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Espanha restringe redes sociais a menores de 16: um novo paradigma europeu

Por Portugal 24 Horas

A proposta de proibição do acesso de menores de 16 anos às redes sociais em Espanha assinala um ponto de viragem significativo na regulação das plataformas digitais na Europa. Este anúncio, proferido pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, durante a Cimeira Mundial de Governos no Dubai, perspetiva um impacto direto em milhões de jovens e na redefinição das regras de utilização destas plataformas em território espanhol. Sánchez descreveu as redes sociais como “um Estado falhado”, onde a impunidade perante a lei e a tolerância de delitos expõem as crianças a um ambiente viciante, repleto de abusos, violência, pornografia e manipulação. Esta iniciativa coloca em destaque a crescente preocupação dos governos europeus com a segurança e o bem-estar dos mais novos no universo online, impulsionando um debate fundamental sobre a soberania digital e a proteção de menores. A proibição de redes sociais a menores é vista como uma medida crucial.

Espanha avança com medidas drásticas na soberania digital

A iniciativa espanhola não se limita a uma mera restrição etária. O Governo de Pedro Sánchez planeia implementar um conjunto robusto de medidas que visam reformular o controlo e a responsabilidade das plataformas digitais. Será exigida uma verificação de idade eficaz para todos os utilizadores, garantindo que a idade mínima estabelecida seja devidamente respeitada. Os gestores das plataformas enfrentarão responsabilidade legal direta por conteúdos ilegais ou de incitamento ao ódio que não sejam prontamente removidos. Esta abordagem representa uma mudança paradigmática, colocando um peso considerável sobre as empresas tecnológicas para que assumam um papel mais ativo na moderação e segurança dos seus ambientes. Esta ação governamental reflete uma preocupação crescente com a saúde mental e o desenvolvimento social dos jovens, frequentemente expostos a riscos significativos no ambiente online.

Idade mínima e responsabilização das plataformas

Além da exigência de uma verificação rigorosa da idade, as propostas espanholas preveem a tipificação como delito da manipulação de algoritmos e da amplificação deliberada de conteúdos ilegais. Esta medida visa combater as práticas que, frequentemente, impulsionam a disseminação de desinformação, extremismo ou materiais prejudiciais, que de outro modo não teriam o mesmo alcance. O governo espanhol, em colaboração estreita com o Ministério Público, dedicar-se-á à investigação de potenciais infrações legais em plataformas como Grok, TikTok e Instagram, sublinhando a seriedade com que esta questão é abordada. Pretende-se criar um sistema de rastreamento e quantificação para identificar e expor aquilo que é designado como uma “pegada de ódio e polarização”, responsabilizando as plataformas que permitam a proliferação de tais conteúdos. Esta é uma estratégia abrangente para reforçar a proteção dos mais novos e assegurar um ambiente digital mais seguro, combatendo ativamente as dinâmicas nocivas que se estabeleceram nas redes.

Portugal segue o exemplo: Um debate legislativo em curso

Em Portugal, o Partido Social Democrata (PSD), que lidera o atual Governo, reagiu prontamente aos desenvolvimentos em Espanha, anunciando a sua própria proposta legislativa. Este projeto de lei visa replicar a essência da medida espanhola, exigindo o consentimento dos pais ou representantes legais para que menores de 16 anos possam aceder a redes sociais. A iniciativa demonstra um alinhamento com a crescente preocupação europeia e a urgência em proteger os jovens face aos riscos inerentes ao ambiente digital. A proposta portuguesa sublinha a importância de uma abordagem coordenada e estruturada para garantir a segurança dos menores no ciberespaço, refletindo a necessidade de adaptação da legislação nacional aos desafios contemporâneos e à complexidade das interações online. A expectativa é que este debate legislativo contribua para uma reflexão aprofundada sobre as melhores práticas de proteção infantil no digital.

Proposta do PSD e a importância do consentimento parental

A fiscalização da futura legislação portuguesa, caso seja aprovada, ficará a cargo de entidades reguladoras de peso: a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) e a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD). O projeto do PSD prevê ainda uma articulação estratégica entre estas entidades e a Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE), com o objetivo de integrar o sistema da Chave Móvel Digital nos mecanismos de verificação de idade. Esta integração é vista como um passo fundamental para simplificar e tornar mais eficaz o processo de confirmação da idade dos utilizadores, prevenindo acessos indevidos. A proposta exige que os prestadores de serviços digitais implementem sistemas robustos de verificação de idade sempre que disponibilizem conteúdos potencialmente nocivos ou proibidos a crianças e adolescentes. Esta categoria abrange não só as redes sociais, mas também jogos online, plataformas de apostas e serviços de vídeo, cobrindo assim um espectro mais amplo de riscos digitais e consolidando uma abordagem mais rigorosa na proteção dos mais jovens.

O impacto esperado e a visão europeia

A expetativa é que estas medidas restritivas e o reforço dos mecanismos de controlo tenham um impacto direto e transformador nos hábitos de utilização das plataformas digitais pelos jovens. O objetivo primordial é alterar as práticas atuais, reforçando a proteção contra conteúdos de risco e diminuindo a exposição a situações de abuso, violência e manipulação digital. Esta onda legislativa é uma tentativa concertada de responsabilizar as plataformas e os seus operadores, incentivando-os a adotar uma postura mais proativa na salvaguarda dos seus utilizadores mais vulneráveis. As iniciativas em Espanha e Portugal inserem-se num contexto europeu mais vasto, onde múltiplos países estão a explorar e desenvolver mecanismos semelhantes de proteção de menores no ambiente online, indicando uma tendência para uma regulação mais rigorosa e harmonizada a nível continental. A coordenação europeia revela-se crucial para a eficácia destas medidas.

Uma coligação europeia pela segurança digital

Pedro Sánchez revelou que Espanha se juntou a outros cinco países europeus numa coligação dedicada especificamente à regulação das plataformas digitais. Esta iniciativa multinacional, cuja primeira reunião está agendada para breve, tem como propósito avançar de forma coordenada na aplicação eficaz das regras de proteção de menores. O primeiro-ministro espanhol reconheceu que “não será fácil recuperar o controlo” sobre estas poderosas plataformas, mas enfatizou que o seu poder e influência não devem ser um motivo para receio, sublinhando que se trata de uma questão de “soberania digital”. O Governo espanhol deverá aprovar as suas medidas já na próxima semana, enquanto em Portugal o processo legislativo continua em debate. Ambos os países partilham o objetivo comum de garantir que os menores possam navegar nas plataformas digitais de forma segura, minimizando a sua exposição a conteúdos prejudiciais e ao risco de manipulação, consolidando assim um controlo coordenado e permanente sobre o ambiente digital, essencial para um futuro mais seguro para as novas gerações.

Perguntas frequentes

1. Que idade mínima está a ser considerada para o acesso a redes sociais em Espanha?
Em Espanha, a proposta visa proibir o acesso a redes sociais a menores de 16 anos. Esta medida inclui a obrigatoriedade de sistemas de verificação eficaz da idade dos utilizadores para garantir o cumprimento da restrição etária.

2. Como será feita a verificação de idade em Portugal, caso a lei seja aprovada?
Em Portugal, a proposta do PSD prevê que a verificação de idade seja feita através da integração do sistema da Chave Móvel Digital nos mecanismos de acesso. As entidades fiscalizadoras seriam a Anacom e a CNPD, em articulação com a ARTE.

3. Quais são as consequências para as plataformas digitais que não cumprirem as novas regras?
As plataformas digitais poderão ser responsabilizadas legalmente por conteúdos ilegais ou de ódio que não sejam removidos em tempo útil. A manipulação de algoritmos e a amplificação de conteúdos ilegais também poderão ser tipificadas como delito em Espanha, acarretando sanções legais.

Mantenha-se informado sobre a evolução destas importantes regulamentações e garanta a segurança digital dos seus filhos e de todos os jovens.

Fonte: https://postal.pt

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