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Drones: a nova fronteira na recuperação de florestas portuguesas ardidas

Por Portugal 24 Horas

A devastação causada pelos incêndios florestais tem-se intensificado em Portugal, deixando um rasto de destruição e um desafio hercúleo na recuperação dos ecossistemas. Contudo, uma solução tecnológica inovadora começa a ganhar terreno: a reflorestação com drones. Estes veículos aéreos autónomos, equipados com sistemas de dispersão de sementes de alta precisão, estão a ser adotados por diversos municípios portugueses como uma ferramenta crucial para restaurar áreas ardidas. Projetos pioneiros em regiões como Ponte da Barca, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra e Arganil demonstram o potencial transformador desta tecnologia, prometendo acelerar a recuperação florestal, especialmente em terrenos acidentados e de difícil acesso, onde a intervenção humana é morosa e complexa. Esta abordagem representa um passo significativo na proteção e revitalização do património natural do país.

A ascensão da tecnologia drone na reflorestação
A utilização de drones na agricultura e, mais recentemente, na reflorestação, representa um avanço tecnológico notável. Longe de ser uma mera curiosidade, estes veículos aéreos não tripulados estão a provar ser uma ferramenta eficaz e rentável para a recuperação ambiental. Equipados com sistemas de pulverização e dispersão de sementes, os drones são capazes de cobrir vastas extensões de terreno em tempo recorde, seguindo rotas pré-programadas com uma precisão milimétrica. A sua capacidade de aceder a locais inóspitos, onde máquinas terrestres e equipas humanas teriam grande dificuldade ou estariam em risco, torna-os inestimáveis na resposta a desastres naturais como os grandes incêndios florestais.

Precisão e eficiência em terrenos difíceis
A topografia complexa de muitas áreas florestais portuguesas, caracterizada por montanhas íngremes e vales profundos, sempre representou um obstáculo considerável aos esforços de reflorestação. Os drones superam esta barreira, permitindo a dispersão controlada de sementes mesmo nas encostas mais acidentadas ou em zonas pantanosas. Esta tecnologia não só otimiza o tempo de execução dos projetos, mas também reduz significativamente os custos associados à mão de obra e ao equipamento tradicional. Além disso, a capacidade de semear centenas de sementes por minuto garante uma cobertura vegetal mais rápida e uniforme, essencial para a estabilização dos solos e a prevenção da erosão pós-incêndio.

Iniciativas pioneiras em municípios portugueses
Portugal está a tornar-se um campo de testes para a aplicação desta tecnologia inovadora, com vários municípios a liderar a carga na recuperação das suas florestas. As iniciativas são diversas, mas partilham um objetivo comum: restaurar os ecossistemas devastados pelos incêndios e preparar o território para um futuro mais resiliente.

Oliveira do Hospital: sementes preventivas para solos danificados
No concelho de Oliveira do Hospital, gravemente afetado por incêndios em agosto, um projeto ambicioso visa a recuperação de 40 hectares de terreno ardido. Esta iniciativa tem permitido a sementeira aérea em duas uniões de freguesias do concelho, focando-se em misturas de sementes ricas em leguminosas. Estas plantas, pré-inoculadas com bactérias fixadoras de azoto, são cruciais para promover a fertilidade do solo e do coberto vegetal. A estratégia vai além da mera reflorestação, tendo um caráter preventivo ao reforçar as encostas com vegetação, o que é vital para conter o deslizamento de terras em zonas sensíveis, como declives e áreas ribeirinhas, aumentando a biodiversidade e a resiliência do ecossistema local.

Ponte da Barca: recuperar pastagens no coração do Gerês
A Serra Amarela, parte integrante do deslumbrante Parque Nacional da Peneda-Gerês, foi palco de um incêndio devastador que consumiu mais de 7500 hectares neste verão. Em Ponte da Barca, a reflorestação com recurso a drones foca-se não só na recuperação dos ecossistemas florestais, mas também na restauração das vastas áreas de pastagem natural. O objetivo primordial é garantir o alimento para os animais que viram os seus pastos destruídos, promovendo simultaneamente a cobertura vegetal do solo e prevenindo a erosão. Esta intervenção multifacetada sublinha a importância de uma abordagem integrada na gestão e recuperação pós-incêndio de áreas de elevado valor natural.

Pampilhosa da Serra: azevém e ervilhaca para estabilização de encostas
Na Pampilhosa da Serra, cerca de 133 hectares de área ardida também estão a ser alvo de intervenção com drones. Desde meados de novembro, a sementeira de plantas de azevém e ervilhaca, fortemente orientadas para a estabilização das encostas e para a promoção da regeneração natural, decorre na envolvente do Picoto da Cebola. A celeridade da operação é notável, com um único drone a ser capaz de cobrir dezenas de hectares por dia, plantando centenas de sementes por minuto em terrenos íngremes e de difícil acesso. Este projeto, desenvolvido no âmbito de um contrato-programa com o Fundo Ambiental e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), espera prolongar-se até ao final do ano, consolidando a recuperação do território.

Arganil: centeio e a regeneração pós-incêndio na Serra do Açor
Desde setembro, drones sobrevoam a Serra do Açor, no município de Arganil, para semear centeio nas áreas afetadas pelos incêndios. Logo no início do programa, foram espalhados cerca de 50 quilos de sementes, com o propósito de acelerar a regeneração dos solos, prevenir a erosão e impedir que as cinzas fossem arrastadas para os cursos de água. A fase inicial dos testes foi crucial para otimizar o processo de dispersão e analisar o comportamento das sementes, dada a intensidade do vento nas áreas desflorestadas. Com os resultados positivos obtidos, o programa foi expandido para outras zonas com elevado potencial de erosão nas semanas seguintes, confirmando a eficácia do centeio como um catalisador para a recuperação do solo.

O futuro da reflorestação em Portugal: drones como aliados essenciais
A crescente adoção da tecnologia de drones nos programas de reflorestação em Portugal reflete uma tendência global na gestão ambiental. Países como o Canadá e o Japão já integram drones com inteligência artificial para otimizar os seus projetos, demonstrando o vasto potencial desta abordagem. Em Portugal, os resultados iniciais dos projetos em municípios como Oliveira do Hospital, Ponte da Barca, Pampilhosa da Serra e Arganil são encorajadores. A capacidade de operar em terrenos desafiadores, a eficiência na dispersão de sementes e a redução de custos tornam os drones um aliado indispensável na recuperação das nossas florestas, tão vulneráveis aos incêndios. Espera-se que, nos próximos anos, esta tecnologia se consolide como uma componente fundamental das estratégias de resiliência e sustentabilidade do património florestal português.

Perguntas frequentes
Como os drones ajudam na reflorestação pós-incêndio?
Os drones são equipados com sistemas de dispersão que lançam sementes com precisão em áreas ardidas. Eles são especialmente úteis para cobrir grandes extensões de terreno rapidamente, incluindo zonas de difícil acesso como montanhas e encostas íngremes, onde a intervenção manual seria perigosa ou ineficaz. Isto acelera o processo de recuperação e ajuda a estabilizar os solos, prevenindo a erosão.

Que tipo de sementes são utilizadas nestes projetos em Portugal?
Os projetos em Portugal utilizam uma variedade de sementes adaptadas às condições locais e aos objetivos específicos de cada área. Em Oliveira do Hospital, por exemplo, usam-se misturas ricas em leguminosas, pré-inoculadas com bactérias fixadoras de azoto, para enriquecer o solo. Em Pampilhosa da Serra, azevém e ervilhaca são usadas para estabilizar encostas, enquanto em Arganil, o centeio tem sido fundamental para a regeneração rápida dos solos e prevenção da erosão.

Quais são as principais vantagens da utilização de drones em comparação com métodos tradicionais?
As vantagens da utilização de drones na reflorestação são múltiplas: permitem uma cobertura muito mais rápida de grandes áreas, reduzem os custos operacionais e o tempo de trabalho. Além disso, a sua capacidade de operar em terrenos acidentados ou perigosos minimiza os riscos para as equipas humanas. A precisão na dispersão das sementes também contribui para uma maior taxa de sucesso na germinação e no estabelecimento da nova vegetação.

Descubra mais sobre estas e outras iniciativas inovadoras que estão a moldar o futuro das florestas portuguesas e apoie os esforços de recuperação do nosso valioso património natural.

Fonte: https://www.tempo.pt

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