Início » Portugal prepara-se para transição de tempo com ar tropical atlântico

Portugal prepara-se para transição de tempo com ar tropical atlântico

Por Portugal 24 Horas

A previsão meteorológica para Portugal continental indica uma reviravolta significativa nas condições climáticas nos próximos dias. Depois de ter experienciado a influência da depressão Goretti, que trouxe consigo uma massa de ar polar marítimo, caracterizada pelo frio, humidade e, em altitudes mais elevadas, alguns aguaceiros de neve, o país prepara-se agora para receber um fluxo atmosférico de natureza completamente distinta. Uma depressão profunda, a formar-se a oeste da Península Ibérica, será a responsável por arrastar uma massa de ar tropical marítimo, prometendo dias com temperaturas mais amenas e precipitação abundante em várias regiões. Esta mudança drástica na circulação atmosférica é um dos fenómenos que captam a atenção dos especialistas em clima.

Da influência polar à chegada de um fluxo tropical

A despedida do ar frio de Goretti

Recentemente, Portugal continental esteve sob o domínio da depressão Goretti, um sistema ciclónico que sofreu um processo de ciclogénese explosiva. Embora a tempestade mais perigosa tenha evitado a Península Ibérica, afetando principalmente a França, o sul do Reino Unido e outros países europeus, a sua frente fria associada trouxe a Portugal o tempo típico de inverno. Chuva generalizada e, pontualmente, aguaceiros de neve com acumulação residual e restrita a altitudes acima dos 1000/1200 metros foram as características marcantes desta fase, que agora dá lugar a um cenário atmosférico radicalmente oposto.

Uma viagem transatlântica: o ar tropical que se aproxima

A configuração sinóptica prevista para o arranque da próxima semana tem uma origem invulgarmente distante, a mais de 4000 km de Portugal continental. A massa de ar tropical marítimo que se aproxima é procedente das Caraíbas e do Golfo do México, uma região conhecida pelas suas águas quentes – com temperaturas à superfície na ordem dos 26 ºC, ideais para alimentar sistemas atmosféricos robustos. Todos os cenários de previsão apontam para que uma depressão muito cavada se estabeleça a oeste de Portugal continental a partir do próximo domingo, dia 11 de janeiro, e com maior intensidade durante a segunda-feira, dia 12. Uma vez instalada, esta baixa pressão irá impulsionar um fluxo de sul e sudoeste, arrastando consigo esta massa de ar tropical, húmida e amena, que afetará não só Portugal mas também Espanha e vários outros países da Europa Ocidental, marcando uma transição notável no padrão meteorológico.

Impacto nas temperaturas e precipitação no continente

Subida temporária dos termómetros

A presença desta massa de ar tropical marítimo sobre Portugal continental provocará uma subida significativa das temperaturas. Embora não se prevejam valores extremos, os registos apontam para temperaturas entre 1 ºC e 5 ºC acima dos valores médios de referência para o mês de janeiro. Este aumento será particularmente notório nas temperaturas mínimas e sentir-se-á com maior acentuação no interior Norte e na região de Lisboa e Vale do Tejo, especialmente no domingo, dia 11, e na segunda-feira, dia 12. Contudo, esta anomalia térmica positiva será provavelmente de curta duração. À medida que a depressão for avançando e perder a sua força, o ar mais quente abandonará a nossa geografia. Graças à baixa insolação atmosférica característica da estação invernal, o país voltará a arrefecer, desenvolvendo a sua própria massa de ar frio continental, um fenómeno para o qual a Península Ibérica funciona como um “mini-continente”, até que o próximo sistema perturbador nos afete novamente.

Chuva generalizada e intensificada

Com o estabelecimento da situação sinóptica descrita, a precipitação será outro elemento climático de destaque na meteorologia da próxima semana, assumindo a forma de chuva abundante. A probabilidade e frequência da chuva serão maiores nas regiões a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela. A intensidade da precipitação será particularmente elevada nos distritos situados a oeste da Barreira de Condensação e na zona da Serra da Estrela. De acordo com os mapas de referência, as áreas mais afetadas incluem Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Guarda e os setores ocidentais de Vila Real e Viseu. Adicionalmente, prevê-se um novo episódio de precipitação generalizada na próxima terça-feira, dia 13 de janeiro, devido à passagem de uma frente fria atlântica. Contudo, para as regiões mais centrais e meridionais do país, persiste ainda uma considerável incerteza na distribuição e intensidade da precipitação, o que exige um acompanhamento atento da evolução dos modelos.

Cenários futuros e a dinâmica atlântica

Perspetivas a médio e longo prazo

Neste momento, o horizonte temporal da previsão não permite determinar com exatidão a evolução da situação sinóptica após a passagem desta depressão e da frente fria associada. No entanto, a maioria dos cenários modelados aponta para um possível reforço do fluxo zonal, ou seja, dos ventos de Oeste, em baixa latitude. Esta tendência, caso se confirme, colocaria Portugal continental na rota preferencial de mais frentes e depressões provenientes do Atlântico. Tal cenário implicaria que, após esta breve pausa com ar tropical, o país poderia enfrentar um período de maior instabilidade meteorológica, com a passagem frequente de sistemas atlânticos a trazerem consigo mais precipitação e ventos. A dinâmica do Atlântico continua a ser o principal motor das condições climáticas em Portugal, e a sua monitorização é crucial para antecipar os próximos capítulos do nosso tempo.

Perguntas frequentes sobre a mudança do tempo

Qual a origem da nova massa de ar que afetará Portugal continental?
A nova massa de ar, que trará condições mais amenas e húmidas, tem origem nas Caraíbas e no Golfo do México, atravessando o Atlântico até chegar à Península Ibérica.

Esta subida de temperaturas será duradoura?
Não, a subida de temperaturas, que pode atingir 1 a 5 ºC acima da média para janeiro, é temporária. Espera-se que as temperaturas voltem a descer à medida que a depressão perder força e o ar quente se afaste.

Onde se prevê a maior intensidade de chuva?
A maior intensidade de chuva é esperada nas regiões a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, com especial destaque para os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Guarda e os setores ocidentais de Vila Real e Viseu.

Quando é que se espera que este novo sistema afete Portugal?
O novo sistema, uma depressão cavada a oeste de Portugal, deverá começar a sentir-se a partir do próximo domingo, dia 11 de janeiro, e especialmente durante a segunda-feira, dia 12. Um novo episódio de chuva é esperado para terça-feira, dia 13.

Mantenha-se atualizado sobre as últimas previsões meteorológicas para o seu concelho e prepare-se para as mudanças no tempo.

Fonte: https://www.tempo.pt

Você deve gostar também