A população de lince ibérico registou um crescimento notável na última década, facto que demonstra o sucesso dos esforços de conservação. No entanto, a espécie continua classificada como ameaçada, alertam especialistas. Este alerta foi proferido por Javier Salcedo, coordenador do programa de conservação LIFE Lynx Connect, que tem acompanhado de perto a evolução da população da espécie.
O aumento significativo no número de linces ibéricos é o resultado de uma combinação de fatores, incluindo a gestão do habitat, a melhoria da disponibilidade de presas, como o coelho-bravo, e a implementação de programas de reprodução em cativeiro e posterior reintrodução na natureza. Estas medidas visam aumentar a variabilidade genética e expandir a área de distribuição da espécie, que outrora se restringia a pequenas áreas na Península Ibérica.
Apesar do progresso evidente, a situação do lince ibérico exige vigilância constante e a continuação das medidas de conservação. A fragmentação do habitat, a mortalidade causada por atropelamentos e a persistência de ameaças como o declínio das populações de coelho-bravo, principal fonte de alimento do lince, continuam a representar desafios significativos para a sua sobrevivência a longo prazo.
O programa LIFE Lynx Connect tem desempenhado um papel crucial na coordenação de esforços entre diferentes entidades e países, unindo cientistas, gestores de áreas protegidas e comunidades locais num objetivo comum: a recuperação do lince ibérico. Através da monitorização constante das populações, da implementação de medidas para mitigar as ameaças e da sensibilização do público para a importância da conservação da espécie, o programa contribui para garantir um futuro mais seguro para este felino emblemático da Península Ibérica.
Os especialistas sublinham que o sucesso alcançado até agora não deve levar a complacência. É fundamental manter o investimento em investigação, conservação e gestão do habitat, de forma a assegurar que o lince ibérico continue a prosperar e a desempenhar o seu papel no ecossistema. O futuro da espécie depende da continuidade do trabalho em curso e da capacidade de adaptar as estratégias de conservação às novas ameaças que possam surgir.
Fonte: www.theportugalnews.com