Início » Estudo Avalia Contributo dos Polinizadores Para a Economia Agrícola Portuguesa

Estudo Avalia Contributo dos Polinizadores Para a Economia Agrícola Portuguesa

Por Portugal 24 Horas

Um estudo recente da Universidade de Coimbra destaca a importância vital dos insetos polinizadores para a agricultura em Portugal, quantificando o seu contributo anual em milhões de euros. A investigação revela que estes animais desempenham um papel central no rendimento das principais culturas agrícolas do país.

A investigação, conduzida pelo laboratório FLOWer La, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, analisou o impacto dos insetos nos campos agrícolas. Os resultados, publicados na revista Regional Environmental Change, estimam que o valor económico dos serviços de polinização para a agricultura portuguesa excedeu os dois milhões de euros em 2023.

Mais da metade deste valor é atribuído ao trabalho de insetos como abelhas selvagens e moscas-das-flores. O estudo considerou tanto as culturas altamente dependentes da polinização quanto aquelas com menor grau de dependência, mas com grande importância económica para o país.

Pomares de maçã, pera e laranja, assim como os amendoais, são algumas das culturas mais beneficiadas pela polinização. A ação dos polinizadores é igualmente importante no cultivo de abacate, tomate industrial, kiwi, framboesas, morangos e mirtilos.

Os polinizadores influenciam não só a quantidade da produção, mas também a sua qualidade nutricional. O seu trabalho garante a reprodução das plantas e influencia a capacidade de conservação dos produtos agrícolas, gerando múltiplos benefícios.

Apesar da diminuição da área agrícola em Portugal desde 1980, a dependência de insetos como abelhas, moscas das flores, besouros e borboletas aumentou. A área dedicada a campos de cultivo que necessitam de polinizadores cresceu 36% na última década, impulsionada pelo crescimento de culturas como frutas frescas, frutos secos e hortícolas.

Os autores do estudo alertam para as crescentes ameaças aos polinizadores, como a intensificação agrícola, o uso de pesticidas, a simplificação da paisagem, as alterações climáticas e a urbanização. Estes fatores estão a provocar o declínio dos insetos e a gerar défices de polinização que podem comprometer a sustentabilidade da produção agrícola.

Sílvia Castro, autora do estudo, sublinha que “Os polinizadores são um verdadeiro pilar da economia agrícola nacional. Sem eles, muitas das culturas mais valiosas em Portugal deixariam de ser economicamente viáveis.”

O objetivo da investigação é fornecer uma base sólida para o desenvolvimento de políticas agrícolas e ambientais mais ecológicas. A equipa da Universidade de Coimbra defende a necessidade de integrar medidas de conservação de polinizadores na gestão agrícola, nos programas de apoio ao setor e nos planos de ordenamento do território, de forma a assegurar a resiliência e a vitalidade da agricultura portuguesa a longo prazo.

Fonte: www.tempo.pt

Você deve gostar também