Na Coreia do Sul, um hotel oferece uma experiência invulgar: passar a noite numa cela simulada, com o objetivo de promover o silêncio e a introspeção. O “Prison Inside Me”, localizado em Hongcheon, a cerca de 80 quilómetros de Seul, convida os hóspedes a experimentar uma estadia com características prisionais, cobrando cerca de 113 euros por noite.
Os quartos, com cerca de cinco metros quadrados, replicam as condições de uma cela, desprovidos de luxos e distrações. A ausência de camas tradicionais é notória, substituídas por uma esteira no chão. Espelhos são também omitidos, e o mobiliário resume-se a uma pequena secretária e uma sanita. A experiência é complementada pela ausência de telemóveis e relógios, e as refeições são entregues através de uma abertura na porta, emulação dos procedimentos prisionais.
O propósito central desta estadia é a redução de estímulos externos, fomentando a auto-observação e a reflexão pessoal. Os hóspedes são incentivados a meditar, escrever um diário e praticar exercícios de ioga. A rotina diária limita a interação social, favorecendo momentos de introspeção.
O projeto foi idealizado em 2013 pelo ex-advogado Kwon Yong-Seok e pela sua esposa, após anos de trabalho com horários prolongados. Acreditando que breves períodos de isolamento estruturado podem beneficiar o equilíbrio mental, investiram cerca de dois mil milhões de wons na criação deste espaço.
O público-alvo é maioritariamente sul-coreano, procurando desde um simples retiro digital até uma pausa do stress laboral. Muitos descrevem a estadia como um “mosteiro urbano”, onde o foco se desloca do luxo para a simplicidade, incentivando a reavaliação de hábitos, pensamentos e gestão do tempo.
A proposta do “Prison Inside Me” não é o entretenimento, mas sim um ambiente seguro para a observação das rotinas e a reavaliação de prioridades. O objetivo final é que os hóspedes saiam com maior consciência pessoal e uma estratégia mais clara para o seu dia a dia.
Embora o conceito tenha gerado comparações com hotéis de estética austera, onde o design interior evoca espaços prisionais, o caso coreano assume intencionalmente a ideia de reclusão. No entanto, a interpretação da experiência continua a gerar debate, dividindo opiniões entre um retiro terapêutico e uma mera encenação.
O fundador sublinha que o objetivo é oferecer um espaço para “olhar para trás” antes de seguir em frente, incentivando os visitantes a desacelerar e a criar momentos de silêncio num quotidiano repleto de estímulos. A mensagem central do projeto é a importância de encontrar o essencial na ausência, onde a contenção e um guião mínimo permitem que cada indivíduo preencha o vazio com a sua própria reflexão.
Fonte: postal.pt