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Ministros da pesca da UE chegam a acordo sobre quotas para 2026

Por Portugal 24 Horas

Após dois dias de intensas negociações, os ministros da pesca da União Europeia (UE) alcançaram um consenso crucial sobre as quotas de pesca para o ano de 2026. Este acordo, forjado num ambiente de compromissos e interesses divergentes entre os Estados-membros, marca um passo significativo na gestão dos recursos marinhos comunitários. A decisão visa equilibrar a sustentabilidade ambiental dos ecossistemas marinhos com a viabilidade económica do setor pesqueiro europeu. As discussões focaram-se na adaptação das capturas permitidas às recomendações científicas mais recentes, procurando garantir a recuperação e manutenção dos stocks piscícolas a longo prazo. Este desfecho é de vital importância para as frotas pesqueiras de todo o continente, incluindo a portuguesa, que agora têm um quadro regulamentar mais claro para o futuro próximo.

O processo negocial e os desafios inerentes

A cada ano, o processo de definição das quotas de pesca na União Europeia é um dos mais complexos e desafiadores no seio das instituições comunitárias. As negociações reúnem os ministros responsáveis pelas pescas dos 27 Estados-membros, cada um representando os interesses específicos da sua frota e das comunidades costeiras dependentes desta atividade. A natureza multiespécie da pesca, aliada às diferentes realidades geográficas e económicas, torna a busca por um denominador comum uma tarefa hercúlea.

A complexidade das negociações anuais

As negociações não se limitam a números; envolvem a harmonização de diversas perspetivas sobre a gestão dos oceanos. Há uma tensão constante entre a necessidade de preservar os recursos marinhos para as gerações futuras e a urgência de assegurar rendimentos e empregos no presente. As decisões afetam diretamente a subsistência de milhares de pescadores, armadores e trabalhadores do setor da transformação. A pressão de lobbies da indústria, a intervenção de organizações não-governamentais (ONG) ambientalistas e a vigilância pública contribuem para a complexidade do cenário.

Interesses divergentes entre Estados-membros

Cada Estado-membro chega à mesa de negociações com uma agenda própria. Países com grandes frotas de arrasto podem ter prioridades diferentes de outros focados na pesca costeira artesanal. As zonas de pesca partilhadas, como o Atlântico Nordeste, o Báltico ou o Mediterrâneo, são palcos de disputas sobre a distribuição de recursos que não conhecem fronteiras políticas. O bacalhau, o carapau, o linguado e a sardinha são apenas alguns exemplos de espécies que geram discussões acaloradas, devido à sua importância económica e ecológica. Encontrar um equilíbrio que seja aceitável para todos, minimizando os impactos negativos e maximizando os benefícios, é o objetivo central.

O papel do parecer científico

Um dos pilares das decisões sobre quotas de pesca é o parecer científico independente, fornecido por organismos como o Conselho Internacional para a Exploração do Mar (CIEM). Estes pareceres baseiam-se em dados robustos sobre o estado dos stocks piscícolas, indicando os Níveis Máximos de Rendimento Sustentável (MRS) para cada espécie. Contudo, a aplicação estrita destes pareceres é frequentemente mitigada por considerações socioeconómicas. Os ministros tentam encontrar um compromisso entre a ciência e a realidade das comunidades pesqueiras, muitas vezes defendendo quotas acima das recomendações científicas, o que gera críticas de grupos ambientalistas.

Detalhes do acordo e as suas implicações

O acordo alcançado para 2026 representa o culminar de intensas discussões técnicas e políticas. Embora os detalhes específicos das quotas por espécie e por Estado-membro ainda venham a ser divulgados em pormenor, a base do entendimento reside na adoção de um quadro que busca flexibilidade e resiliência.

As espécies abrangidas e as principais mudanças

O acordo abrange uma vasta gama de espécies demersais e pelágicas em várias bacias marítimas da UE. As principais mudanças esperadas incluem ajustes nas quotas para espécies em stocks sob pressão, com reduções em alguns casos para permitir a sua recuperação, e potenciais aumentos onde a ciência indica uma melhoria. A gestão de stocks partilhados com países terceiros, como a Noruega e o Reino Unido, também desempenha um papel crucial nas decisões finais, exigindo coordenação além das fronteiras da UE.

Medidas de gestão e controlo

Para além das quotas, o acordo integra frequentemente medidas complementares de gestão e controlo. Estas podem incluir limites aos dias de pesca no mar, restrições à utilização de certos tipos de artes de pesca, ou a imposição de zonas de proteção temporárias. O objetivo é não apenas controlar a quantidade de pescado capturado, mas também reduzir o impacto ambiental da atividade pesqueira e combater a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (INN). A fiscalização e o cumprimento destas regras são essenciais para a eficácia do acordo.

Flexibilidade e adaptação regional

Um aspeto cada vez mais relevante nos acordos de pesca da UE é a introdução de maior flexibilidade e a capacidade de adaptação regional. Reconhecendo que uma abordagem “tamanho único” nem sempre é a mais eficaz, o acordo pode incorporar elementos que permitem aos Estados-membros ajustar certas medidas às suas realidades locais, desde que os objetivos gerais de sustentabilidade sejam cumpridos. Isto pode manifestar-se através de planos de gestão plurianuais ou de medidas técnicas específicas para bacias marítimas ou frotas concretas.

Impacto nas frotas pesqueiras e na sustentabilidade

Este acordo terá, sem dúvida, um impacto multifacetado nas frotas pesqueiras de toda a União Europeia, com repercussões diretas na economia e na saúde dos ecossistemas marinhos.

Consequências para os pescadores portugueses

Para Portugal, um país com uma longa tradição marítima e uma frota pesqueira diversificada, o acordo sobre as quotas de pesca para 2026 é de extrema importância. As decisões tomadas em Bruxelas influenciarão diretamente a viabilidade de segmentos da frota, desde os arrastões que operam em águas internacionais até às pequenas embarcações da pesca costeira. As quotas para espécies como o bacalhau, a sardinha ou o carapau são cruciais para a economia local de muitas comunidades piscatórias portuguesas. O setor aguardará com expectativa a análise detalhada das quotas atribuídas e a sua adequação às necessidades da frota nacional.

Avanços na saúde dos stocks

A principal ambição da Política Comum das Pescas (PCP) é alcançar Níveis Máximos de Rendimento Sustentável para todos os stocks até 2020, um objetivo que, apesar de não ter sido plenamente atingido, continua a guiar as decisões. Os acordos anuais, como este para 2026, são ferramentas vitais para a recuperação de stocks sobre-explorados e para a manutenção da saúde dos que já se encontram em bom estado. Um stock saudável não só garante a biodiversidade marinha, como também proporciona uma base mais robusta e previsível para a atividade pesqueira a longo prazo.

Desafios contínuos para a pesca sustentável

Apesar dos avanços, a pesca sustentável continua a enfrentar desafios significativos. A pressão das alterações climáticas nos ecossistemas marinhos, a poluição, a pesca ilegal e a complexidade de gerir stocks que se movem por várias jurisdições são obstáculos persistentes. O acordo para 2026 representa um passo, mas a vigilância e a adaptação contínuas são essenciais para garantir que os oceanos europeus possam continuar a ser uma fonte de alimento e de emprego de forma sustentável.

Reações e perspetivas futuras

A receção do acordo será, como habitualmente, mista, refletindo a diversidade de interesses envolvidos. As organizações ambientalistas irão analisar se as quotas estão alinhadas com as recomendações científicas, enquanto os representantes da indústria pesqueira avaliarão o impacto nas suas operações.

Reações dos setores e ONGs

É expectável que as organizações do setor pesqueiro europeu expressem tanto alívio pela clareza regulamentar, como preocupação por possíveis reduções que afetem a rentabilidade. Por outro lado, as ONGs de conservação marinha provavelmente irão criticar quaisquer derrogações significativas dos pareceres científicos, defendendo uma maior ambição na proteção dos stocks. O debate público em torno da sustentabilidade das pescas promete continuar aceso.

A monitorização e cumprimento do acordo

A eficácia do acordo dependerá largamente da sua monitorização e do rigor no seu cumprimento pelos Estados-membros. Mecanismos de controlo e inspeção são cruciais para garantir que as quotas são respeitadas e que as medidas de gestão são implementadas de forma adequada. A transparência nos dados de captura e o combate à pesca ilegal são elementos fundamentais para assegurar a credibilidade e o sucesso da Política Comum das Pescas.

O futuro da política comum das pescas

O acordo para 2026 enquadra-se no quadro mais alargado da Política Comum das Pescas, que está em constante evolução. A necessidade de uma gestão adaptativa, capaz de responder às rápidas mudanças ambientais e socioeconómicas, é cada vez mais evidente. As discussões futuras deverão focar-se na inovação tecnológica, na transição para artes de pesca mais seletivas e na promoção de uma economia azul que concilie a produção de alimentos com a conservação marinha.

Perguntas frequentes

O que são as quotas de pesca da UE?
As quotas de pesca da UE são os limites máximos de captura (Total Admissível de Capturas – TAC) definidos anualmente para as diversas espécies piscícolas nas águas europeias. O seu objetivo é regular a exploração dos stocks para garantir a sua sustentabilidade a longo prazo. Estes limites são depois divididos entre os Estados-membros.

Por que são estas negociações tão difíceis?
As negociações são difíceis devido aos múltiplos fatores em jogo: a necessidade de equilibrar a conservação dos stocks com os interesses socioeconómicos das comunidades pesqueiras, as diferentes prioridades dos Estados-membros, a complexidade dos dados científicos e a gestão de stocks partilhados com países terceiros.

Como afeta este acordo os pescadores em Portugal?
O acordo afeta diretamente os pescadores portugueses ao definir as quantidades máximas que a frota nacional pode capturar de cada espécie. As quotas atribuídas determinam as oportunidades de pesca e, consequentemente, a rentabilidade e a viabilidade das diferentes frotas, desde a costeira à de longo curso, influenciando os rendimentos e os postos de trabalho.

Quem participa nestas negociações?
As negociações envolvem os ministros responsáveis pelas pescas de cada um dos 27 Estados-membros da União Europeia, apoiados por equipas de peritos nacionais. A Comissão Europeia atua como mediadora e proponente inicial, baseando-se em pareceres científicos independentes e consultando stakeholders do setor.

Mantenha-se informado sobre a evolução da política de pescas e o seu impacto no setor marítimo, acompanhando as nossas próximas reportagens sobre a economia azul e a sustentabilidade dos nossos oceanos.

Fonte: https://www.euronews.com

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