Em 2005, Sheryl Berk, jornalista e escritora, foi informada do seu despedimento através de um telefonema. A editora comunicou-lhe que os seus serviços já não eram necessários, marcando o início de uma segunda-feira que alteraria o seu percurso profissional e pessoal. Na altura, Berk colaborava regularmente, com vários artigos por mês, uma fonte de rendimento crucial após ter deixado um emprego a tempo inteiro para cuidar da filha de três anos. As despesas inerentes à educação e bem-estar da criança tornavam a situação financeira particularmente sensível.
A editora não justificou a decisão nem apresentou qualquer pedido de desculpas. Após o despedimento, dois dos artigos de Berk foram imediatamente redistribuídos e a notícia foi comunicada aos colegas, que expressaram solidariedade à jornalista.
O choque inicial levou Berk a questionar como equilibraria as suas responsabilidades familiares e profissionais. A rescisão do contrato, sem aviso prévio nem justificação formal, teve um impacto imediato nas finanças familiares.
Durante quase duas décadas, Berk não procurou referências da antiga editora nem manteve qualquer contacto com ela, mantendo-se distante tanto no plano profissional como no pessoal.
Quase vinte anos depois do despedimento, um encontro casual em Central Park, enquanto passeavam os seus cães, proporcionou um reencontro entre as duas mulheres. A antiga editora propôs um almoço, convite que Berk aceitou após alguma hesitação. O almoço ocorreu num café, onde a antiga chefe esperava Berk com um café.
A conversa inicial focou-se na vida pessoal de Berk, incluindo a sua filha, agora adulta e formada, bem como nos projetos profissionais da antiga editora, como um romance e uma série de televisão em desenvolvimento.
Durante o almoço, a antiga editora abordou o tema do despedimento, pedindo desculpa e explicando que a decisão de terminar a colaboração com Berk foi exclusivamente sua. Alegou que, na altura, sentia inveja de ver Berk em casa com a filha, enquanto ela própria enfrentava dificuldades em conciliar a maternidade com a carreira. Admitiu que deveria ter sido mais compreensiva com uma mulher a tentar equilibrar trabalho e família.
Berk revelou que, apesar do impacto da decisão na sua vida e do período de incerteza que se seguiu, sentiu compaixão pela antiga chefe e decidiu perdoá-la, encerrando assim um capítulo que a acompanhava há quase duas décadas.
O encontro terminou com a antiga editora a manifestar o desejo de manterem uma amizade, deixando o seu número de telefone. Embora não preveja uma grande amizade, Berk admitiu a possibilidade de uma relação cordial. Este episódio demonstra como decisões tomadas em contexto profissional podem ter um impacto duradouro na vida das pessoas.
Fonte: postal.pt