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ELN propõe acordos para erradicar pobreza e tráfico após pressão internacional

Por Portugal 24 Horas

O Exército de Libertação Nacional (ELN), um dos grupos guerrilheiros mais antigos da Colômbia, manifestou recentemente a sua intenção de colaborar com o novo Governo do país para aprofundar acordos cruciais. A declaração, divulgada na sua conta oficial na rede social X, sublinha o desejo do ELN de trabalhar na erradicação da pobreza, na proteção dos ecossistemas e na superação do complexo flagelo do tráfico de droga nas zonas rurais. Esta inesperada abertura surge num momento de intensa pressão sobre o grupo rebelde, com relatos a indicarem que tanto o Governo colombiano quanto os Estados Unidos estão a explorar a possibilidade de realizar operações conjuntas contra a organização. A situação é particularmente delicada após o Presidente colombiano, Gustavo Petro, ter rotulado os membros do ELN como “narcotraficantes disfarçados de guerrilheiros”, refletindo a crescente preocupação com o seu envolvimento em atividades ilícitas. A comunidade internacional, atenta aos desenvolvimentos na região, observa com cautela os próximos passos deste processo complexo, que pode redefinir o futuro da paz e segurança na Colômbia e além-fronteiras.

A proposta do ELN e a conjuntura política


Prioridades: erradicação da pobreza e proteção ambiental


O comunicado divulgado pelo Exército de Libertação Nacional na sua rede social X não só expressa a vontade de diálogo, como também delineia áreas programáticas específicas para essa colaboração. O ELN pretende, em conjunto com o novo Governo colombiano eleito este ano, desenvolver e implementar acordos que visem a erradicação da pobreza, um problema estrutural que afeta vastas regiões rurais da Colômbia. A proteção dos ecossistemas é outra prioridade destacada, sugerindo uma preocupação com as consequências ambientais das atividades económicas e do conflito armado. Contudo, a questão central e mais desafiadora reside na “superação do tráfico de droga nas zonas rurais”. Esta última intenção é particularmente notável, dada a acusação histórica e recente de que o próprio ELN está profundamente envolvido nesta atividade ilícita. A articulação destas prioridades marca uma aparente mudança na retórica do grupo, que procura agora posicionar-se como um ator com agenda social e ambiental, num esforço para legitimar a sua presença nas negociações.

A pressão internacional e a resposta colombiano-americana


O caso Maduro e as implicações regionais


A pressão sobre o ELN intensificou-se drasticamente após a detenção do antigo Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos, numa operação realizada de madrugada no início deste mês. Maduro foi levado para os EUA para responder a acusações de narcotráfico, um evento com profundas repercussões geopolíticas. A acusação contra Maduro no caso de Nova Iorque alega que o ex-presidente venezuelano forneceu proteção ao ELN em território venezuelano e colaborou com o grupo no tráfico de cocaína. Esta situação exacerbou a perceção da Venezuela como um santuário para o ELN, complicando as relações diplomáticas e de segurança na região. Desde a operação policial que levou à captura de Maduro, as autoridades colombianas têm vindo a tomar medidas para enfraquecer a posição do grupo rebelde na Venezuela, reconhecendo a interligação das suas operações. A atuação do ELN em ambos os lados da fronteira, beneficiando-se da porosidade e da alegada conivência de setores venezuelanos, tem sido um obstáculo persistente para a estabilidade regional.

Diálogo EUA-Colômbia e operações conjuntas


A cooperação entre a Colômbia e os Estados Unidos tem sido uma constante na luta contra o narcotráfico e os grupos armados. Recentemente, esta parceria ganhou um novo fôlego. Na semana passada, o ministro do Interior colombiano, Armando Benedetti, revelou que o Presidente Gustavo Petro e o seu homólogo dos EUA, Donald Trump, discutiram o ELN e o seu papel no tráfico de droga durante uma chamada telefónica. Este diálogo, que se destacou por ter diminuído as tensões entre os dois líderes, que nem sempre estiveram em sintonia em diversas matérias regionais, abriu caminho para a exploração de novas estratégias. Segundo Benedetti, os presidentes abordaram a possibilidade de realizar operações conjuntas contra o ELN. Esta perspetiva de uma ação coordenada entre Bogotá e Washington aumenta significativamente a pressão sobre o grupo guerrilheiro, sinalizando uma frente unida contra as suas atividades ilícitas e a sua presença em território venezuelano. A intensificação desta colaboração sublinha a gravidade da ameaça que o ELN representa para a segurança regional.

Exigências para a retoma das negociações de paz


Abandono do narcotráfico e recrutamento de menores


Apesar da aparente abertura do ELN, o Presidente Gustavo Petro estabeleceu condições claras e não negociáveis para a retoma das conversações de paz. Numa mensagem publicada também na rede social X, Petro foi taxativo: o ELN precisa de abandonar o tráfico de droga e o recrutamento de menores se quiser que as negociações de paz sejam retomadas. Estas são duas das linhas vermelhas mais importantes para o Governo colombiano e para a comunidade internacional, que há muito condenam estas práticas. O tráfico de droga não só financia as atividades do grupo, como também corrói o tecido social e económico das regiões onde opera. O recrutamento de menores, por sua vez, constitui uma grave violação dos direitos humanos e um crime de guerra. A exigência de Petro reflete uma postura firme, indicando que qualquer diálogo futuro dependerá de um compromisso genuíno e verificável por parte do ELN em abandonar estas atividades cruéis e desumanas.

A questão dos acampamentos na Venezuela


Adicionalmente às condições sobre o narcotráfico e o recrutamento de menores, o chefe de Estado colombiano dirigiu um ultimato ao grupo rebelde relativamente à sua presença em território venezuelano. Gustavo Petro pediu ao ELN que deixe de usar acampamentos na Venezuela. Caso esta exigência não seja cumprida, o grupo enfrentará “ações conjuntas” que envolverão não só o Governo colombiano, mas também o Governo venezuelano. Esta declaração sublinha a crescente intolerância de Bogotá em relação ao uso do território de um país vizinho como base para operações ilegais. A ameaça de uma resposta coordenada, que potencialmente incluiria a Venezuela, representa um desafio significativo para a estratégia do ELN, que tem beneficiado da sua capacidade de operar em ambos os lados da fronteira. A integração do Governo venezuelano nesta potencial ação conjunta, embora complexa, revela a seriedade com que a Colômbia encara esta dimensão transfronteiriça do conflito.

O historial e o desafio da pacificação


As conversações de paz com o ELN foram suspensas pelo Governo colombiano no ano passado, após o grupo ter lançado uma ofensiva na região nordeste de Catatumbo. Essa ofensiva causou o deslocamento forçado de mais de 50 mil pessoas das suas casas, evidenciando a capacidade do grupo de causar instabilidade e sofrimento humanitário. O ELN, fundado na década de 1960 por estudantes e dirigentes sindicais inspirados pela revolução cubana, tem um longo historial de confronto armado com o Estado colombiano. Atualmente, estima-se que conte com cerca de 5 mil combatentes a atuar não só na Colômbia, mas também na Venezuela. A sua complexa estrutura, ideologia e envolvimento em atividades criminosas tornam as negociações de paz particularmente desafiadoras. A história do ELN está marcada por ciclos de diálogo e confronto, refletindo a dificuldade em encontrar um caminho duradouro para a paz num país profundamente afetado por décadas de conflito interno.

Perguntas frequentes


O que significa a proposta do ELN neste momento?
A proposta do ELN representa uma tentativa de reabrir o diálogo com o novo Governo colombiano, num contexto de forte pressão internacional, especialmente após a detenção de Nicolás Maduro. O grupo procura apresentar uma agenda social e ambiental, mas a sua credibilidade é posta à prova pelo envolvimento no tráfico de droga.

Porque foram suspensas as negociações de paz com o ELN no passado?
As negociações foram suspensas no ano passado devido a uma ofensiva do ELN na região de Catatumbo, que resultou no deslocamento de mais de 50 mil pessoas. Este evento demonstrou a persistência da violência por parte do grupo, minando a confiança no processo de paz.

Qual o papel da Venezuela na questão do ELN, segundo o Presidente Petro?
Segundo o Presidente Petro, a Venezuela tem sido utilizada como santuário pelo ELN, que aí mantém acampamentos. Petro exigiu que o ELN cesse esta prática, alertando para a possibilidade de “ações conjuntas” que poderiam envolver o Governo venezuelano para desmantelar estas bases.

Que condições impôs o Presidente Petro para retomar o diálogo com o ELN?
Petro exigiu que o ELN abandone inequivocamente o tráfico de droga e o recrutamento de menores. Além disso, o grupo deve parar de usar acampamentos na Venezuela, sob pena de enfrentar ações conjuntas com a participação do Governo venezuelano.

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Fonte: https://www.noticiasaominuto.com

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