Exportações agrícolas de Portugal atingem recorde de 2,6 mil milhões de euros

Meteored Portugal

O setor agrícola português alcançou um marco histórico em 2025, com as exportações de frutas, legumes e flores a registarem um crescimento notável de 5%, totalizando 2,6 mil milhões de euros. Este desempenho assinalável representa um novo recorde anual para o setor, sublinhando a sua crescente competitividade e a qualidade dos produtos nacionais nos mercados internacionais. A Associação Portugal Fresh, que congrega 112 associados e representa cerca de 5000 agricultores, revelou estes dados animadores, apesar de um ano marcado por desafios significativos, como as severas condições meteorológicas. A resiliência e a capacidade de adaptação dos produtores portugueses foram cruciais para assegurar este resultado positivo, que posiciona as exportações agrícolas como um pilar fundamental da economia nacional.

Crescimento robusto das exportações agrícolas impulsiona setor

O ano de 2025 consolidou a trajetória ascendente das exportações agrícolas portuguesas, com um volume financeiro que atingiu os 2,6 mil milhões de euros, um aumento de 5% face ao ano anterior. Este valor coloca o setor das frutas, legumes e flores num patamar de excelência, superando, por exemplo, em mais de duas vezes e meia o valor das exportações de vinhos, que se cifraram em 953,5 milhões de euros no mesmo período. A União Europeia manteve-se como o principal destino destes produtos, absorvendo 83,6% do valor total das exportações. A Espanha continua a ser o cliente externo mais relevante, responsável por 39% do total, seguida por França (13%), Países Baixos (9%), Alemanha (8%) e Reino Unido (6%).

Destaque para frutas, legumes e flores

Entre os produtos que mais contribuíram para este recorde de exportações, destacam-se os pequenos frutos, com particular ênfase para a framboesa, que tem vindo a ganhar cada vez mais projeção nos mercados internacionais. O tomate, tanto na sua forma preparada ou conservada como fresco, os citrinos, nomeadamente a laranja, e os frutos de casca rija, com a amêndoa à cabeça, também demonstraram um excelente desempenho. A pera surge igualmente na lista dos produtos mais exportados, evidenciando a diversidade e a qualidade da oferta agrícola nacional. Este sucesso reflete o trabalho árduo e a aposta contínua na inovação e na qualidade por parte dos produtores portugueses, muitos deles representados pela Portugal Fresh.

Impacto das adversidades climáticas e a resiliência do setor

Apesar do notável crescimento nas exportações, o ano de 2025 foi também marcado por desafios climáticos que tiveram um impacto devastador em diversas regiões agrícolas. A depressão Kristin, que varreu o Centro de Portugal em finais de janeiro, e as consequentes tempestades e inundações deixaram um rasto de destruição, particularmente na fruticultura. Infraestruturas agrícolas foram severamente danificadas ou destruídas, juntamente com sistemas de rega e outros equipamentos essenciais à produção, comprometendo seriamente a capacidade produtiva de muitas explorações.

Depressão Kristin causa prejuízos avultados

Um dos casos mais afetados foi o da Lusomorango, uma organização de produtores de pequenos frutos localizada no concelho de Odemira. Esta OP, fundada em 2005 e dedicada à produção e comércio de morangos, framboesas, amoras e mirtilos, registou um “impacto severo” nas suas explorações. O levantamento inicial indicou uma perda entre 50% a 70% da capacidade produtiva dos seus agricultores associados. Os prejuízos diretos provisórios contabilizados já ascendem a mais de 10 milhões de euros, o que terá consequências diretas no volume das colheitas e, subsequentemente, nas exportações. A grande maioria da produção de framboesas, amoras, mirtilos e morangos da Lusomorango destina-se aos mercados externos, tornando o impacto ainda mais crítico para o fluxo comercial. Este cenário sublinha a vulnerabilidade do setor às alterações climáticas e a urgência de medidas de apoio e resiliência.

Mercados externos e estratégias para o futuro

Gonçalo Santos Andrade, presidente da Portugal Fresh, expressou o seu orgulho perante o constante crescimento das exportações, que “demonstra que o setor agrícola e alimentar nacional é competitivo e apresenta qualidade nos seus produtos”. Reconheceu, contudo, a necessidade de uma visão estratégica para o futuro, que inclua a abertura de novos mercados e o reforço da posição de Portugal nos já existentes. A diplomacia económica assume um papel crucial nesta ambição, apelando a um esforço conjunto do governo e das empresas para maximizar o potencial exportador.

Europa continua a ser o principal destino

Além da consolidação nos mercados europeus, o presidente da Portugal Fresh destacou a importância de acordos comerciais como o Acordo de Comércio entre a União Europeia e os países do Mercosul. Este representa uma “oportunidade globalmente positiva para o agroalimentar português – principalmente nas frutas – e europeu”, abrindo acesso a um mercado com 270 milhões de consumidores. De igual modo, o Acordo União Europeia-Índia é visto como um catalisador para as empresas portuguesas, permitindo exportar “mais, de forma mais simples e barata, para este gigante asiático”, um mercado que Gonçalo Andrade classificou como “de extrema importância”. Para manter a competitividade e impulsionar o crescimento, é imperativo “abrir novos mercados com uma diplomacia económica eficaz”, um repto lançado às entidades governamentais.

A necessidade de apoiar os produtores nacionais, especialmente aqueles que foram gravemente afetados pelas intempéries, foi outro ponto central da intervenção de Gonçalo Santos Andrade. Para o presidente da Portugal Fresh, “apoiar o setor das frutas, legumes e flores, bem como o setor agroalimentar e florestal em geral, não é apenas uma questão de solidariedade para com os agricultores, é uma decisão estratégica para o país”. É fundamental, portanto, “olhar para a economia rural e assegurar que os produtos produzidos no nosso país continuarão a chegar à nossa mesa e aos mercados de exportação”, garantindo a sustentabilidade e o futuro de um setor vital para Portugal.

Fonte: https://www.tempo.pt

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