Mais de duas mil pessoas manifestaram-se na Tunísia, expressando a sua oposição a alegadas injustiças e exigindo a libertação de figuras da oposição e outros detidos. A manifestação, liderada pelo comité de defesa de Ahmed Souab, um advogado preso após criticar o sistema judicial, percorreu as ruas da capital durante mais de duas horas.
Os manifestantes, muitos vestidos de preto e munidos de apitos e fitas vermelhas, entoaram palavras de ordem como “Liberdade, liberdade”. O protesto incluiu paragens em frente à sede do Grupo Químico Tunisino, alvo de críticas devido à poluição em Gabès, e do sindicato dos jornalistas, que recentemente denunciou o que considera ser uma “repressão sem precedentes” contra os meios de comunicação social.
Os participantes exigiram a libertação de dezenas de opositores políticos, jornalistas, advogados e trabalhadores humanitários que foram detidos nos últimos anos, acusados de conspiração contra o Presidente Kais Saied ou com base numa lei sobre “notícias falsas”, cuja interpretação é considerada excessivamente ampla.
Outro slogan ouvido durante a manifestação foi “O povo quer a queda do regime”, um claro desafio ao Presidente Kais Saied, que assumiu o poder em 2019 e, dois anos depois, protagonizou um golpe de Estado que lhe conferiu amplos poderes. Alguns manifestantes exibiam cartazes com a mensagem “Este não é o meu presidente”.
Nejia Adjmi, uma pasteleira reformada de 63 anos, expressou o seu descontentamento à agência AFP, afirmando que o país está “na miséria” e que a população enfrenta dificuldades económicas significativas. Acrescentou que a liberdade de expressão, inclusive nas redes sociais, está limitada. Adjmi mencionou o caso de Saber Chouchane, inicialmente condenada à morte e posteriormente perdoada por criticar o Presidente e a Ministra da Justiça nas redes sociais.
Organizações não-governamentais tunisinas e internacionais têm manifestado preocupação com o alegado retrocesso dos direitos e liberdades na Tunísia desde o golpe de Estado de Saied. A inflação elevada, que impacta o poder de compra dos tunisinos, especialmente nos produtos alimentares, também tem sido motivo de descontentamento.
Fonte: www.noticiasaominuto.com