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Poeiras do Saara ameaçam Portugal continental entre segunda e terça-feira

Por Portugal 24 Horas

Portugal continental prepara-se para enfrentar uma potencial intrusão de poeiras do Saara, um fenómeno atmosférico que poderá afetar o território nacional entre a tarde de segunda-feira, dia 2 de outubro, e o final da terça-feira, dia 3 de outubro. Este evento, caracterizado pela presença de partículas PM10 em suspensão, é gerado pelo transporte de areias provenientes do Norte de África e representa um cenário meteorológico de elevada incerteza. A posição exata e a intensidade de uma depressão localizada a sudoeste da Península Ibérica serão fatores cruciais para determinar a extensão e a intensidade deste episódio de poeiras. Embora os modelos de previsão sugiram uma aproximação gradual da pluma de poeiras, as variações de última hora podem alterar significativamente o impacto real, exigindo monitorização contínua das condições atmosféricas. A degradação da qualidade do ar e o céu turvo são os efeitos mais esperados para as populações.

Portugal sob a ameaça das poeiras do Saara

O cenário meteorológico e a incerteza persistente

A possibilidade de Portugal continental ser afetado por uma intrusão de poeiras do Saara nas próximas 48 horas sublinha a complexidade da previsão meteorológica na região. O evento está previsto para ocorrer entre a tarde de segunda-feira, 2 de outubro, e a terça-feira, 3 de outubro, período durante o qual os céus do país poderão apresentar-se mais turvos devido à presença de partículas em suspensão. Os modelos atmosféricos mais recentes, que monitorizam as partículas de até 10 micrómetros (PM10), indicam uma aproximação da pluma de poeiras ao território nacional. Contudo, é fundamental realçar que o grau de incerteza associado a esta previsão permanece elevado. A evolução exata deste fenómeno depende, em grande medida, da posição e da intensidade de uma depressão atmosférica que se irá desenvolver a sudoeste da Península Ibérica. Pequenas alterações na trajetória ou na profundidade desta depressão podem ter impactos significativos na extensão geográfica e na densidade das poeiras que eventualmente atingirão Portugal. Esta sensibilidade exige uma atenção redobrada aos boletins meteorológicos e às atualizações, uma vez que o cenário é propenso a ajustamentos até ao último momento. A saúde pública é uma preocupação, dado que estas partículas podem ser inaladas, afetando a qualidade do ar.

A “correia transportadora” de partículas

A mecânica por trás da intrusão das poeiras do Saara em Portugal está intrinsecamente ligada à dinâmica da referida depressão atmosférica. Caso esta depressão gere um fluxo de sul ou sudeste nos níveis médios da atmosfera, um cenário bastante provável, as condições serão ideais para o transporte das partículas. Este fluxo atmosférico funciona como uma espécie de “correia transportadora”, arrastando consigo as poeiras finas do deserto do Saara, no Norte de África, em direção à Península Ibérica e, consequentemente, a Portugal. As poeiras, uma vez em suspensão, podem percorrer milhares de quilómetros, influenciando a qualidade do ar e a visibilidade em regiões distantes da sua origem. A intensidade do fluxo e a sua persistência determinarão não só a quantidade de poeiras transportadas, mas também a duração do episódio no território português. Se o fluxo for particularmente forte e sustentado, as concentrações de PM10 poderão atingir níveis mais elevados, com impactos mais notórios. A ocorrência deste tipo de fenómeno tem vindo a ser estudada com mais detalhe, evidenciando a interconexão dos sistemas climáticos globais e a necessidade de monitorização ambiental contínua.

A cronologia da intrusão: impactos previstos

Segunda-feira: o Sul na mira inicial

A primeira fase deste episódio de poeiras saarianas deverá manifestar-se durante a segunda-feira, 2 de outubro. Na parte da manhã, as concentrações mais elevadas de PM10 deverão permanecer confinadas à região a sul da Península Ibérica. Em Portugal, os valores de partículas em suspensão são esperados para se manterem relativamente moderados nas primeiras horas do dia. Contudo, a situação poderá começar a mudar a partir do período da tarde. Caso o fluxo meridional, ou seja, o fluxo de ar vindo do sul, se intensifique, será expectável uma aproximação gradual da pluma de poeiras às regiões do Algarve e do Baixo Alentejo. Entre as 15:00 e as 21:00 horas, é projetado um aumento progressivo das concentrações de partículas no sul do território continental. Cenários mais específicos sugerem que, se a depressão se posicionar ligeiramente mais a oeste do que o inicialmente previsto, o transporte de poeiras poderá intensificar-se ainda mais e estender-se, durante a noite, até ao interior da região Centro. Pelo contrário, se a depressão mantiver uma posição mais a leste, o impacto poderá permanecer mais limitado às regiões meridionais. Em qualquer um destes cenários, os céus poderão adquirir um aspeto mais turvo, e a qualidade do ar poderá sofrer uma degradação temporária, especialmente nas áreas mais diretamente expostas ao fenómeno, com implicações para a saúde pública.

Terça-feira: expansão potencial e “chuva de lama”

A madrugada e a manhã de terça-feira, 3 de outubro, apresentam um cenário potencialmente mais abrangente para a intrusão das poeiras do Saara. Alguns modelos de previsão sugerem uma possível expansão da pluma de partículas sobre uma área maior de Portugal continental. A região Centro poderá vir a ser a mais exposta a concentrações elevadas, não se excluindo a ocorrência de episódios pontuais de poeiras no Norte do país. A extensão e a intensidade nestas regiões mais a norte dependerão, sobretudo, da rotação do fluxo em altitude, um fator que pode direcionar as partículas para diferentes áreas. Ao longo da tarde de terça-feira, a evolução da depressão a sudoeste da Península Ibérica continuará a ser o elemento fulcral para a dinâmica das poeiras. Um ligeiro desvio na sua trajetória poderá tanto favorecer uma redistribuição das partículas em suspensão por outras áreas, como iniciar um processo gradual de dispersão, atenuando o fenómeno. Adicionalmente, caso ocorram aguaceiros durante este período, poderá verificar-se um fenómeno particular: a deposição de poeiras à superfície, vulgarmente conhecido como “chuva de lama”. Esta ocorrência resulta da mistura das partículas em suspensão com as gotas de chuva, que ao caírem depositam as poeiras no solo, em veículos ou em outras superfícies, deixando uma camada avermelhada ou amarelada característica, um indicativo visível da passagem deste ar vindo do deserto.

Sensibilidade das previsões e considerações finais

Ajustes de última hora e a evolução dos centros de ação

A previsão de intrusão de poeiras do Saara em Portugal entre segunda e terça-feira é um exemplo claro da natureza dinâmica e, por vezes, volátil das previsões meteorológicas. Inicialmente, as projeções indicavam que este fenómeno poderia ocorrer já no domingo. No entanto, uma reorganização complexa da circulação atmosférica acabou por alterar o padrão de transporte previsto, deslocando o potencial impacto para o início da semana. Este tipo de alteração sublinha a extrema sensibilidade deste cenário meteorológico a pequenos desvios nos centros de ação e nos fluxos atmosféricos. As próximas atualizações dos modelos de previsão serão cruciais para confirmar, atenuar ou, eventualmente, redefinir o impacto esperado em Portugal. É imperativo que as autoridades e a população em geral permaneçam atentas aos boletins meteorológicos, especialmente aqueles que fornecem dados sobre a qualidade do ar, uma vez que as concentrações de PM10 podem ter implicações para a saúde respiratória, particularmente em grupos mais vulneráveis como crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crónicas. A monitorização contínua das condições atmosféricas permitirá uma melhor preparação e resposta a este evento natural, minimizando os potenciais inconvenientes e riscos associados.

Fonte: https://www.tempo.pt

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