Portugal continental foi palco de um Natal invulgarmente gelado, com temperaturas a descer significativamente, especialmente nas regiões do interior. Após uma madrugada de 25 de dezembro que registou valores negativos marcantes, como os -3 °C no distrito de Castelo Branco, a semana prossegue sob o signo do frio intenso. Este cenário meteorológico adverso não se limita apenas às baixas temperaturas que se fazem sentir em grande parte do território. Os próximos dias antecipam uma complexa evolução climática, que incluirá a chegada de uma massa de ar siberiano, responsável pela madrugada mais gélida da semana, culminando num fim de semana com aguaceiros fortes, vento intenso e a esperada ocorrência de neve nas cotas mais elevadas da Serra da Estrela, exigindo precaução redobrada por parte da população face à instabilidade prevista.
Uma vaga de frio siberiano gela o país
Natal de geada e a madrugada mais fria da semana
A manhã de Natal, dia 25 de dezembro, foi marcada por um episódio de frio significativo em Portugal continental, com particular incidência nas regiões do interior norte e centro. No distrito de Castelo Branco, algumas localidades registaram temperaturas mínimas a rondar os -3 °C, nomeadamente nas Penhas da Saúde, transformando a paisagem em cenários de geada e gelo. Apesar do frio persistente ao longo do dia de Natal, sobretudo nas primeiras horas, houve a ocorrência de algumas abertas de sol, especialmente durante o início da tarde, que proporcionaram um breve alívio. As temperaturas máximas oscilaram entre os 7 e os 15 °C, sendo naturalmente mais baixas no interior e ligeiramente mais elevadas junto ao litoral. Contudo, a partir das 16h, a nebulosidade começou a aumentar gradualmente de sul para norte, deixando o céu mais carregado ao final do dia, embora sem precipitação associada neste período.
O período mais crítico desta vaga de frio está, no entanto, previsto para a madrugada de sexta-feira, dia 26. Este momento é antecipado como o mais gélido de toda a semana, prometendo condições meteorológicas extremas para grande parte do território. A descida abrupta das temperaturas noturnas exige que a população tome precauções adicionais, especialmente os grupos mais vulneráveis e aqueles que vivem em zonas com maior probabilidade de registar valores negativos. A intensidade do frio esperada para esta madrugada coloca um alerta particular sobre o impacto na saúde e na necessidade de proteger sistemas de água e outros equipamentos sensíveis à geada.
A invasão do “ar siberiano” e os seus efeitos
A responsável por esta intensificação do arrefecimento noturno é uma massa de ar continental, muito fria e seca, com origem na Europa de Leste, frequentemente apelidada de “ar siberiano”. Esta corrente de ar seco e gélido irá impulsionar uma descida acentuada das temperaturas mínimas, que poderão descer para valores próximos ou mesmo abaixo dos 0 °C em zonas próximas de Lisboa, uma ocorrência pouco comum para a capital. No Alentejo, várias localidades poderão registar 0 °C ou valores ligeiramente negativos durante a madrugada, acentuando o desconforto térmico.
O cenário é ainda mais severo nas regiões do interior norte e centro, onde são esperados valores entre -2 e -5 °C, sobretudo em vales e planaltos, áreas propícias à acumulação de ar frio. Estas condições meteorológicas significam que o frio será generalizado e intenso, com risco de geada em vastas áreas do país. Apesar deste frio extremo, a sexta-feira será um dia seco, sem probabilidade de chuva, o que, por um lado, afasta os riscos de precipitação congelante, mas, por outro, mantém uma sensação térmica bastante baixa, especialmente durante as primeiras horas da manhã. A combinação de ar seco e frio pode também aumentar o risco de gripes e constipações, aconselhando-se a hidratação e agasalho adequado.
Sábado traz mudança radical: chuva intensa e neve
A chegada da frente atlântica e as regiões mais afetadas
No sábado, dia 27, o cenário meteorológico mudará de forma significativa. Portugal continental será atingido por um novo sistema frontal que entrará no território pelo sudeste, junto ao Cabo de São Vicente. Este sistema afetará inicialmente o Algarve e o Alentejo durante a manhã, trazendo consigo uma alteração substancial nas condições climáticas. Ao longo do dia, a precipitação avançará gradualmente para as regiões de Lisboa, Santarém e, posteriormente, para o Centro do país.
O Algarve será a região mais afetada por esta frente, com acumulados diários que poderão ultrapassar os 25 mm, nomeadamente em locais como Faro e Tavira. Esta intensidade da chuva no sul pode levar a potenciais inundações rápidas em áreas urbanas e ribeirinhas, exigindo um estado de alerta por parte da população e das autoridades. Nas restantes regiões atingidas, a precipitação será mais fraca e irregular, mas ainda assim significativa o suficiente para molhar o solo e contribuir para uma sensação térmica mais húmida e fria.
Vento forte e a promessa de neve na serra
O dia 27 de dezembro ficará ainda marcado por rajadas de vento moderadamente fortes, que se farão sentir por todo o Portugal continental, mas com maior intensidade no litoral e nas terras altas. Em localidades costeiras como Caldas da Rainha, Leiria e Setúbal, as rajadas poderão ultrapassar os 65 km/h, enquanto nas terras altas da Serra da Estrela poderão atingir ou exceder os 70 km/h. Este vento forte, combinado com a chuva, aumentará a sensação de frio e poderá causar alguns constrangimentos, como a queda de ramos de árvores ou dificuldades na condução.
À medida que esta precipitação atinge a Serra da Estrela durante a noite de sábado, a interação com as temperaturas baixas — que se mantêm gélidas nas cotas mais elevadas — aumenta significativamente a probabilidade de queda de neve. A formação de flocos brancos é esperada nas partes mais altas da serra, oferecendo um espetáculo invernal, mas também exigindo precaução para quem planeia visitar a região, dada a possibilidade de acumulação e o consequente encerramento de estradas.
Persistência do frio e as previsões para o final de semana
O adeus à chuva, mas não ao gelo
No domingo, dia 28, a precipitação deverá novamente desaparecer do território continental, proporcionando uma trégua dos aguaceiros. O tempo voltará a ser seco, uma mudança bem-vinda após a intensidade da chuva de sábado. No entanto, o frio persistirá, especialmente durante a manhã, com temperaturas baixas a manterem-se nas regiões do Norte e Centro de Portugal. Embora o sol possa espreitar, o ar gélido continuará a fazer-se sentir, relembrando a todos a necessidade de vestuário adequado e de cuidados com a saúde.
Este padrão meteorológico, que combina um Natal gélido com uma semana de transição entre o frio extremo e a chegada da precipitação, sublinha a dinâmica e por vezes imprevisível natureza do clima em Portugal. A população é aconselhada a manter-se vigilante e informada através dos canais oficiais de meteorologia, adaptando os seus planos às condições atmosféricas que se prevêem exigentes, especialmente para quem reside ou se desloca pelas regiões mais afetadas pelo frio intenso, vento e potencial neve. A preparação para estas condições adversas é crucial para garantir a segurança e o bem-estar de todos neste final de ano.
Perguntas frequentes
Qual foi a temperatura mínima registada na manhã de Natal?
Na manhã de 25 de dezembro, a temperatura mínima registada foi de -3 °C no distrito de Castelo Branco, nomeadamente nas Penhas da Saúde.
O que é a “massa de ar siberiano” e quando se fará sentir mais intensamente?
É uma massa de ar continental muito fria e seca, originária da Europa de Leste. Far-se-á sentir mais intensamente na madrugada de sexta-feira, dia 26, tornando-a a mais fria da semana.
Que regiões de Portugal estarão sob maior risco de chuva forte no sábado?
No sábado, dia 27, o Algarve será a região mais afetada, com acumulados diários que podem ultrapassar os 25 mm, destacando-se locais como Faro e Tavira.
Existe previsão de neve em Portugal continental esta semana?
Sim, há probabilidade de queda de neve nas cotas mais elevadas da Serra da Estrela durante a noite de sábado, dia 27, devido à interação da precipitação com as baixas temperaturas.
Mantenha-se informado através das fontes oficiais de meteorologia para as atualizações mais recentes e siga as recomendações das autoridades de proteção civil.
Fonte: https://www.tempo.pt