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Iémen: separatistas do sul desafiam apelos de retirada em escalada regional

Por Portugal 24 Horas

O conflito no Iémen atinge um novo ponto de inflexão, com os separatistas do sul a rejeitarem categoricamente os apelos para se retirarem das suas posições, desafiando a coligação liderada pela Arábia Saudita. Esta recusa surge após ataques a um carregamento de armas num porto sob controlo dos separatistas, intensificando a já volátil situação. Num cenário de tensões crescentes, as relações entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, parceiros na coligação militar, foram abaladas por acusações mútuas, expondo fissuras profundas na aliança. Paralelamente, os Estados Unidos da América, através de esforços diplomáticos, procuram mitigar as “tensões atuais” e abordar “questões que afetam a segurança e a estabilidade regional”, sublinhando a preocupação internacional com a deterioração do quadro político e militar neste país devastado pela guerra. A crise humanitária persiste, colocando o Iémen no epicentro de um dos piores desastres globais.

A persistência dos separatistas e a complexidade do conflito

O Iémen, localizado na extremidade sul da península arábica, tem sido palco de um conflito complexo e multifacetado que se arrasta há anos. A desunião do país, que só foi unificado em 1990, é uma das raízes da atual instabilidade, com profundas divisões entre o norte e o sul. Recentemente, a situação agravou-se com a recusa veemente dos separatistas do sul em ceder terreno, mesmo sob pressão da coligação militar.

O desafio do Conselho de Transição do Sul (STC)

O Conselho de Transição do Sul (STC), um movimento separatista que procura restabelecer o antigo Estado independente do Iémen do Sul, tem demonstrado uma postura inflexível. Após uma ofensiva relâmpago que lhes permitiu obter avanços territoriais significativos nas últimas semanas, o porta-voz do STC declarou que “não há hipótese de nos retirarmos”. A retórica dos separatistas é clara: consideram as terras conquistadas como suas e qualquer tentativa de as reaver será respondida com resistência. Esta posição coloca a Arábia Saudita, principal apoiante do governo iemenita reconhecido internacionalmente, numa situação embaraçosa e desafiadora. A alegada deslocação de cerca de 20.000 efetivos das forças de segurança sauditas ao longo da fronteira, perto das posições do STC, apenas realça a gravidade da situação e a possibilidade de uma escalada ainda maior.

Fissuras na coligação: Riade versus Abu Dhabi

A guerra no Iémen não é apenas um confronto entre fações iemenitas e a coligação. Ela também expôs e aprofundou rivalidades latentes entre os próprios membros da coligação. As tensões entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, outrora aliados próximos, vieram à tona de forma dramática.

Acusações e retiradas estratégicas

A coligação liderada pela Arábia Saudita lançou ataques contra um carregamento de armas no porto de Al-Mukalla, capital da província de Hadramawt, recentemente tomada pelo STC, alegando que as armas se destinavam aos separatistas do sul. Riade foi mais longe, denunciando uma “ameaça” à segurança do seu reino e, simultaneamente, acusando os Emirados Árabes Unidos de agirem de forma “extremamente perigosa” no Iémen. Abu Dhabi rapidamente rejeitou as acusações sauditas, negando ter enviado armas diretamente, mas admitindo ter fornecido veículos “para serem utilizados pelas forças” dos EAU a operar no Iémen, garantindo que Riade tinha conhecimento prévio do carregamento. Em resposta a um ultimato da Arábia Saudita e do governo iemenita, os Emirados anunciaram a retirada das suas forças do Iémen. O Ministério da Defesa dos EAU referiu “desenvolvimentos recentes e potenciais repercussões na segurança e eficácia das operações antiterroristas”, mas sem avançar uma data concreta para a retirada. Este confronto aberto é o mais sério entre os dois países nas últimas décadas, refletindo uma crescente rivalidade económica e de política regional, especialmente na zona do Mar Vermelho.

Consequências e perspetivas para o Iémen

O Iémen enfrenta uma realidade desoladora. O país está à beira da desintegração, com os Houthis a controlar o norte e o STC a consolidar o seu poder no sul. Esta divisão não só impede uma resolução pacífica como também alimenta uma crise humanitária de proporções catastróficas.

A guerra já custou a vida a mais de 150.000 pessoas, incluindo um número avultado de civis, e desencadeou um dos piores desastres humanitários a nível global. Milhões de iemenitas enfrentam a fome, doenças e deslocamentos forçados, numa tragédia que muitas vezes é ofuscada pela complexidade dos jogos de poder regionais. A intervenção diplomática, como a de Marcus Rubio com o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Faisal bin Farhan Al Saud, é um reconhecimento da urgência de estabilizar a região e de mitigar o sofrimento humano. No entanto, sem uma vontade genuína de todas as partes em conflito para negociar e sem uma pressão internacional coesa, o futuro do Iémen permanece incerto e a paz parece um objetivo distante. A manutenção de dois governos rivais — o Conselho de Liderança Principal e o Conselho Político Supremo, liderado pelos Houthis e apoiado pelo Irão — perpetua a fragmentação e dificulta qualquer tentativa de reconciliação nacional.

Perguntas frequentes

O que é o Conselho de Transição do Sul (STC) e qual o seu objetivo?
O Conselho de Transição do Sul (STC) é um movimento separatista que atua no sul do Iémen, com o objetivo de restabelecer o antigo Estado independente do Iémen do Sul, que existiu até à unificação em 1990.

Quais são as principais partes envolvidas no conflito iemenita?
As principais partes incluem o governo iemenita reconhecido internacionalmente (apoiado pela coligação liderada pela Arábia Saudita), os rebeldes Houthis (apoiados pelo Irão), e os separatistas do sul (STC), que por vezes se alinham com a coligação e outras vezes operam de forma independente.

Por que são importantes as tensões entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos para o conflito?
As tensões entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos são cruciais porque expõem fissuras na coligação que apoia o governo iemenita. Esta discórdia pode enfraquecer os esforços da coligação, beneficiar os separatistas ou os Houthis, e prolongar o conflito ao criar novos focos de instabilidade e desconfiança entre os aliados.

Qual o impacto humanitário do conflito no Iémen?
O conflito no Iémen é considerado um dos piores desastres humanitários do mundo. Já resultou na morte de mais de 150.000 pessoas, incluindo civis, e levou milhões à fome, à deslocação e à dependência de ajuda humanitária.

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Fonte: https://www.noticiasaominuto.com

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