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Portugal: temperaturas diurnas caem acentuadamente com chegada de ar polar

Por Portugal 24 Horas

Após um período de temperaturas diurnas amenas que proporcionou uma sensação primaveril em grande parte do território nacional, o cenário meteorológico em Portugal continental prepara-se para uma viragem abrupta e significativa. Espera-se uma descida acentuada das temperaturas máximas, sentida já a partir de hoje e com maior intensidade amanhã, sexta-feira, dia 27 de fevereiro. Esta alteração deve-se à aproximação de uma massa de ar polar, que trará consigo um ar mais frio e seco, pondo fim à estabilidade térmica dos últimos dias. A população deverá, por isso, preparar-se para um regresso a condições mais invernais, especialmente nas regiões do Centro e Norte do país, onde a queda será mais notória.

A viragem meteorológica iminente

O adeus ao tempo ameno e o pó do Saara

Os últimos dias foram marcados por um tempo relativamente agradável, com as temperaturas máximas a atingirem valores convidativos, chegando aos 23 ºC em diversas localidades das regiões Centro e Sul. Este clima, atipicamente quente para a época, proporcionou condições favoráveis para atividades ao ar livre. No entanto, o horizonte, apesar do céu geralmente limpo, apresentava-se por vezes turvo devido à presença de poeiras saarianas. Embora estas partículas em suspensão não tenham atingido concentrações elevadas que pudessem comprometer significativamente a qualidade do ar, a sua presença foi um lembrete da influência de massas de ar provenientes do norte de África, um fenómeno cada vez mais comum na Península Ibérica. Contudo, esta fase de amenidade está prestes a ser substituída por uma frente de ar mais fresco.

A chegada do ar polar e as suas consequências

A principal causa para esta alteração súbita nas condições meteorológicas é a aproximação de uma massa de ar polar. Embora a sua origem seja ártica, esta massa não deverá atingir diretamente o território continental português, mas a sua proximidade será suficiente para gerar um impacto notório. A circulação atmosférica vai posicionar este ar mais frio de forma a influenciar diretamente a nossa geografia, provocando uma descida acentuada e generalizada nos termómetros. Esta transição será sentida de forma mais brusca entre a tarde de hoje e a madrugada de sábado. A descida não será uniforme em todo o país, variando de região para região, mas a tendência geral é de um arrefecimento considerável que obrigará a ajustar os agasalhos.

As temperaturas caem: um panorama detalhado

Queda acentuada em várias cidades do continente

A descida das temperaturas será particularmente notória na tarde de amanhã, sexta-feira. Em algumas localidades, a variação térmica face ao dia de hoje poderá ser de até 7 ºC. De acordo com as previsões do modelo ECMWF, cidades como Bragança, Vila Real, Viseu, Guarda, Coimbra, Portalegre e Évora estão entre as que deverão sentir a maior quebra, com esta descida de 7 ºC a representar uma alteração bastante significativa. A Guarda, em particular, poderá registar a temperatura máxima mais baixa do país, com apenas 10 ºC previstos para a tarde de sexta-feira, transformando-a na cidade mais fria do continente.

Outras cidades também experimentarão um arrefecimento considerável. Braga e Leiria, por exemplo, verão as suas máximas descer cerca de 6 ºC, passando de valores na ordem dos 19 ºC e 20 ºC para 13 ºC e 14 ºC, respetivamente. Já nas capitais de distrito como Porto, Aveiro, Lisboa e Faro, a diferença será menos acentuada, situando-se na ordem dos 3 ºC. Destas, o Porto deverá registar uma máxima de 13 ºC para amanhã. Em Santarém e Beja, a descida poderá rondar os 5 ºC, com as temperaturas máximas esperadas a atingirem os 17 ºC e 14 ºC, respetivamente, na tarde de sexta-feira. Este padrão de arrefecimento reflete a forma como a massa de ar polar vai interagir com a orografia e a proximidade do litoral em cada região.

O que esperar para o fim de semana e o futuro

A influência desta massa de ar frio será mais sentida na madrugada de sábado, quando se prevê que vários pontos do Norte e Centro de Portugal continental possam registar valores negativos. Este cenário exige especial atenção, sobretudo em zonas de maior altitude ou de interior, onde a geada pode ser uma realidade. Contudo, durante o dia de sábado, embora de forma pouco significativa, já se poderá notar uma ligeira recuperação dos valores máximos. Esta tendência de recuperação deverá manter-se no domingo, oferecendo um pequeno alívio após o arrefecimento abrupto.

No entanto, a estabilidade não será duradoura. Os modelos meteorológicos indicam que uma nova descida das temperaturas poderá ocorrer no arranque da próxima semana. Além disso, é de salientar que entre os dias 2 e 5 de março, a aproximação de uma “gota fria” poderá trazer chuva a Portugal. Este fenómeno, caracterizado por uma bolsa de ar frio em altitude, tem potencial para gerar instabilidade atmosférica, resultando em precipitação, por vezes intensa, e com possibilidade de queda de neve nas cotas mais altas.

Perspetivas meteorológicas para o país

A repentina alteração das condições atmosféricas em Portugal continental sublinha a dinâmica complexa dos sistemas meteorológicos que afetam a região. A transição de temperaturas amenas para um ambiente significativamente mais frio num curto espaço de tempo é um lembrete da imprevisibilidade e da força da natureza. A população e as autoridades devem manter-se atentas às atualizações das previsões, dada a possibilidade de impactos na agricultura, nos transportes e no consumo de energia. A monitorização contínua dos modelos meteorológicos é crucial para antecipar e mitigar quaisquer efeitos adversos desta descida de temperaturas e dos fenómenos subsequentes, como a chuva associada à “gota fria”. Este período de transição exige preparação e adaptabilidade por parte de todos os cidadãos.

Fonte: https://www.tempo.pt

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