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Periquitos Revelam Estratégias Para Formar Amizades Seguras

Por Portugal 24 Horas

Uma investigação da Universidade de Cincinnati demonstra que os periquitos-monge abordam a formação de novas amizades com uma estratégia cautelosa. As aves avaliam cuidadosamente potenciais parceiros antes de estabelecerem laços mais fortes, minimizando riscos e promovendo uma coexistência pacífica. O estudo, publicado na revista Biology Letters, lança luz sobre os mecanismos comportamentais subjacentes à socialização animal.

Claire O’Connell, principal autora do estudo e doutoranda na Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Cincinnati, explica que a sociabilidade traz diversos benefícios, mas o início destas relações exige uma abordagem ponderada. Muitas espécies de papagaios, por exemplo, desenvolvem laços fortes com um ou dois outros indivíduos, passando a maior parte do tempo em conjunto, cuidando uns dos outros e, por vezes, estabelecendo relações reprodutivas. A manutenção destes laços sociais está geralmente associada à redução do stress e ao aumento do sucesso reprodutivo.

Os investigadores destacam dois processos comportamentais principais: “Testing the Waters” (Testar as Águas) e “Raising the Stakes” (Aumentar a Aposta). Nas fases iniciais da formação de relações, os animais podem experimentar o comportamento de indivíduos desconhecidos, evoluindo de interações de menor risco, como a aproximação física, para comportamentos mais arriscados, como o toque. Este processo gradual permite que as aves avaliem a receptividade do potencial parceiro antes de investirem mais na relação.

O’Connell salienta que a rejeição por parte de uma ave pode resultar em agressão e ferimentos. Para estudar este processo, os investigadores reuniram grupos de periquitos em cativeiro num grande recinto de voo, alguns dos quais eram desconhecidos uns dos outros. Recolheram dados sobre a formação de novas relações, observando a proximidade entre as aves e quais os indivíduos que trocavam carícias ou manifestavam comportamentos amigáveis.

A equipa analisou mais de 179 relações, utilizando métodos computacionais e modelos estatísticos para verificar se a formação de laços seguia o padrão previsto por estudos anteriores sobre a teoria de “testar” relações. Segundo O’Connell, captar os primeiros momentos entre desconhecidos pode ser um desafio, tornando a observação direta deste processo particularmente valiosa.

Os resultados revelaram que os periquitos desconhecidos se aproximavam uns dos outros com maior cautela do que as aves que já se conheciam. Demoravam mais tempo a partilhar o espaço antes de se empoleirarem lado a lado, tocarem nos bicos ou se enroscarem. Em alguns casos, chegavam mesmo a partilhar comida ou a acasalar, indicando um nível de confiança mais elevado.

Curiosamente, o estudo da Universidade de Cincinnati encontrou paralelismos com uma pesquisa de 2020 sobre morcegos vampiros, que demonstrou que estes animais também “testam as águas” nas suas interações sociais, passando gradualmente do aprumo social para a partilha de alimentos com companheiros de confiança. Estes resultados sugerem que a estratégia de abordar novas amizades com cautela pode ser uma tática comum no reino animal, permitindo que os indivíduos minimizem riscos e maximizem os benefícios da socialização.

Fonte: www.tempo.pt

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