António Costa, presidente do Conselho Europeu, avaliou o seu primeiro ano de mandato, classificando-o como “muito exigente do ponto de vista internacional”. Numa entrevista recente, o antigo primeiro-ministro português abordou temas como a guerra na Ucrânia e a situação no Médio Oriente, detalhando as prioridades que marcaram o seu primeiro ano no cargo.
Uma das principais áreas de enfoque, segundo Costa, foi o reforço da dimensão da Defesa da União Europeia. Desde o início do seu mandato, foram dados “passos importantes” nesta área, nomeadamente através da criação de um novo “sistema de financiamento” e de um “plano de investimento para os próximos anos”. O presidente do Conselho Europeu salientou a importância de se avançar nas questões relativas à competitividade e de colocar novos temas na agenda da União Europeia, que tenham impacto direto no dia a dia dos cidadãos.
Ao refletir sobre os desafios deste primeiro ano, António Costa destacou a necessidade de se adaptar a um papel diferente. Sublinhou que a sua principal função agora é “ajudar os outros a tomar decisões”, em vez de tomar as decisões ele próprio.
No que diz respeito à guerra na Ucrânia, Costa reafirmou o apoio da União Europeia ao país, sublinhando que o conflito representa “uma ameaça à nossa segurança”. Destacou a rápida reação da UE, que, logo após a invasão russa, tomou a decisão de assumir maiores responsabilidades na sua própria defesa. Segundo Costa, esta mudança radical, que inicialmente enfrentou resistência por receios de enfraquecer a NATO ou afastar os Estados Unidos, é hoje amplamente aceite como a melhor forma de “preservar a relação transatlântica”, através do desenvolvimento do “pilar europeu da NATO” e da capacidade de a Europa se defender.
Costa enfatizou ainda que a “paz sem defesa é uma ilusão” e que, para preservar a paz, é fundamental ter uma defesa forte, “não para atacar os outros, mas para ter um efeito de dissuasão”.
O presidente do Conselho Europeu reiterou que a União Europeia tomou a “decisão política de assegurar o financiamento das necessidades da Ucrânia, inclusive das necessidades militares, para os próximos dois anos”, demonstrando à Rússia que o bloco europeu “não vai abandonar a Ucrânia”. Lamentou, no entanto, a falta de vontade da Rússia em aceitar um cessar-fogo e negociações de paz, ao contrário da Ucrânia, que já manifestou a sua aceitação.
Relativamente ao conflito no Médio Oriente, particularmente na Faixa de Gaza, António Costa afirmou que os 27 Estados-membros da União Europeia “estiveram todos de acordo no essencial”, nomeadamente na condenação dos ataques terroristas do Hamas em Israel e na defesa do direito de Israel à legítima defesa, “no respeito pelo direito internacional”. Costa reconheceu que houve divergências sobre a aplicação de sanções a Israel, uma medida que não foi decidida.
Costa acrescentou que a União Europeia está atualmente a concentrar-se em duas áreas fundamentais: “na ajuda humanitária e no apoio à Autoridade Palestiniana para fazer as suas reformas e para se dotar da capacidade de ter um controlo efetivo sobre aquele território”.
António Costa assumiu a presidência do Conselho Europeu a 1 de dezembro de 2024, após ter sido eleito pelos líderes da União Europeia em junho de 2024. Sucedeu ao belga Charles Michel, tornando-se o primeiro português e o primeiro socialista a ocupar este cargo.
Fonte: www.noticiasaominuto.com