Portugal continental encontra-se sob um cenário de alerta contínuo devido à passagem da tempestade Marta, que tem provocado instabilidade meteorológica significativa em várias regiões do país. A combinação de chuva persistente, ventos fortes e solos já saturados criou condições propícias para a ocorrência de cheias e inundações, mantendo a população e as autoridades em estado de vigilância. Embora o período mais crítico da tempestade Marta tenha sido registado na manhã deste sábado, 7 de fevereiro, a situação permanece instável, especialmente no Sul, onde o risco hidrológico é mais elevado. As previsões apontam para a continuação de precipitação e vento nas próximas horas e dias, dificultando a normalização dos caudais dos rios e ribeiras em território nacional, sublinhando a necessidade de precaução.
A persistência da tempestade Marta no sábado
A influência da tempestade Marta, cujo núcleo atravessa o território continental de oeste para leste, manteve Portugal sob um regime de tempo adverso durante todo o sábado, 7 de fevereiro. Apesar de o pico da intensidade ter sido observado durante a manhã, a tarde e a noite trouxeram consigo a manutenção de condições meteorológicas exigentes, com particular destaque para o Sul do país. A atmosfera permaneceu carregada de humidade e o vento um fator constante de preocupação, contribuindo para um cenário de risco agravado que exigiu atenção redobrada das populações e das equipas de proteção civil.
Chuva e vento intensos no Sul
As primeiras horas da tarde foram particularmente desafiadoras para a região do Algarve, que registou acumulados horários de precipitação localmente superiores a 8 mm. Esta precipitação moderada, por vezes persistente, contribuiu para agravar a saturação dos solos e aumentar o risco de inundações em áreas já vulneráveis, especialmente em bacias hidrográficas mais pequenas e de resposta rápida. Paralelamente, o vento constituiu um fator de risco considerável, com rajadas que puderam exceder os 95 km/h. As zonas do litoral algarvio e da costa sudoeste foram as mais fustigadas por este fenómeno, com o vento a enfraquecer gradualmente apenas ao anoitecer. A conjunção destes dois elementos, chuva e vento, exigiu prudência redobrada por parte dos habitantes e visitantes da região, face à possibilidade de quedas de árvores, danos em infraestruturas e dificuldades na circulação rodoviária.
Extensão da instabilidade ao Centro e Norte
À medida que o centro depressivo associado à tempestade Marta progredia para leste, a precipitação ganhou uma nova dimensão nos distritos costeiros do Centro e do Norte. Localidades como Leiria, Caldas da Rainha, Aveiro, Porto e Braga experienciaram chuva moderada que marcou o final do dia e o início da noite. As autoridades alertaram para a possibilidade de acumulação de água em vias urbanas e para a dificuldade de escoamento em áreas com menor capacidade de drenagem. No entanto, foi o vento que se manteve como um dos principais fatores de risco nesta fase, sobretudo ao longo de toda a faixa litoral a norte de Lisboa. As rajadas de vento, segundo o modelo europeu, mantiveram-se fortes, oscilando entre os 65 e os 80 km/h, com maior exposição nas zonas costeiras e em áreas mais elevadas, onde a orografia amplifica o efeito do vento. A passagem do núcleo depressivo intensificou as correntes de ar, mantendo um cenário de alerta para a navegação costeira e para as estruturas em terra, face à potencial ocorrência de galhos e detritos arrastados pelo vento.
Uma breve pausa e o regresso da instabilidade no domingo
O domingo, 8 de fevereiro, trouxe um alívio temporário nas condições meteorológicas, marcando um período de relativa acalmia após a intensidade da tempestade Marta. Contudo, esta trégua revelou-se passageira, com a instabilidade a manifestar-se novamente ao longo do dia, embora com menor severidade. Este padrão meteorológico sublinhou a natureza imprevisível do inverno português, exigindo uma vigilância contínua e adaptabilidade face às mudanças repentinas.
Amanhecer mais calmo, mas efémero
Durante a madrugada de domingo, registaram-se ainda alguns aguaceiros fracos e dispersos por várias partes do território. No entanto, estes fenómenos tendem a desaparecer pela manhã, proporcionando um período de tempo mais seco e permitindo que as águas comecem a escoar em algumas regiões. Esta melhoria pontual permitiu um breve desafogo, especialmente para as zonas mais afetadas, dando algum tempo para a descida de caudais em rios e ribeiras. No entanto, as autoridades mantiveram a atenção alta, cientes da imprevisibilidade do clima invernal e da saturação dos solos, que continuava a ser um fator de preocupação.
O retorno da precipitação e temperaturas de inverno
No decorrer da tarde de domingo, a chuva fraca voltou a abranger grande parte do território continental, sinalizando que a instabilidade atmosférica ainda não tinha abandonado completamente a região. Embora não se esperassem volumes de precipitação tão significativos como os do sábado, esta persistência da chuva continuou a dificultar o escoamento e a manter o alerta para o risco hidrológico. As temperaturas, ao longo de todo o período em análise, mantiveram-se dentro dos valores típicos de inverno, sem oscilações significativas que pudessem indicar uma mudança drástica. As mínimas no domingo situaram-se entre os 5 e 7 ºC nas regiões do Norte, entre 6 e 8 ºC no Centro e entre 8 e 11 ºC no Sul. As máximas, por sua vez, variaram entre os 8 e 14 ºC no Norte, 6 e 14 ºC no Centro e 9 e 17 ºC no Sul. A sensação térmica pôde ser inferior aos valores registados, principalmente nas zonas mais expostas ao vento e durante os períodos de precipitação, mantendo um ambiente genuinamente invernal em Portugal, que se fazia sentir com intensidade.
O desafio da chuva persistente e o risco hidrológico contínuo
Os dias seguintes à passagem mais intensa da tempestade Marta continuam a apresentar desafios significativos, particularmente no que concerne à gestão dos caudais dos rios e ribeiras e ao risco de inundações. A instabilidade atmosférica persistente, com períodos de chuva fraca a moderada, previstos para segunda e terça-feira, poderá dificultar a recuperação dos sistemas hidrológicos e prolongar o estado de alerta em diversas áreas.
Impacto nos níveis hidrométricos e solos saturados
Mesmo sem a expectativa de episódios de precipitação extrema, os acumulados adicionais de chuva, por mais modestos que sejam, podem atrasar a descida dos níveis hidrométricos. Os solos, já significativamente saturados pela precipitação contínua dos dias anteriores, têm uma capacidade de absorção muito reduzida, o que significa que qualquer volume de água adicional se converte rapidamente em escoamento superficial. Este cenário é particularmente preocupante em bacias e zonas ribeirinhas que já se encontram em estado de sensibilidade elevada, onde a margem para absorver mais água é praticamente inexistente. A vigilância é, portanto, crucial para prevenir o transbordo de cursos de água e potenciais inundações em áreas urbanas e agrícolas, bem como deslizamentos de terras em encostas instáveis.
Zonas de risco identificadas e a influência da maré
Entre as áreas geográficas que exigem um acompanhamento especial, destacam-se as bacias hidrográficas do Tejo e do Sorraia, que tradicionalmente apresentam vulnerabilidade a cheias devido à sua extensão e características topográficas, acumulando grandes volumes de água que demoram a escoar. Além destas, troços do rio Douro e várias ribeiras da região Centro, como Vouga, Águeda, Mondego, Lis e Sado, estão sob observação apertada, dado o histórico de inundações e a proximidade a áreas povoadas. No Sul do país, nomeadamente no Baixo Guadiana e no Algarve, a complexa interação entre caudais elevados e a influência da maré alta pode agravar significativamente a situação em algumas zonas ribeirinhas, especialmente durante as marés vivas. A confluência destas forças naturais pode provocar subidas rápidas e imprevisíveis dos níveis da água, condicionando a circulação e colocando em risco populações e infraestruturas próximas dos cursos de água, exigindo a pronta resposta das autoridades locais. A monitorização contínua destes pontos críticos é indispensável para a segurança pública e para a coordenação eficaz das ações de prevenção e socorro.
Vigilância contínua face à persistência da instabilidade
Portugal continental permanece num estado de vigilância, mesmo após a passagem do período mais intenso da tempestade Marta. A persistência de condições atmosféricas instáveis, com chuva contínua e solos saturados, mantém um elevado risco de cheias e inundações em várias regiões. É fundamental que a população se mantenha informada através dos canais oficiais e adote comportamentos de precaução, especialmente nas zonas mais vulneráveis a cheias e deslizamentos de terra. A monitorização atenta dos níveis dos rios e ribeiras, bem como a antecipação de eventuais novos episódios de precipitação, são cruciais para a mitigação de riscos e para a proteção de vidas e bens em todo o território nacional. A resposta coordenada das autoridades e a colaboração cívica são essenciais para enfrentar os desafios que as próximas horas e dias ainda possam trazer, assegurando a segurança e bem-estar de todos.
Fonte: https://www.tempo.pt