Fungo Resiliente Prospera na Zona Radioativa de Chernobyl

Ana Oliveira

Quase quatro décadas após a explosão do reator número 4 em Chernobyl, a área circundante permanece interditada à presença humana. Contudo, o isolamento não resultou na extinção da vida. Pelo contrário, a zona de exclusão transformou-se num refúgio para diversas formas de vida, desde plantas e animais a microrganismos.

Entre os organismos que se adaptaram a este ambiente inóspito, destaca-se um fungo de coloração escura. Este fungo tem despertado a atenção da comunidade científica devido à sua aparente capacidade de prosperar em ambientes com altos níveis de radiação.

A resiliência deste fungo sugere que ele pode estar a utilizar a radiação como fonte de energia. Os cientistas estão a investigar a possibilidade de o fungo conter melanina, um pigmento que lhe confere a cor escura e que poderá desempenhar um papel na sua capacidade de resistir e até mesmo utilizar a radiação. A melanina é conhecida pelas suas propriedades de proteção contra a radiação, atuando como um escudo que absorve e dissipa a energia prejudicial.

A presença e o sucesso deste fungo em Chernobyl abrem novas perspetivas sobre a capacidade da vida de se adaptar a condições extremas. O estudo destes organismos extremófilos pode fornecer informações valiosas sobre a evolução da vida e a sua capacidade de colonizar ambientes inóspitos, inclusive em outros planetas.

A investigação em curso visa compreender os mecanismos que permitem a este fungo sobreviver e prosperar num ambiente altamente radioativo. Os resultados poderão ter implicações importantes para a área da biorremediação, o processo de utilização de organismos vivos para limpar ou remover contaminantes do ambiente.

O fungo de Chernobyl representa um exemplo notável da capacidade da natureza de se adaptar e persistir, mesmo face a desastres ambientais de grande magnitude. A sua existência desafia as nossas conceções sobre os limites da vida e oferece novas pistas sobre a resiliência do mundo natural. A sua adaptação à radiação, outrora considerada um fator de destruição, demonstra a capacidade surpreendente da vida de evoluir e encontrar soluções inovadoras para sobreviver.

Fonte: www.leak.pt

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