Um profissional da construção civil veio a público denunciar as difíceis condições de trabalho e a desvalorização salarial que afetam o setor. O testemunho surge num contexto de crescente falta de mão de obra qualificada e de aumento do custo da habitação, colocando em destaque a realidade enfrentada pelos trabalhadores que constroem edifícios.
Pascual, pedreiro e chefe de obra, partilhou a sua experiência numa entrevista onde descreveu a drástica redução dos salários desde a crise imobiliária de 2008. Segundo o profissional, antes da crise era possível auferir até 4.000 euros mensais, valores que desapareceram com o declínio do setor. Atualmente, o salário médio para um pedreiro é de cerca de 1.200 euros, uma remuneração que Pascual considera desproporcional face à exigência física do trabalho.
De acordo com o seu relato, os salários permanecem significativamente abaixo da média nacional. Um oficial de primeira aufere entre 1.500 e 1.600 euros por mês, enquanto um encarregado de obra, como Pascual, pode ganhar até 1.800 euros mensais. Estes valores contrastam com o aumento do custo de vida e com a responsabilidade inerente à construção civil.
Pascual critica a falta de reconhecimento do setor, crucial para a sociedade, especialmente num momento de escassez de habitação. Lamenta que o trabalho dos pedreiros seja visto como “sujo”, apesar de serem eles os responsáveis pela construção das casas.
A dureza física do trabalho é outro ponto de preocupação. As posturas exigentes, o transporte de cargas pesadas e o esforço repetitivo têm um impacto direto na saúde dos trabalhadores. Pascual descreve o final de cada dia de trabalho como uma batalha contra dores nas costas e nos joelhos. Alerta ainda para os perigos da construção, especialmente quando as técnicas não são dominadas ou as normas de segurança não são cumpridas.
Apesar das dificuldades, Pascual reconhece que o setor da construção continua dinâmico e com procura. No entanto, as condições de trabalho não acompanham este crescimento. A combinação de baixos salários, risco físico e falta de valorização profissional ameaça afastar novos trabalhadores, agravando a escassez de mão de obra qualificada.
Em Portugal, a situação dos trabalhadores da construção apresenta semelhanças. A relação laboral entre pedreiros, trolhas ou encarregados e as empresas está regulada pelo Código do Trabalho e por contratos coletivos, que definem categorias profissionais, tabelas salariais e direitos específicos. Os trabalhadores estão protegidos por seguros obrigatórios de acidentes de trabalho, e o incumprimento das normas pode resultar em multas para as entidades patronais.
No entanto, a profissão continua associada a grande desgaste físico e elevados índices de sinistralidade, o que alimenta o debate sobre a necessidade de valorização profissional.
Fonte: postal.pt