Portugal continental e os Açores preparam-se para enfrentar uma semana de condições meteorológicas extremas, sob a influência de um “comboio” de tempestades e frentes atlânticas. Este cenário, caracterizado por mau tempo em Portugal, promete trazer chuva forte e generalizada, ventos intensos com rajadas significativas, queda de neve em cotas mais elevadas e uma agitação marítima particularmente agreste. As autoridades meteorológicas já emitiram diversos avisos, incluindo de nível laranja e vermelho, sublinhando a gravidade da situação e a necessidade de precaução. A origem desta instabilidade reside numa configuração sinóptica no Atlântico Nordeste, que posiciona o nosso país no trajeto de um fluxo contínuo de sistemas de baixa pressão. Este panorama de mau tempo em Portugal não se limita aos próximos dias, prevendo-se a sua extensão até ao início de fevereiro.
A iminência de um cenário meteorológico adverso
Sistemas de baixa pressão e avisos do IPMA
Nos próximos dias, a geografia portuguesa encontra-se sob a influência de um conjunto de sistemas de baixa pressão que se desenvolvem no Atlântico Nordeste, antecipando um cenário meteorológico particularmente desafiante. As baixas pressões “Joseph” e “Chandra”, juntamente com uma terceira tempestade, ainda sem nome oficial mas com potencial para um desenvolvimento explosivo a oeste do Porto, são os principais motores desta instabilidade atmosférica. Esta última, que poderá vir a ser designada como “Kristin”, prevê-se que se intensifique drasticamente na transição de terça para quarta-feira (27 para 28 de janeiro), gerando condições meteorológicas extremas em todo o território nacional.
Perante esta situação de risco iminente, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) já acionou diversos avisos de níveis laranja e vermelho para diferentes distritos. O vento assume-se como uma das maiores preocupações, com a expectativa de rajadas excecionalmente fortes que podem causar perturbações significativas. Contudo, a queda de neve em altitudes mais elevadas, especialmente nas regiões do Norte e Centro, e a agitação marítima severa ao longo da costa ocidental são igualmente elementos de risco elevado que requerem máxima atenção. A madrugada de quarta-feira, 28 de janeiro, é apontada pelos especialistas como o período mais crítico deste temporal, que trará chuva abundante, vendavais, neve considerável e um mar particularmente revolto, testando a resiliência das infraestruturas e a capacidade de resposta das populações.
Previsão detalhada de chuva, vento e neve
Impacto regional e acumulações de precipitação
A análise dos modelos meteorológicos aponta para a persistência da chuva em Portugal continental durante mais alguns dias, resultado da sucessão de ondulações frontais que continuarão a atingir o país. A formação e o desenvolvimento explosivo da baixa pressão a oeste do Porto provocarão chuva abundante e generalizada, que se manifestará sob a forma de neve acima dos 600 a 800 metros de altitude nas regiões do Norte e Centro, devido à interação da frente com uma massa de ar polar mais fria. As zonas de montanha nestas regiões deverão registar acumulações significativas de neve fresca.
O vento será, sem dúvida, um dos fenómenos mais intensos e perigosos. Prevê-se que atinja o seu pico na madrugada de quarta-feira (28), entre as 03:00 e as 06:00, com rajadas que poderão superar os 140 km/h nas áreas mais expostas. Distritos como Braga, Porto, Aveiro, Viseu, Coimbra e Guarda estão atualmente sob aviso vermelho para vento extremo, e não se exclui a possibilidade de alargamento destes avisos a outras regiões do país, dada a dimensão e força do vendaval esperado. Adicionalmente, um “rio de humidade” com origem nas Caraíbas atingirá o nosso país ao longo da semana, contribuindo para intensificar ainda mais os volumes de precipitação.
As acumulações de chuva serão particularmente elevadas no Noroeste de Portugal, tornando-o numa das regiões mais chuvosas de toda a Europa nos próximos dias. As últimas atualizações dos modelos europeus indicam valores a rondar os 200 mm nas zonas mais expostas das serras do Minho, Alto Tâmega e Barroso até à meia-noite de segunda-feira, 2 de fevereiro. Em vastas zonas dos distritos de Viana do Castelo, Braga e Vila Real, as acumulações poderão facilmente ultrapassar os 150-200 mm, com valores semelhantes ou ligeiramente inferiores previstos para grande parte dos distritos do Porto, Aveiro e Viseu. O Porto, em particular, poderá registar quase 20 mm de chuva em apenas seis horas, acompanhado de rajadas de até 130 km/h.
Nas zonas mais expostas dos distritos de Coimbra, Guarda e Castelo Branco, também se prevê a possibilidade de acumulações significativas, em torno dos 120-180 mm. Distritos como Leiria, Portalegre e algumas áreas de Santarém e Bragança registarão entre 100 e 150 mm em vastas zonas. Nas regiões a sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, embora as acumulações previstas sejam inferiores devido ao efeito orográfico, ainda assim serão muito significativas. Algumas zonas do Alentejo e do distrito de Lisboa registarão entre 80 e 100 mm. No geral, os valores de precipitação acumulada das regiões a sul do rio Tejo serão iguais ou inferiores a 75 mm. O distrito de Faro será um dos menos afetados, com registos que poderão ir até 60 mm, mas nas partes mais expostas, sobretudo no Barlavento algarvio, os valores podem somar até 90 mm.
Consequências e perspetivas futuras
Este período de intensa instabilidade meteorológica em Portugal continental, impulsionado por um “comboio” de tempestades atlânticas e o desvio do jato polar para sul, promete prolongar-se até ao início de fevereiro. A repetição de frentes e sistemas de baixa pressão manterá o país sob um regime de chuva persistente, vento forte e queda de neve nas serras do Norte e Centro, numa sequência de fenómenos meteorológicos que se assemelha a um ciclo vicioso.
Os riscos associados a este cenário são consideráveis e exigem a máxima prudência por parte da população e das autoridades. A saturação dos solos, combinada com os elevados volumes de precipitação que se preveem, aumenta significativamente a probabilidade de ocorrência de inundações em zonas urbanas e de alagamentos em áreas mais baixas. Adicionalmente, o aumento do caudal de rios e ribeiras pode levar a cheias, que poderão ser significativas nas regiões onde é provável que chova mais. O derretimento da neve acumulada, em consequência de eventuais subidas de temperatura ou da própria chuva, agravaria ainda mais estes riscos de escoamento e de sobrecarga dos sistemas de drenagem. A monitorização contínua dos avisos e a rápida resposta das autoridades são, portanto, essenciais para mitigar os impactos desta série de fenómenos meteorológicos adversos, que configuram, sem dúvida, um período de instabilidade excecional.
Perguntas Frequentes
1. Quais são os principais fenómenos meteorológicos que afetarão Portugal esta semana?
Portugal será fustigado por chuva forte e generalizada, vento intenso com rajadas que podem ultrapassar os 140 km/h, queda de neve nas serras do Norte e Centro, e agitação marítima severa ao longo da costa ocidental.
2. Que distritos estão sob maior alerta para vento extremo?
Os distritos de Braga, Porto, Aveiro, Viseu, Coimbra e Guarda estão sob aviso vermelho para vento, com a possibilidade de este aviso ser alargado a outras regiões, dada a magnitude do vendaval esperado.
3. Quais as regiões com maior acumulação de precipitação esperada?
O Noroeste de Portugal, incluindo as serras do Minho, Alto Tâmega e Barroso, e distritos como Viana do Castelo, Braga e Vila Real, serão os mais chuvosos, com acumulações que podem ultrapassar os 200 mm. Porto, Aveiro e Viseu também terão volumes muito elevados.
4. Quais os riscos principais associados a estas tempestades?
Os riscos incluem inundações em áreas urbanas, alagamentos, cheias em rios e ribeiras devido à saturação dos solos e ao derretimento da neve, além de potenciais danos causados pelo vento forte e pela agitação marítima.
Para informações atualizadas e em tempo real sobre a evolução do estado do tempo e os avisos em vigor, consulte os canais oficiais do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e siga as recomendações das autoridades de proteção civil para garantir a sua segurança e a dos seus bens.
Fonte: https://www.tempo.pt