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Estados Unidos e Venezuela selam pacto energético crucial em Caracas

Por Portugal 24 Horas

Na passada quarta-feira, uma nova era nas relações diplomáticas e económicas entre os Estados Unidos e a Venezuela começou a ser delineada com a visita do Secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, a Caracas. Considerado um marco “histórico” pelo governo de Washington, este encontro resultou na assinatura de um acordo energético de grande relevância, visando reconfigurar uma relação bilateral que permaneceu tensa e fragmentada durante anos. A visita, que incluiu um encontro de alto nível no Palácio de Miraflores com a Vice-Presidente executiva da Venezuela, Delcy Rodríguez, simboliza um empenho renovado dos Estados Unidos em transformar a dinâmica regional. Este pacto energético surge num momento de mudanças políticas significativas no país, prometendo impactos profundos e uma nova rota para a cooperação.

O Acordo Energético “Histórico”

A chegada do Secretário da Energia Chris Wright a Caracas marcou um ponto de viragem, culminando na formalização de um acordo energético que o Departamento de Energia dos EUA classificou como “histórico”. Este passo representa um esforço substancial para restaurar e fortalecer os laços entre as duas nações, focando-se num setor vital para ambas: a energia. A comitiva norte-americana, liderada por Wright, não só se reuniu com a Vice-Presidente executiva Delcy Rodríguez, como também planeou visitas a campos petrolíferos venezuelanos. O objetivo destas inspeções é verificar de perto “como o histórico Acordo Energético entre os EUA e a Venezuela, promovido pelo Presidente Donald Trump, está a impulsionar a paz e a prosperidade” na região.

Esta iniciativa diplomática e económica não surge isoladamente. Contextualiza-se num período de recentes desenvolvimentos legislativos na Venezuela e de ajustes na política externa norte-americana. Duas semanas antes da visita de Wright, o parlamento venezuelano aprovou uma reforma legislativa crucial, desenhada para atrair e facilitar investimentos estrangeiros no seu vasto setor petrolífero. Paralelamente, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu novas licenças, aliviando certas restrições que pesavam sobre as empresas americanas interessadas em operar no mercado petrolífero venezuelano. Contudo, é importante sublinhar que estas permissões continuam sujeitas a rigorosos controlos e exigências de prestação de contas, refletindo a cautela subjacente à reabertura económica.

Um Novo Capítulo na Relação Bilateral

A visita de Chris Wright a Caracas e a subsequente formalização do acordo energético são catalisadores para um novo capítulo na relação entre os Estados Unidos e a Venezuela. Após anos de afastamento e sanções, este movimento sinaliza uma intenção de superar as divisões passadas e construir pontes para uma cooperação futura. A base desta renovada parceria reside na crença de que a energia pode ser o “motor” para uma relação bilateral mutuamente benéfica, capaz de gerar prosperidade e estabilidade. A verificação in loco dos campos petrolíferos sublinha a seriedade do compromisso de Washington em avaliar o potencial e os desafios do setor energético venezuelano, com vista a uma colaboração prática e eficaz. Este período de transição política na Venezuela, após eventos significativos, parece ter aberto uma janela de oportunidade para o restabelecimento de diálogos e parcerias estratégicas.

Diálogo e Compromisso de Trump

Durante o encontro no Palácio de Miraflores, Chris Wright transmitiu uma mensagem direta do Presidente Donald Trump, que, segundo o secretário, se encontra “profundamente empenhado” em transformar a relação bilateral. Esta relação, que foi formalmente rompida em 2019, enfrenta agora uma perspetiva de reconstrução, fundamentada num compromisso de longo prazo. “Temos uma longa história entre os nossos países. Trago uma mensagem do Presidente Trump, que se dedica a transformar a relação entre os Estados Unidos e a Venezuela”, declarou Wright numa conferência de imprensa conjunta com Delcy Rodríguez. As suas palavras ecoaram a intenção de Washington de forjar uma nova parceria.

O principal objetivo declarado da visita, segundo Wright, é unir os dois países e “proporcionar comércio, paz, prosperidade, empregos e oportunidades à Venezuela” através de uma parceria sólida e duradoura. O secretário norte-americano revelou ainda que houve uma conversa “franca” sobre as oportunidades e os desafios inerentes a esta nova fase, com ambas as partes a comprometerem-se a “trabalhar em conjunto para resolvê-los”. Delcy Rodríguez, por seu lado, confirmou que o encontro resultou no estabelecimento de uma “parceria produtiva de longo prazo” na área da energia. Os dois países discutiram ativamente projetos em setores chave como o petróleo, gás, mineração e energia elétrica, enfatizando que a agenda energética está destinada a tornar-se o “motor da relação bilateral”, prometendo ser “produtiva, eficaz, benéfica para ambos os países e complementar”.

Parceria de Longo Prazo e Reabertura Diplomática

Este encontro reveste-se de um significado particular, por ser a primeira visita de um alto funcionário de Washington à Venezuela após a detenção de Nicolás Maduro, ocorrida a 3 de janeiro. Este evento marcante abriu caminho para uma nova dinâmica política interna e externa. Adicionalmente, a visita de Wright ocorre no contexto da reabertura da missão diplomática norte-americana em Caracas, que permanecera fechada durante sete anos, na sequência da rutura das relações em 2019. A reabertura da missão é um passo crucial para normalizar as relações e facilitar a comunicação e a cooperação em diversas frentes. A agenda oficial de Wright, além do encontro com Rodríguez, incluiu reuniões com empresários e representantes de órgãos de comunicação social internacionais, sublinhando a amplitude do esforço para reconstruir a confiança e promover a estabilidade.

No dia seguinte à sua chegada, Chris Wright tinha agendada uma visita às instalações da Petroindependencia e Petropiar, empresas operadas pela Chevron no estado de Anzoátegui. Esta visita aos locais de produção reforça a componente prática e técnica do acordo, evidenciando o interesse norte-americano em inspecionar diretamente as infraestruturas petrolíferas venezuelanas e as suas capacidades operacionais. A reintrodução da Chevron, uma gigante do setor, neste cenário, assinala a seriedade do compromisso dos EUA em reativar e modernizar o setor energético venezuelano através de investimento e expertise.

O Controlo dos Recursos e a Agenda Futura

Após a detenção de Nicolás Maduro, o Presidente Trump expressou a sua exigência por “acesso total” aos recursos petrolíferos venezuelanos. Chris Wright reiterou esta posição, afirmando que Washington controlará a comercialização do petróleo do país por um período “indefinido”. Esta declaração sublinha a intenção dos Estados Unidos de ter uma influência considerável sobre a gestão e a venda da produção petrolífera venezuelana, o que pode ter implicações significativas para a economia do país e a sua soberania energética. A dimensão e a duração deste controlo ainda são incertas, mas a sua mera menção realça a natureza estratégica e geopolítica deste acordo.

A agenda futura entre os Estados Unidos e a Venezuela, impulsionada por este acordo energético, parece focar-se na estabilização e no desenvolvimento económico. Através de uma parceria em áreas como o petróleo, gás, mineração e energia elétrica, ambos os países esperam colher benefícios mútuos. Para a Venezuela, a perspetiva de investimento estrangeiro e de reativação da sua infraestrutura energética é crucial para a recuperação económica. Para os Estados Unidos, o acesso aos vastos recursos energéticos da Venezuela, sob o seu controlo, oferece uma fonte adicional de abastecimento e uma alavanca geopolítica na região. A reabertura das relações diplomáticas e a continuidade do diálogo serão fundamentais para a implementação e o sucesso deste pacto, abrindo caminho para uma nova era de cooperação e, potencialmente, de desafios na sua aplicação.

Fonte: https://www.conexaopolitica.com.br

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