Num ambiente onde a doença e a preocupação muitas vezes dominam, um toque de humanidade e esperança surge pelas mãos e vozes de Joana Afonso e Rute Matias. Estas duas almas dedicadas têm levado a música nos hospitais de Portugal, oferecendo um bálsamo para a alma de crianças e idosos. A sua missão é clara e profundamente impactante: ajudar os pacientes a esquecerem, nem que seja por momentos, a sua condição de doentes, e a sentirem-se, acima de tudo, seres humanos. Através de melodias e ritmos, criam um espaço onde a alegria e a serenidade podem florescer, transformando a rotina hospitalar em algo mais leve e acolhedor. Com esta entrega altruísta, Joana e Rute afirmam que recebem “o dobro” daquilo que dão, num testemunho comovente da profunda ligação que estabelecem, mas, no final, não procuram palmas, apenas o genuíno sorriso ou o olhar reconfortado.
A melodia que humaniza a doença
O poder transformador da música em contexto hospitalar
A música, com a sua capacidade inata de evocar emoções e memórias, revela-se uma ferramenta de valor inestimável em ambientes hospitalares. Longe de ser apenas um mero entretenimento, a intervenção musical, como a que Joana Afonso e Rute Matias proporcionam, assume um papel terapêutico fundamental. Num cenário onde o stresse, a ansiedade e a dor são companheiros constantes, a melodia oferece um refúgio. Para as crianças, a música pode ser uma distração vital dos procedimentos médicos assustadores, transportando-as para um mundo de fantasia e brincadeira, onde a doença perde temporariamente o seu poder. Para os idosos, as canções podem ser uma ponte para o passado, despertando memórias felizes e fomentando um sentido de conexão e identidade que a doença e o isolamento muitas vezes fragilizam.
A presença de instrumentos musicais e vozes harmoniosas quebram a monotonia e a esterilidade do ambiente clínico, infundindo-o com calor e vida. Este estímulo auditivo e emocional contribui para a redução dos níveis de cortisol, a hormona do stresse, e pode até mesmo modular a perceção da dor, tornando-a mais suportável. Ao invés de serem vistos apenas como um conjunto de sintomas ou um número de quarto, os pacientes são convidados a interagir, a cantar, a balançar o corpo ou simplesmente a ouvir, reafirmando a sua individualidade e a sua dignidade como pessoas. É um lembrete poderoso de que, apesar da fragilidade física, o espírito humano permanece resiliente e capaz de encontrar alegria e beleza.
Joana Afonso e Rute Matias: as embaixadoras da esperança
Por trás desta iniciativa inspiradora estão Joana Afonso e Rute Matias, duas musicistas que, munidas de guitarras, vozes e uma sensibilidade ímpar, decidiram dedicar o seu talento a uma causa maior. A sua abordagem é empática e personalizada, adaptando o repertório e a interação às necessidades e estados de espírito de cada paciente, seja uma balada suave para acalmar um idoso, ou uma canção animada para entreter uma criança. A dedicação de Joana e Rute vai além da mera performance musical; elas são catalisadoras de sorrisos, confidentes de histórias e portadoras de momentos de alegria pura. A sua presença ilumina os corredores e os quartos, trazendo uma lufada de ar fresco e uma dose de otimismo para pacientes, famílias e até mesmo para a equipa médica e de enfermagem, que também beneficiam da atmosfera mais leve e humana que criam.
Ambas partilham uma profunda convicção no poder da música como veículo de cura e humanização. Acreditam que o ato de partilhar a sua arte em contextos tão vulneráveis não é apenas um trabalho, mas uma verdadeira vocação. O seu compromisso é inabalável, e cada sessão é abordada com o máximo respeito e carinho, conscientes da profunda responsabilidade que carregam. Elas não são meras intérpretes; são facilitadoras de bem-estar, mensageiras de conforto e exemplos vivos de como a empatia e a arte podem fazer uma diferença tangível na vida de quem mais precisa, transformando a experiência de doença num percurso mais digno e preenchido.
Para além das notas: o impacto recíproco e a gratidão genuína
O “dobro” da dádiva: uma troca de energias e emoções
Joana Afonso e Rute Matias sublinham que, embora deem o seu tempo e talento, recebem em troca “o dobro” daquilo que oferecem. Esta afirmação é a essência do seu trabalho e reflete a profunda recompensa emocional e espiritual que advém de interações tão significativas. Os sorrisos genuínos, os olhos marejados de gratidão, as mãos que apertam as suas com reconhecimento, ou o murmúrio de uma criança a acompanhar uma melodia, são moedas de valor inestimável. Cada uma destas reações serve como um testemunho do impacto positivo do seu trabalho, reforçando a sua convicção e energizando-as para continuar. A capacidade de presenciar a transformação momentânea de um semblante marcado pela dor ou pela tristeza num rosto iluminado pela alegria é uma experiência profundamente gratificante e que transcende qualquer reconhecimento material.
Esta troca vai além do mero agradecimento. As histórias partilhadas pelos pacientes, as memórias evocadas pelas canções e a vulnerabilidade exposta nos olhos dos que sofrem criam uma ligação humana rara e preciosa. As musicistas absorvem a resiliência dos pacientes, a força das famílias e o espírito de esperança que, apesar das adversidades, persiste. Este intercâmbio de energia e emoções nutre a sua própria alma, enriquecendo a sua perspetiva sobre a vida e sobre o verdadeiro significado da compaixão e do serviço ao próximo. É um ciclo virtuoso onde a dádiva gera mais dádiva, e a humanidade é celebrada em cada nota tocada e em cada vida tocada.
A verdadeira recompensa: para além dos aplausos e do reconhecimento
Apesar do mérito inquestionável do seu trabalho, Joana Afonso e Rute Matias afirmam não procurar palmas. A sua recompensa não reside no aplauso público ou no reconhecimento formal, mas sim na subtil, mas poderosa, validação de que estão a fazer uma diferença real na vida das pessoas. Para elas, o verdadeiro prémio é o momento em que um paciente, que antes se mostrava apático, começa a balançar o pé ao ritmo da música, ou quando uma criança hospitalizada esboça um sorriso sincero, esquecendo por instantes a agulha ou o tratamento. É o olhar de alívio nos olhos de um familiar, testemunhando um momento de paz para o seu ente querido.
Esta é uma manifestação de um altruísmo puro, onde o foco está inteiramente no bem-estar do outro. A ausência de busca por reconhecimento público não diminui o valor da sua contribuição, pelo contrário, eleva-o, demonstrando uma integridade e um foco inabaláveis na essência da sua missão: humanizar a experiência da doença. A alegria de ver a música a operar a sua magia, a quebrar barreiras e a criar pontes de esperança é, para Joana e Rute, a mais alta forma de gratificação, um testemunho silencioso do impacto profundo e duradouro do seu trabalho na tapeçaria da vida hospitalar.
Um futuro harmonioso: o alargamento desta iniciativa
A iniciativa de Joana Afonso e Rute Matias serve como um farol para a importância da arte e da humanização nos cuidados de saúde. A sua abordagem demonstra que o bem-estar de um paciente não se resume apenas a tratamentos médicos e farmacológicos, mas abrange também o seu estado emocional, psicológico e espiritual. É fundamental que estas práticas de musicoterapia e de intervenção artística sejam cada vez mais integradas nos protocolos hospitalares, reconhecendo-se o seu valor complementar e transformador. O alargamento destas iniciativas pode envolver a formação de mais músicos voluntários, a criação de programas estruturados em diversas unidades de saúde e o apoio contínuo a quem se dedica a esta nobre causa. O futuro da saúde passa, inevitavelmente, por uma visão mais holística e empática, onde a arte e a música desempenham um papel central na promoção da dignidade e na melhoria da qualidade de vida de todos os que enfrentam a doença.
A melodia da esperança: um legado duradouro
O trabalho de Joana Afonso e Rute Matias é um lembrete comovente da profunda capacidade humana de empatia e do poder transformador da música. Através das suas harmonias, elas não apenas preenchem silêncios hospitalares, mas restauram a dignidade, a esperança e a humanidade em ambientes que, por vezes, podem ser despersonalizantes. A sua dedicação em levar a música aos hospitais é um testemunho de que, mesmo nos momentos mais desafiadores, a arte tem o poder de curar, confortar e unir. A melodia da esperança que propagam ecoa nos corações de cada paciente, familiar e profissional de saúde que têm a sorte de testemunhar o seu trabalho, deixando um legado duradouro de compaixão e humanidade.
FAQ
1. O que é a musicoterapia em contexto hospitalar?
A musicoterapia em contexto hospitalar é a utilização profissional da música e dos seus elementos (som, ritmo, melodia, harmonia) para atingir objetivos terapêuticos individualizados. Pode incluir ouvir música, cantar, tocar instrumentos, compor, ou improvisar, e destina-se a gerir o stress, aliviar a dor, expressar emoções e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
2. Qual o impacto da música nos idosos hospitalizados?
Para os idosos hospitalizados, a música pode ter um impacto significativo. Ajuda a reduzir a ansiedade e a depressão, estimula a memória ao evocar lembranças, melhora o humor, fomenta a interação social e pode até atenuar a perceção da dor. Promove um sentimento de conforto e bem-estar, essencial para a sua recuperação e dignidade.
3. Como Joana Afonso e Rute Matias escolhem o repertório para os pacientes?
Joana Afonso e Rute Matias escolhem o repertório de forma intuitiva e empática. Adaptam-se ao perfil do paciente, ao seu estado de espírito e à sua idade, procurando canções que sejam familiares, reconfortantes ou alegres. Para crianças, tendem a optar por músicas infantis ou mais animadas. Para os idosos, preferem melodias clássicas, fados, ou canções populares portuguesas que possam evocar memórias e afetos. A observação da reação do paciente durante as sessões é crucial para guiar a escolha musical.
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Fonte: https://sapo.pt