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Portugal continental enfrenta frio polar e neve antes do regresso da chuva

Por Portugal 24 Horas

Portugal continental prepara-se para uma notável transição nas suas condições meteorológicas nos primeiros dias de janeiro. Após um início de ano marcado pela instabilidade, o país assistiu a uma viragem para um episódio de frio polar intenso, com geadas abrangentes e quedas de neve pontuais em altitudes elevadas. Esta dinâmica climática, que moldou a atmosfera de grande parte do território, promete evoluir significativamente a meio da semana. De um cenário dominado por temperaturas negativas e céus limpos, o foco desloca-se para a aproximação de frentes atlânticas, que trarão consigo o regresso da precipitação e a intensificação do vento. Esta análise detalhada explora as diferentes fases desta evolução meteorológica, desde o pico do frio até à chegada de massas de ar mais húmidas, oferecendo uma perspetiva completa do panorama climático para os próximos dias.

O domínio do frio polar e da neve

A chegada da massa de ar polar e as primeiras neves

Os primeiros dias de janeiro foram marcados por uma instabilidade inicial, mas o verdadeiro ponto de viragem ocorreu durante a noite de domingo, dia 4, para segunda-feira, dia 5. A partir das 23:00 de domingo e estendendo-se até à 01:00 de segunda-feira, uma massa de ar de origem polar fez-se sentir de forma expressiva sobre Portugal continental. Esta entrada de ar gélido resultou na queda de neve em regiões emblemáticas como o distrito da Guarda e a Serra da Estrela, sinalizando o início de um período de frio severo. A manhã de segunda-feira, dia 5, acordou com um arrefecimento drástico, impondo temperaturas negativas em grande parte do interior Norte e Centro do país. As mínimas registaram valores entre os -7 °C e os 0 °C nessas áreas, com o litoral a escapar a estas temperaturas extremas devido à influência oceânica, que moderou o impacto do frio. Apesar da presença de sol e da ausência de chuva, as temperaturas máximas permaneceram modestas, variando entre os 4 °C e os 10 °C no Norte, 0 °C e 9 °C no Centro, e os 7 °C e 14 °C no Sul.

Manutenção do cenário gélido e geadas intensas

O cenário gélido que se estabeleceu no início da semana persistiu, com a manhã de segunda-feira a concentrar o frio mais intenso no interior Norte e Centro. Nestas regiões, as temperaturas negativas foram generalizadas, com os valores mínimos a descer até aos -7 °C nas áreas mais elevadas. Em contraste, as faixas costeiras mantiveram-se mais amenas, usufruindo da influência marítima que atenuava a intensidade do arrefecimento. Este padrão meteorológico de frio e geada intensa repetiu-se na terça-feira. A manhã foi caracterizada por geadas abrangentes e um céu maioritariamente limpo, proporcionando paisagens brancas em muitas localidades. Contudo, esta estabilidade gélida começou a mostrar sinais de mudança a partir da tarde de terça-feira, quando a cobertura nublosa iniciou um aumento gradual, um prelúdio para as alterações que se avizinhavam nos dias seguintes. A atmosfera manteve-se sob a forte influência do ar polar, garantindo que o frio continuasse a ser a tónica dominante em todo o território continental.

Transição para um clima mais húmido e ameno

Frio fronteiriço e a persistência da neve em pontos altos

A meio da semana, mais precisamente na quarta-feira, dia 7, a dinâmica meteorológica em Portugal continental apresentou uma complexidade adicional. Durante a madrugada e a manhã, os modelos de previsão indicavam a possibilidade de neve fraca nas zonas montanhosas dos distritos de Braga e Vila Real, especialmente por volta das 08h. Contudo, estas ocorrências de neve não deveriam resultar em acumulações relevantes, representando mais uma persistência residual das condições gélidas anteriores. Um dos aspetos mais marcantes deste dia foi a distribuição das temperaturas mínimas. Valores muito baixos afetaram toda a região raiana, estendendo-se desde Trás-os-Montes até ao Alentejo, acompanhando a fronteira com Espanha. Esta distribuição térmica, marcada por temperaturas negativas ao longo de grande parte da fronteira leste, desde o Nordeste Transmontano ao Alentejo interior, refletiu a persistência do ar frio de origem polar. Adicionalmente, pôde registar-se chuva residual muito fraca ao longo da faixa litoral norte, centro e sul, um indício da aproximação de massas de ar mais húmidas que culminariam numa mudança significativa.

O regresso da chuva e a influência do rio atmosférico

A partir de quinta-feira, dia 8, a estabilidade anticiclónica que caracterizou os dias anteriores em Portugal continental chegou ao fim, dando lugar a uma nova fase meteorológica. Este ponto de viragem foi impulsionado pela aproximação de um “rio atmosférico”, um corredor de humidade que transporta grandes quantidades de vapor de água. Este sistema foi o responsável pelo regresso da chuva generalizada a todo o território continental, marcando o fim do período de frio mais intenso e seco. Na sexta-feira, este corredor de humidade manteve-se ativo, podendo provocar períodos de precipitação mais contínua e abrangente, embora sem que se previssem fenómenos de carácter severo. A presença de um jato polar bem definido desempenhou um papel crucial neste cenário, canalizando eficazmente a humidade em direção ao continente europeu. Concomitantemente, o vento intensificou-se pontualmente, em particular no litoral norte, um sinal adicional da alteração das massas de ar. As temperaturas, por sua vez, tenderam a recuperar ligeiramente, assinalando o enfraquecimento temporário do frio polar e a transição para um clima mais ameno e húmido.

Perspetivas para o final da primeira semana de janeiro

A primeira semana de janeiro em Portugal continental revelou-se um período de notáveis contrastes meteorológicos. De um início dominado pelo frio polar e pela queda de neve em altitudes elevadas, com geadas intensas e temperaturas negativas a marcarem o interior, o país assistiu a uma transição gradual para condições mais amenas e húmidas. O regresso da chuva generalizada, impulsionado pela aproximação de um rio atmosférico e pela influência de um jato polar bem definido, marca o fim da estabilidade anticiclónica e o início de um período com mais precipitação. Embora o frio polar tenha mostrado sinais de enfraquecimento temporário com a subida das temperaturas, a dinâmica de sistemas atlânticos promete manter um cenário meteorológico ativo. A intensificação do vento em algumas regiões, nomeadamente no litoral norte, complementa o quadro de alterações, preparando o território para os padrões típicos de inverno que se avizinham, com o Atlântico a exercer uma influência crescente sobre a Península Ibérica.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quando se prevê o fim do período de frio intenso em Portugal continental?
O período de frio mais severo, caracterizado por geadas intensas e temperaturas negativas, deverá começar a atenuar-se a partir de quinta-feira, dia 8 de janeiro, com a subida gradual das temperaturas e o regresso da precipitação.

Onde ocorrerão as maiores quedas de neve em Portugal continental?
As quedas de neve mais significativas e com potencial para acumulação foram observadas no distrito da Guarda e na Serra da Estrela no início da semana. Na quarta-feira, dia 7, houve a possibilidade de neve fraca nas zonas montanhosas de Braga e Vila Real, mas sem se esperarem acumulações relevantes.

Haverá chuva generalizada em Portugal continental?
Sim, a partir de quinta-feira, dia 8 de janeiro, com a aproximação de um rio atmosférico e o fim da estabilidade anticiclónica, prevê-se o regresso da chuva generalizada a todo o território continental, mantendo-se ativa, e potencialmente contínua, na sexta-feira.

Para se manter sempre atualizado sobre as condições meteorológicas em Portugal continental, siga as nossas previsões e esteja preparado para as mudanças no estado do tempo.

Fonte: https://www.tempo.pt

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