidade de vida. O futuro da oncologia em Portugal exige uma estratégia abrangente que concilie a inovação e o crescimento com a equidade e a eficiência no acesso.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Qual foi o aumento percentual de cirurgias oncológicas registado nos últimos cinco anos em Portugal?
O número de cirurgias oncológicas aumentou 67% entre 2020 e 2024.

2. Quantos doentes oncológicos foram operados além do tempo máximo de resposta recomendado em 2024?
Em 2024, um em cada quatro doentes oncológicos foi operado acima do tempo máximo de resposta clinicamente aceitável.

3. Porque é que o cumprimento do tempo máximo de resposta é tão crítico para doentes oncológicos?
O cumprimento do tempo máximo de resposta é crucial porque atrasos podem levar à progressão da doença, reduzir a eficácia do tratamento, piorar o prognóstico e aumentar o sofrimento psicológico do doente.

4. Quais são as principais razões apontadas para os atrasos nas cirurgias oncológicas?
As razões para os atrasos incluem a escassez de profissionais especializados, a limitada disponibilidade de blocos operatórios e camas, a gestão das listas de espera e a complexidade dos percursos de tratamento do doente.

5. Que tipo de estratégias podem ser implementadas para mitigar estes atrasos?
Estratégias para mitigar os atrasos podem incluir o investimento em recursos humanos e tecnológicos, a otimização dos percursos do doente, a utilização de tecnologia para gestão e monitorização, e a colaboração entre os setores público e privado.

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Fonte: https://sapo.pt

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