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Janeiro em Portugal: o que esperar de temperaturas e chuva

Por Portugal 24 Horas

O mês de janeiro em Portugal continental iniciou-se sob a influência de um quadro meteorológico instável e frio, particularmente nas regiões Centro e Sul. A chegada de uma massa de ar polar marítima, combinada com os efeitos de uma depressão atlântica, trouxe temperaturas significativamente baixas e alguma precipitação. Contudo, as mais recentes atualizações dos modelos meteorológicos europeus, como o ECMWF, apontam para uma alteração substancial na dinâmica atmosférica. Espera-se uma transição para um período mais ameno e com uma circulação atlântica dominante, que deverá influenciar a distribuição da precipitação ao longo do restante do mês em Portugal, com cenários distintos entre o continente e os arquipélagos da Madeira e dos Açores. Este panorama sugere que, após um arranque frio, o tempo deverá assumir características diferentes, com implicações para a necessidade do guarda-chuva.

Uma reviravolta nas temperaturas

Após um início de janeiro marcado pelo frio intenso, especialmente no Centro e Sul de Portugal continental, devido à atuação de uma massa de ar polar marítima e da já dissipada depressão Francis, o país prepara-se para uma mudança drástica nas condições térmicas. Contrastando com o tempo seco e soalheiro inicialmente registado no Norte, o panorama geral aponta para uma subida dos termómetros, sinalizando o fim da influência do ar polar.

Fim do ar polar e o regresso da amenidade

Os modelos de previsão indicam que, a partir deste fim de semana e até meados de janeiro, Portugal continental registará um aumento considerável das temperaturas. Este cenário é impulsionado pelo regresso dos ventos de Oeste, que promoverão uma circulação atlântica mais amena. A maior parte do território continental poderá experienciar temperaturas entre 1 a 3 graus Celsius acima da média climatológica para esta época do ano. Exceções a esta tendência de aquecimento incluem o Algarve e algumas zonas do litoral Centro e Oeste, onde as anomalias positivas poderão ser ligeiramente mais modestas, rondando até 1 grau Celsius acima do normal. A próxima semana, em particular, antevê-se muito mais amena em grande parte do continente, graças a esta nova configuração atmosférica.

Variações regionais e o longo prazo

Para os arquipélagos portugueses, as previsões térmicas são mais equilibradas. Na Madeira, não se detetam desvios significativos da temperatura em relação aos valores médios. Já nos Açores, antecipam-se anomalias térmicas positivas, embora muito suaves, situando-se entre 0,5 e 1 grau Celsius acima do normal, e limitadas essencialmente ao Grupo Ocidental e a algumas ilhas do Grupo Central.

Olhando para a segunda metade de janeiro, é provável que as temperaturas em Portugal continental se aproximem gradualmente dos valores normais para o período. No entanto, os mapas ainda sinalizam anomalias térmicas ligeiramente positivas, sobretudo no interior das regiões Norte e Centro, onde os termómetros poderão continuar a registar até 1,5 graus Celsius acima da média. É importante notar que, apesar do atual episódio de frio e dos previsíveis altos e baixos, não se perspetiva a ocorrência de uma vaga de frio prolongada a médio e longo prazo, de acordo com os critérios estabelecidos pelas entidades meteorológicas. A dinâmica atmosférica sugere períodos de frio temporários, mas sem a persistência necessária para configurar uma vaga de frio oficial.

A dinâmica da precipitação: Atlântico à vista

A precipitação é, como sempre, a variável mais complexa de prever a longo prazo. Contudo, a predominância de uma circulação atlântica, caracterizada por ventos de Oeste e a passagem de sistemas frontais, é um cenário que se solidifica nas previsões. Embora não se descartem períodos de arrefecimento pontuais, estes serão de curta duração, não alterando a tónica geral de entrada de frentes atlânticas ativas.

Chuva generalizada na próxima semana

Para a próxima semana, entre 12 e 19 de janeiro, o modelo europeu indica que a chuva será provavelmente superior à média para a época, abrangendo todo o Portugal continental. As anomalias húmidas mais acentuadas, com acumulações que poderão exceder os 50 milímetros acima da média, são esperadas nas regiões Norte, Centro e em algumas zonas do Oeste, Vale do Tejo e Alto Alentejo. Este cenário contrasta fortemente com os arquipélagos da Madeira e dos Açores. Para estas regiões insulares, perspetiva-se um período substancialmente mais seco do que o normal, com anomalias de precipitação negativas, uma situação que, por vezes, se verifica nesta altura do ano, onde a chuva pode escassear.

Distribuição da chuva na segunda quinzena

Na semana subsequente, de 19 a 26 de janeiro, os mapas meteorológicos revelam um padrão de precipitação semelhante, mas com contrastes regionais mais marcados. As anomalias húmidas, ou seja, volumes de chuva acima do normal, deverão concentrar-se nas regiões a norte da Serra da Estrela, com particular incidência no Minho, e também no arquipélago dos Açores. Em boa parte do Centro e do Alentejo, não se preveem desvios significativos da precipitação em relação aos valores normais.

No entanto, em áreas como a Grande Lisboa, Península de Setúbal, noutras partes do Alentejo e, sobretudo, no Algarve e no arquipélago da Madeira, deteta-se novamente a possibilidade de registos de precipitação escassos. Isto indica a prevalência de anomalias secas para estas zonas. Para os últimos dias de janeiro, a tendência de precipitação em Portugal ainda não se mostra particularmente definida, mantendo um grau de incerteza que requer monitorização contínua.

O papel da neve

Com a predominância de ventos de Oeste e Sudoeste, a chuva deverá ser o principal fenómeno de precipitação. A queda de neve ficará, em geral, restrita a cotas relativamente altas. Contudo, a eventual ocorrência de alguns períodos de frio temporários não exclui a possibilidade de nevar em cotas médias. A previsão de neve é um dos fenómenos meteorológicos mais desafiadores em Portugal, exigindo uma análise constante e detalhada.

Conclusão

Janeiro de 2026 em Portugal perfila-se como um mês de contrastes meteorológicos. Após um início frio e instável, impulsionado por uma massa de ar polar e a depressão Francis, a previsão aponta para uma mudança significativa, com a instauração de um período mais ameno e húmido no continente. A circulação atlântica será a grande protagonista, trazendo consigo ventos de Oeste e sistemas frontais que garantirão precipitação acima da média em grande parte do território continental, com anomalias mais acentuadas no Norte e Centro. Os arquipélagos, por outro lado, deverão experienciar condições térmicas mais estáveis e um cenário de precipitação mais seco. Embora períodos de frio temporários possam ocorrer, não se antecipa uma vaga de frio prolongada. A neve será, em grande parte, um fenómeno de cotas elevadas, mas não se descarta a sua ocorrência em altitudes médias durante os breves arrefecimentos. Em suma, o restante do mês promete ser dinâmico, com a chuva a assumir um papel central, especialmente no continente.

Perguntas frequentes

1. Janeiro de 2026 será um mês muito frio em Portugal?
Não, após um início frio devido a uma massa de ar polar, as previsões indicam que o resto de janeiro terá temperaturas mais amenas, com valores acima da média para a época em grande parte do continente.

2. Onde choverá mais em Portugal continental durante janeiro?
Espera-se que as regiões Norte, Centro e algumas zonas do Oeste, Vale do Tejo e Alto Alentejo registem os maiores volumes de precipitação, com anomalias húmidas significativas.

3. Haverá neve em Portugal durante este mês de janeiro?
Sim, a neve deverá ocorrer em cotas relativamente altas. No entanto, com a possibilidade de períodos de frio temporários, não se exclui a queda de neve em cotas médias.

4. O tempo nos arquipélagos da Madeira e dos Açores será semelhante ao do continente?
Não, nos arquipélagos as temperaturas serão mais estáveis (normais na Madeira, ligeiramente acima da média nos Açores), mas a precipitação deverá ser inferior à média, contrastando com o continente.

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Fonte: https://www.tempo.pt

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