Portugal continental prepara-se para enfrentar um período de instabilidade meteorológica significativa, entre os dias 17 e 21 de março, devido à aproximação da Depressão Therese. Este fenómeno, caracterizado por uma entrada de ar polar em altitude, promete trazer consigo um quadro de chuva persistente, vento forte e agitação marítima considerável, impactando diversas regiões do território nacional. As previsões apontam para acumulados de precipitação elevados e condições potencialmente adversas, exigindo atenção redobrada por parte da população e das autoridades. A instabilidade começará a manifestar-se já na terça-feira, com um agravamento progressivo das condições atmosféricas ao longo dos dias seguintes, culminando num pico de intensidade na quinta-feira.
A reorganização atmosférica e os primeiros sinais
O percurso da instabilidade: de terça para quarta-feira
A atmosfera sobre o Atlântico Norte iniciou um processo de reorganização já durante esta terça-feira. A descida de uma massa de ar polar em altitude, rumo a latitudes mais baixas, favoreceu a formação de um cavado, que, posteriormente, evoluiu para uma depressão a oeste de Portugal continental. Esta perturbação, batizada de Depressão Therese, embora com um impacto mais intenso nos arquipélagos, terá efeitos notórios e por vezes severos em grande parte do continente. Os primeiros indícios de instabilidade surgiram gradualmente ao longo da tarde e noite de terça-feira, com um aumento progressivo da nebulosidade, da humidade no ar e dos primeiros aguaceiros. A partir das 20h, a chuva começou a atingir as áreas do litoral sul e a região da Grande Lisboa, inicialmente com intensidade fraca a moderada, mas com uma clara tendência para se intensificar durante as horas noturnas.
Na quarta-feira, dia 18, a Depressão Therese consolidou a sua estrutura, resultando numa precipitação mais generalizada e abrangente. Durante o período da manhã, as regiões costeiras, desde o sul até Leiria, e as áreas interiores do Alentejo e Algarve, foram as primeiras a sentir a intensificação da chuva. No decorrer da tarde, o sistema estendeu-se, cobrindo todo o centro e sul do país. A região do Algarve, em particular, foi identificada como uma das mais suscetíveis a receber os maiores volumes de precipitação durante este dia, com a chuva a tornar-se um elemento predominante no estado do tempo.
Pico da perturbação: quinta-feira de chuva e vento intensos
Agitação marítima: ondas superiores a sete metros
Paralelamente ao agravamento das condições de precipitação, verificou-se uma deterioração significativa do estado do mar. O aprofundamento da depressão, atingindo valores de pressão atmosférica em torno dos 986 hPa, gerou um gradiente de pressão particularmente acentuado. Este gradiente é o principal motor da formação de ondas de grande dimensão, com as previsões a indicar que a altura máxima das ondas poderá superar os sete metros, especialmente na costa ocidental de Portugal. Esta condição de agitação marítima extrema representa um risco elevado para a navegação costeira e para as atividades marítimas, desaconselhando a permanência junto à orla costeira e a entrada em águas agitadas.
Precipitação e rajadas fortes: Lisboa e Santarém sob aviso
A quinta-feira, dia 19, será o dia mais crítico do período de instabilidade causado pela Depressão Therese. A depressão aproximar-se-á ainda mais do território continental, mantendo um regime de precipitação generalizada e persistente que afetará virtualmente todo o país. Os acumulados horários mais elevados esperam-se nas regiões de Lisboa e Santarém, onde se preveem valores superiores a 6 mm por hora, indicando a possibilidade de episódios de chuva torrencial. Além da precipitação intensa, o vento será outro fator de preocupação. As rajadas de vento intensificar-se-ão de forma significativa durante a madrugada de quinta-feira, impulsionadas pelo forte gradiente de pressão associado à depressão. As regiões costeiras e as terras altas serão as mais expostas a estas rajadas, que poderão atingir velocidades consideráveis, contribuindo para um cenário meteorológico bastante adverso. As autoridades recomendam precaução e o cumprimento de todas as indicações de segurança.
Acumulados significativos e a normalidade pós-Therese
O impacto no sul e as perspetivas térmicas
Ao longo de todo este episódio de instabilidade, que se estenderá de 17 a 21 de março, os acumulados totais de precipitação deverão ser bastante expressivos. O Algarve destaca-se como a região mais afetada, com previsões que apontam para volumes superiores a 120 mm de chuva. A Grande Lisboa também deverá registar acumulados significativos, podendo exceder os 80 mm. Outras áreas do centro e sul do país apresentarão valores de precipitação igualmente relevantes, enquanto a região norte será, comparativamente, a menos impactada pela passagem da Depressão Therese. Curiosamente, durante os dias de maior influência da depressão, o norte de Portugal deverá registar temperaturas máximas mais elevadas do que o centro e sul. Isto deve-se ao facto de o núcleo de ar polar, associado à circulação da tempestade, não afetar diretamente esta região, mantendo-a ligeiramente mais protegida da influência do tempo adverso.
A partir de sábado, dia 21, espera-se um regresso gradual à normalidade térmica em todo o país. O padrão habitual de temperaturas deverá restabelecer-se progressivamente, com o sul de Portugal a voltar a registar temperaturas máximas superiores às do norte, marcando o fim da influência direta da Depressão Therese e o início de uma estabilização das condições meteorológicas. As previsões indicam um alívio das condições mais severas, permitindo um retorno às rotinas e atividades sem as interrupções causadas pela instabilidade.
Fonte: https://www.tempo.pt