Um grupo de crianças ucranianas, recentemente libertadas após terem sido levadas pelas forças russas, apresentou os seus testemunhos à imprensa em Roma, na passada quarta-feira. Este encontro mediático marca a primeira vez, desde o início da guerra total na Ucrânia, que estas crianças partilham publicamente as suas experiências de cativeiro.
A delegação de crianças, visivelmente emocionada, relatou as dificuldades e o medo que sentiram durante o período em que estiveram sob controlo russo. Os relatos, embora detalhados, mantiveram-se focados nos factos, evitando generalizações ou acusações que pudessem ser consideradas especulativas. As crianças descreveram as condições de vida, as restrições de movimento e a separação das suas famílias. A maioria expressou o desejo de regressar definitivamente às suas casas e de reencontrar os seus entes queridos.
O impacto psicológico do cativeiro é evidente, e as autoridades ucranianas estão a providenciar apoio especializado para ajudar as crianças a lidar com o trauma. Psicólogos e assistentes sociais estão a trabalhar em estreita colaboração com as famílias para garantir que recebem o acompanhamento necessário.
Paralelamente a este esforço de apoio às vítimas, o governo ucraniano procura ativamente soluções diplomáticas para garantir a libertação de outros civis detidos na Rússia. Um alto funcionário do gabinete do Presidente Zelenskyy revelou que a Ucrânia pretende formalizar o papel do Vaticano como mediador nas negociações com a Rússia. A esperança é que a influência e a credibilidade do Vaticano possam facilitar a libertação de mais civis ucranianos, incluindo crianças, que permanecem em cativeiro.
A iniciativa de formalizar a mediação do Vaticano surge num momento crucial, com as negociações entre os dois países num impasse. A Ucrânia acredita que o envolvimento de um mediador neutro e respeitado pode abrir novas vias de diálogo e levar a resultados positivos. O Vaticano ainda não confirmou oficialmente se aceitará o papel de mediador, mas as conversações estão em curso.
A prioridade do governo ucraniano é garantir o regresso seguro de todos os seus cidadãos, incluindo as crianças, que foram levadas para a Rússia. A divulgação dos testemunhos das crianças libertadas pretende sensibilizar a comunidade internacional para a gravidade da situação e pressionar a Rússia a cumprir as leis internacionais e a libertar todos os civis detidos.
Fonte: www.euronews.com