Após um período de oscilações térmicas no final de novembro, as previsões para dezembro em Portugal indicam possíveis mudanças no clima, com a aproximação do inverno climatológico. As atenções centram-se agora nas possíveis vagas de frio, precipitação e ocorrências de neve.
Dezembro marca o início do inverno climatológico, com muitas pessoas a acompanhar as condições meteorológicas devido aos feriados e às férias de Natal que se aproximam. O primeiro mês do inverno é, por isso, um período de grande interesse.
Em termos de temperatura, dezembro apresenta, em média, valores 2 a 3 ºC mais baixos do que novembro em todo o território continental. Esta descida é menos acentuada no litoral Norte, Centro e Algarve, enquanto nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, a influência do oceano atenua a diferença para menos de 2 ºC.
Nas regiões montanhosas do Norte e Centro, as geadas tornam-se mais frequentes, especialmente no Nordeste Transmontano (Bragança) e na Beira Alta (Guarda), onde as temperaturas podem descer até 1 ou 2 ºC, com a possibilidade de valores negativos. Na Serra da Estrela, as temperaturas negativas são comuns nas áreas de maior altitude.
Apesar do frio, algumas regiões como o litoral Oeste e a Península de Setúbal podem registar temperaturas próximas dos 16 ºC nas horas de maior calor. No Algarve, as máximas rondam os 17 ºC, nos Açores os 18 ºC e na Madeira, um clima mais primaveril com 21 ºC.
Dezembro destaca-se também pela precipitação, habitualmente associada a fluxos de Oeste, com depressões e frentes atlânticas que trazem chuva, sobretudo nas regiões Norte e Centro. É também neste mês que ocorrem os primeiros episódios de neve nas serras e montanhas de Portugal continental e, ocasionalmente, na Madeira.
Dezembro é um dos meses mais chuvosos, liderando o ranking nos Açores, na Madeira e em seis distritos do continente, de acordo com a normal climatológica de 1991-2020. A precipitação média atinge os 200 mm no Minho e Viseu, e varia entre 125 e 155 mm em Vila Real, Porto e Aveiro. As regiões mais secas tendem a ser Santarém, Alentejo e Algarve, com valores inferiores a 90 mm.
As primeiras tendências para dezembro apontam para temperaturas ligeiramente acima da média na primeira semana, com um aumento de até 1 ºC nas regiões Norte, Centro, Grande Lisboa, Península de Setúbal, Oeste, Vale do Tejo e Alto Alentejo. Esta anomalia térmica positiva poderá estender-se na segunda semana a quase todo o Alentejo, ao Grupo Oriental dos Açores e à Madeira.
Ainda assim, não se preveem grandes desvios da média no Algarve e na maior parte dos Açores durante a primeira quinzena. Para a segunda metade do mês, a incerteza é maior, mas as temperaturas poderão subir até 1 ºC acima da média no Norte e Centro, na Madeira e em zonas do interior alentejano. Não há, para já, sinais de uma forte massa de ar frio a chegar à Europa.
Quanto à precipitação, prevê-se que seja superior à média na primeira quinzena na Região Norte e em algumas zonas do Centro, nomeadamente nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Vila Real e em áreas de Bragança e Viseu. Um padrão de bloqueio na Europa é também apontado.
Nas restantes regiões, o modelo Europeu não indica uma tendência clara, com a possibilidade de níveis de chuva inferiores ao normal no Baixo Alentejo, Algarve, Açores, Madeira e em algumas zonas do litoral Centro. Na segunda quinzena, poderão predominar condições anticiclónicas, com tempo estável e seco, apesar de pequenos sinais de anomalias húmidas no Algarve, nos Açores e na Madeira.
Até ao momento, não existem sinais evidentes de vagas de frio, chuva abundante ou episódios de neve, mas a atmosfera encontra-se bastante dinâmica, o que poderá alterar as tendências. Além disso, o possível impacto do aquecimento súbito estratosférico na circulação atmosférica ainda está a ser avaliado.
Fonte: www.tempo.pt