Clientes de operadoras de telecomunicações questionam as estratégias de mercado que levam ao aparecimento de novas marcas de baixo custo, em vez da simples redução de preços nos serviços já existentes. A situação é comum: durante anos, um consumidor paga um valor elevado por um pacote completo de serviços de uma operadora conhecida. Posteriormente, surge no mercado uma nova operadora, com uma proposta de valor mais acessível, utilizando a mesma infraestrutura de rede e oferecendo velocidades de internet equiparáveis, por um custo mensal significativamente inferior.
Esta prática levanta dúvidas sobre as razões que levam as operadoras a optar pela criação de uma nova marca, com uma identidade distinta e um posicionamento de preço mais competitivo, em vez de simplesmente ajustarem os preços dos seus pacotes existentes. A disparidade entre os preços praticados pelas operadoras tradicionais e as suas subsidiárias de baixo custo sugere que existe margem para a redução dos custos para o consumidor.
A decisão de lançar uma marca low-cost pode estar relacionada com diversos fatores estratégicos. Uma das razões pode ser a tentativa de segmentar o mercado, atingindo um público mais sensível ao preço, sem comprometer a imagem de marca da operadora principal. Ao oferecer um serviço mais barato sob um nome diferente, a operadora pode evitar diluir o valor percebido dos seus pacotes premium, que se destinam a clientes dispostos a pagar mais por serviços adicionais ou maior qualidade.
Outra possível justificação reside na otimização de custos. As marcas low-cost podem operar com estruturas mais enxutas, com menos custos de marketing e suporte ao cliente. Ao reduzir as despesas operacionais, estas empresas conseguem oferecer preços mais baixos sem comprometer a rentabilidade. Além disso, a criação de uma marca separada pode permitir à operadora testar novas abordagens de mercado, sem arriscar a reputação da marca principal.
Ainda assim, a questão permanece: se é possível oferecer o mesmo serviço por um preço mais baixo através de uma marca low-cost, porque não aplicar essa redução de custos aos clientes existentes da operadora principal? A resposta pode envolver a necessidade de manter a rentabilidade dos pacotes premium, a fidelização de clientes dispostos a pagar mais pela marca principal, ou a complexidade de renegociar contratos já existentes.
Em última análise, a estratégia de lançar marcas low-cost é uma forma de as operadoras se adaptarem à crescente concorrência no mercado das telecomunicações, oferecendo opções para diferentes perfis de consumidores. No entanto, esta prática levanta questões sobre a transparência dos preços e a justiça das condições oferecidas aos clientes mais antigos.
Fonte: www.leak.pt