Início » Montemor-o-Velho: principal preocupação da proteção civil de Coimbra

Montemor-o-Velho: principal preocupação da proteção civil de Coimbra

Por Portugal 24 Horas

A sub-região de emergência e proteção civil de Coimbra manifestou recentemente a sua maior preocupação territorial, destacando o concelho de Montemor-o-Velho como o epicentro das atenções. Esta declaração, proveniente do comandante sub-regional da entidade, sublinha a criticidade da situação em áreas específicas da região, onde a vulnerabilidade a eventos extremos exige uma vigilância e prontidão reforçadas. A constante monitorização dos cursos de água e das condições meteorológicas, em particular no que concerne ao rio Mondego e seus afluentes, é uma prioridade inquestionável para a proteção civil. A história recente do concelho, marcada por cheias significativas e outras ocorrências, dita a necessidade de uma abordagem proativa e coordenada entre as diversas entidades envolvidas na segurança e bem-estar das populações. A preocupação é palpável, e as medidas de prevenção e mitigação estão no topo da agenda.

Vulnerabilidade histórica e geográfica de Montemor-o-Velho

O concelho de Montemor-o-Velho, situado na fértil bacia do rio Mondego, possui uma geografia que, embora propícia à agricultura, o torna intrinsecamente vulnerável a fenómenos de cheias e inundações. Esta característica não é uma novidade; ao longo da sua história, o território foi moldado pela presença do rio, que tanto dá vida às suas terras como representa uma ameaça constante em períodos de precipitação intensa. As planícies aluviais, que são o motor económico da região, são também as primeiras a sofrer os impactos da subida das á águas. Esta vulnerabilidade é exacerbada pela conjugação de fatores como a saturação dos solos, a rápida afluência de água das serras circundantes e a capacidade de escoamento do próprio leito do rio, frequentemente condicionada por depósitos sedimentares.

Impacto do rio Mondego e seus afluentes

A centralidade do rio Mondego na vida e nos desafios de Montemor-o-Velho não pode ser subestimada. O seu caudal, que pode variar drasticamente entre períodos de seca e de chuva intensa, é o principal barómetro do risco. Além do Mondego, afluentes como o Arunca e o Ega, embora de menor dimensão, contribuem significativamente para o volume total de água que percorre o concelho, aumentando a complexidade da gestão hídrica. Quando as barragens a montante libertam água para gerir os seus níveis, ou quando a maré alta no estuário impede o escoamento rápido para o Atlântico, a situação agrava-se exponencialmente. As áreas urbanas de Montemor-o-Velho e Tentúgal, bem como as vastas zonas agrícolas, ficam então à mercê da fúria das águas, com consequências devastadoras para habitações, infraestruturas e atividades económicas. A monitorização contínua dos níveis hidrométricos e a previsão meteorológica de longo prazo são, por isso, ferramentas indispensáveis para antecipar e mitigar os riscos associados a estes fenómenos naturais.

Estratégias de monitorização e resposta em curso

Perante este cenário de vulnerabilidade intrínseca, a Proteção Civil da Região de Coimbra tem implementado e aperfeiçoado um conjunto robusto de estratégias de monitorização e resposta. A experiência acumulada ao longo de anos de incidentes e a análise detalhada dos padrões climáticos e hidrológicos permitiram o desenvolvimento de planos de contingência cada vez mais sofisticados e adaptados à realidade local. Estas estratégias não se limitam apenas à reação a uma emergência; incluem uma forte componente preventiva, essencial para minimizar os danos e garantir a segurança das populações. A vigilância é constante, 24 horas por dia, sete dias por semana, com equipas de prontidão para atuar a qualquer momento. Sistemas de alerta precoce, que combinam dados de estações meteorológicas, sensores de nível de água e modelos de previsão, são fundamentais para antecipar as cheias e permitir a tomada de decisões atempadas, como a ativação de planos de evacuação ou o reforço de diques.

Coordenação multissetorial e planos de contingência

A eficácia da resposta a uma situação de emergência depende intrinsecamente de uma coordenação exemplar entre múltiplas entidades. No contexto de Montemor-o-Velho, a Proteção Civil atua como um elo central numa vasta rede que inclui os Serviços Municipais de Proteção Civil, as Forças de Segurança (GNR), os Bombeiros Voluntários, as Equipas de Intervenção Permanente, as autoridades de saúde e as autarquias locais. A comunicação fluida e a partilha de informações são cruciais para que cada ator possa desempenhar o seu papel de forma sinérgica. Os planos de contingência são revistos e atualizados periodicamente, contemplando diferentes cenários de risco e detalhando os procedimentos a seguir em cada um deles, desde a ativação dos meios e recursos humanos até à identificação de zonas seguras e rotas de evacuação. Exercícios práticos e simulacros são realizados regularmente para testar a operacionalidade destes planos e capacitar as equipas no terreno. A sensibilização da população, através de campanhas informativas sobre o que fazer antes, durante e depois de uma cheia, é também uma peça fundamental nesta estratégia de resiliência coletiva, promovendo a autoproteção e a corresponsabilidade.

O apelo à prudência e resiliência comunitária

A preocupação com Montemor-o-Velho reflete uma visão abrangente da proteção civil, que vai além da resposta imediata a crises. Apela-se à prudência e à resiliência comunitária como pilares essenciais para a sustentabilidade e segurança do território a longo prazo. As autoridades insistem na importância de a população estar informada sobre os riscos, conhecer os planos de emergência locais e seguir as indicações das forças no terreno. A resiliência é um processo contínuo, que exige adaptação, aprendizagem e investimento em infraestruturas mais robustas e soluções baseadas na natureza para a gestão da água. É um compromisso partilhado, onde cada cidadão tem um papel a desempenhar na construção de uma comunidade mais segura e preparada para enfrentar os desafios impostos pelas alterações climáticas e pela geografia única da região. O futuro de Montemor-o-Velho depende desta colaboração e da capacidade de transformar a vulnerabilidade histórica em força e preparação.

Fonte: https://www.theportugalnews.com

Você deve gostar também