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Custos do aeroporto de Lisboa para a saúde e ambiente sob alerta

Por Portugal 24 Horas

Uma recente análise revelou que os impactos acumulados da operação do aeroporto de Lisboa sobre a cidade e os seus residentes, especialmente na área da saúde, ascendem a um valor avultado de 12 mil milhões de euros desde 2015. Este montante, que sublinha a severidade dos custos externos inerentes à proximidade do aeroporto de Lisboa com uma área urbana densamente povoada, coloca em evidência as consequências ambientais e sanitárias para a população. A associação Zero, responsável por este levantamento, alerta para a urgência de considerar estas externalidades no planeamento futuro e na gestão das infraestruturas aeroportuárias, visando salvaguardar o bem-estar dos lisboetas e a sustentabilidade ambiental da capital portuguesa.

Os impactos financeiros e sanitários revelados

A quantificação dos custos associados à operação de uma infraestrutura como o aeroporto de Lisboa vai muito além dos indicadores económicos diretos. Abrange uma complexa rede de externalidades negativas que afetam a qualidade de vida e a saúde dos cidadãos, bem como o ambiente urbano. A avaliação de 12 mil milhões de euros, desde 2015, é uma estimativa que integra múltiplos fatores negligenciados nas contas tradicionais de um aeroporto, mas que recaem diretamente sobre a sociedade e o erário público.

A metodologia por trás dos 12 mil milhões de euros

Para chegar a uma cifra tão significativa, a metodologia de cálculo considera os chamados “custos externos”. Estes incluem, primariamente, os gastos com a saúde pública decorrentes da poluição atmosférica e sonora. A exposição crónica a elevados níveis de ruído aeronáutico pode provocar distúrbios do sono, stress, hipertensão e até doenças cardiovasculares, exigindo intervenções médicas e perdas de produtividade. Similarmente, a poluição do ar, com a emissão de partículas finas (PM2.5), óxidos de azoto (NOx) e outros compostos orgânicos voláteis, está associada a doenças respiratórias crónicas, asma, cancro do pulmão e problemas cardiovasculares, gerando custos diretos em tratamentos e indiretos em anos de vida perdidos ou com incapacidade.

Adicionalmente, os custos ambientais abrangem o impacto das emissões de gases com efeito de estufa na contribuição para as alterações climáticas, a degradação da qualidade do ar e da água, e os efeitos na biodiversidade local. A necessidade de infraestruturas de mitigação, como barreiras acústicas ou programas de monitorização ambiental, também soma a estas despesas. Em suma, os 12 mil milhões de euros representam a fatura silenciosa que a cidade de Lisboa tem vindo a pagar pela localização e operação do seu aeroporto, sem que estes custos sejam devidamente internalizados pelas entidades gestoras.

O peso na qualidade de vida dos lisboetas

A proximidade do aeroporto Humberto Delgado com bairros residenciais densamente povoados traduz-se numa realidade diária de perturbação para muitos lisboetas. A constante passagem de aeronaves a baixas altitudes gera um ruído ensurdecedor que interfere com o descanso, o trabalho e o lazer. Crianças e idosos são particularmente vulneráveis, com potenciais impactos no desenvolvimento cognitivo e no bem-estar geral.

Para além do ruído, a qualidade do ar nas zonas circundantes ao aeroporto é frequentemente comprometida. Os poluentes libertados pelos aviões, quer nas fases de aterragem e descolagem, quer na circulação em terra, contribuem para um “cocktail” de substâncias nocivas que são inaladas diariamente pelos residentes. Este cenário não só acarreta riscos diretos para a saúde física, como também afeta a saúde mental, através do aumento do stress e da diminuição da perceção de qualidade de vida urbana. A falta de espaços verdes sem poluição, onde os cidadãos possam desfrutar de momentos de tranquilidade, é outra das consequências indiretas deste impacto, limitando as oportunidades de bem-estar na própria cidade.

Desafios ambientais e a urgência de soluções

A problemática do aeroporto de Lisboa não se confina apenas aos custos já gerados, mas projeta-se para o futuro, exigindo uma reavaliação urgente das estratégias de gestão e planeamento. Os desafios ambientais são cada vez mais prementes e requerem uma abordagem integrada que contemple a saúde pública, a sustentabilidade e o desenvolvimento urbano.

Poluição sonora e atmosférica: Uma ameaça constante

A poluição sonora e atmosférica proveniente das operações aeroportuárias constitui uma das maiores preocupações ambientais e de saúde pública em Lisboa. Relatórios e estudos independentes têm vindo a confirmar que os níveis de ruído em várias zonas da cidade ultrapassam frequentemente os limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mesmo durante o período noturno. Este facto é particularmente alarmante, uma vez que a exposição prolongada ao ruído noturno tem sido associada a um risco acrescido de doenças cardiovasculares e perturbações do sono, com graves consequências para a saúde a longo prazo.

Em termos de poluição atmosférica, os motores das aeronaves emitem uma série de poluentes que, combinados com as emissões do tráfego rodoviário nas imediações do aeroporto, criam uma nuvem de substâncias tóxicas. Partículas ultrafinas, monóxido de carbono e dióxidos de enxofre são apenas alguns dos elementos que contribuem para a degradação da qualidade do ar, afetando a saúde respiratória e cardiovascular dos residentes, e contribuindo para fenómenos como as chuvas ácidas e a degradação de edifícios históricos. A situação é agravada pela prevalência de ventos que transportam estes poluentes para outras áreas da cidade, tornando o impacto mais generalizado.

O debate sobre a expansão e alternativas aeroportuárias

A discussão sobre o futuro aeroporto de Lisboa tem sido um dos temas mais debatidos na agenda pública portuguesa. A atual capacidade do aeroporto Humberto Delgado está no limite, e a necessidade de uma solução para o aumento do tráfego aéreo é inegável. Contudo, a análise dos 12 mil milhões de euros em custos externos vem reforçar a ideia de que qualquer nova infraestrutura ou expansão deve ser cuidadosamente planeada, com uma profunda avaliação do seu impacto ambiental e social.

As opções em cima da mesa, como a construção de um novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete ou a transformação da Base Aérea do Montijo, suscitam diversas questões. Enquanto a solução Montijo se apresenta como uma alternativa mais rápida e de menor custo inicial, as preocupações com o seu impacto ambiental na Reserva Natural do Estuário do Tejo e os desafios de acessibilidade permanecem. Por outro lado, Alcochete oferece maior capacidade e menor impacto direto em zonas habitacionais densas, mas implica um investimento e um tempo de construção consideravelmente superiores.

Qualquer decisão futura terá de considerar não apenas a viabilidade económica e operacional, mas também a mitigação dos custos externos, a proteção da saúde pública e a salvaguarda dos ecossistemas. Ignorar a lição dos 12 mil milhões de euros seria um erro estratégico com repercussões duradouras para a capital e para o país.

Perspetivas futuras e apelo à ação

A revelação dos 12 mil milhões de euros em custos acumulados para Lisboa desde 2015, devidos à operação do seu aeroporto, serve como um alerta inequívoco. Este montante não é meramente uma estatística; representa a fatura de saúde, ambiente e qualidade de vida que os lisboetas têm pago, muitas vezes sem plena consciência. É fundamental que esta informação seja um catalisador para uma reavaliação profunda das políticas de transporte e planeamento urbano. A urgência de encontrar soluções que não apenas respondam às crescentes necessidades de mobilidade aérea, mas que, acima de tudo, protejam os cidadãos e o ambiente, é mais evidente do que nunca. O futuro de Lisboa depende de decisões informadas e corajosas que priorizem o bem-estar da sua população e a sustentabilidade a longo prazo.

FAQ

1. O que são os “custos externos” associados a um aeroporto?
Os custos externos são impactos negativos de uma atividade económica (neste caso, a operação aeroportuária) que não são suportados diretamente pela entidade que os gera, mas sim pela sociedade ou pelo ambiente. No contexto do aeroporto de Lisboa, incluem custos de saúde (doenças respiratórias, cardiovasculares), ambientais (poluição atmosférica, ruído, alterações climáticas) e sociais (perturbação do sono, stress, perda de qualidade de vida).

2. Como a poluição sonora afeta a saúde dos habitantes?
A poluição sonora, especialmente a exposição crónica a ruído de aeronaves, pode causar uma série de problemas de saúde. Estes incluem distúrbios do sono, irritabilidade, dificuldade de concentração, aumento dos níveis de stress, hipertensão arterial e, a longo prazo, um risco acrescido de doenças cardiovasculares e problemas de saúde mental.

3. Que tipo de poluentes são emitidos pelas aeronaves e quais os seus impactos?
As aeronaves emitem vários poluentes atmosféricos, como óxidos de azoto (NOx), partículas finas (PM2.5 e ultrafinas), monóxido de carbono (CO) e dióxido de carbono (CO2). Estes poluentes contribuem para a má qualidade do ar, causando problemas respiratórios (asma, bronquite), doenças cardiovasculares e cancro, além de contribuírem para as alterações climáticas e a degradação ambiental.

Mantenha-se informado e participe ativamente no debate sobre o futuro das infraestruturas aeroportuárias em Portugal para garantir um futuro mais saudável e sustentável para todos.

Fonte: https://www.theportugalnews.com

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