Prevenção e resiliência: a resposta urgente a fenómenos climáticos extremos

Carolina Barata

A crescente frequência e intensidade de fenómenos climáticos extremos, como inundações, secas prolongadas, ondas de calor e incêndios florestais, representam um desafio sem precedentes para Portugal e para o mundo. Perante este cenário, torna-se imperativo que as autoridades e decisores políticos adotem e implementem políticas públicas robustas, que não só visem a prevenção e a mitigação dos seus efeitos, mas também fortaleçam a resiliência territorial e a capacidade de resposta das comunidades. Este apelo generalizado sublinha a necessidade de uma abordagem integrada e proativa, capaz de salvaguardar vidas, infraestruturas e o património natural, garantindo um futuro mais seguro e adaptado às mudanças climáticas que já se fazem sentir. A urgência da ação é um consenso.

A crescente urgência dos fenómenos climáticos extremos

Portugal, pela sua localização geográfica e características climatéricas, é particularmente vulnerável aos impactos das alterações climáticas. Assistimos, nos últimos anos, a uma acentuada proliferação de eventos extremos que desafiam a estabilidade social e económica do país. Desde os devastadores incêndios rurais que consomem vastas áreas florestais, passando pelas cheias repentinas que assolam centros urbanos e zonas ribeirinhas, até às persistentes secas que comprometem a agricultura e o abastecimento de água, a realidade exige uma reavaliação profunda das estratégias de gestão de risco e adaptação climática. O custo humano, ambiental e económico destes eventos é incomensurável, colocando uma pressão adicional sobre os recursos públicos e a capacidade de recuperação das populações afetadas.

O impacto no território e nas comunidades

Os impactos dos fenómenos climáticos extremos são multifacetados e sentem-se a diversos níveis. No território, assiste-se à degradação dos ecossistemas, à perda de biodiversidade e à desertificação de solos. As infraestruturas essenciais, como pontes, estradas, redes elétricas e sistemas de abastecimento de água, são frequentemente danificadas ou destruídas, interrompendo serviços cruciais e gerando avultados prejuízos. Nas comunidades, o cenário é igualmente preocupante, com a perda de habitações, a interrupção de atividades económicas e a afetação da saúde física e mental dos cidadãos. Os mais vulneráveis, incluindo idosos e populações de baixos rendimentos, são geralmente os mais atingidos, acentuando desigualdades sociais e exigindo respostas mais inclusivas e equitativas por parte das políticas públicas. A resiliência das comunidades é posta à prova, exigindo-se um esforço contínuo para a sua preparação e apoio.

Pilares de uma estratégia nacional: prevenção e resiliência

A resposta eficaz aos fenómenos climáticos extremos passa pela construção de uma estratégia nacional que assente em dois pilares fundamentais: a prevenção e a resiliência. A prevenção visa antecipar e minimizar a ocorrência de riscos, enquanto a resiliência se foca na capacidade de um sistema ou comunidade absorver os impactos de um evento, reorganizar-se e recuperar, mantendo a sua função essencial. Ambas as dimensões requerem um investimento substancial em planeamento, infraestruturas e sensibilização. É vital que as políticas públicas sejam desenhadas para operar em conjunto, criando um escudo protetor contra as ameaças futuras e presentes, otimizando recursos e maximizando a segurança do território e dos seus habitantes.

Investimento em infraestruturas e ordenamento do território

Um ordenamento do território inteligente e o investimento em infraestruturas resilientes são cruciais para mitigar os efeitos dos fenómenos extremos. Isto inclui a revisão dos planos diretores municipais para desincentivar a construção em zonas de risco (como planícies de cheia ou áreas de elevada suscetibilidade a incêndios), a promoção de soluções baseadas na natureza, como a restauração de ecossistemas ribeirinhos ou a reflorestação com espécies autóctones mais resistentes ao fogo. Passa também pela modernização e reforço de infraestruturas críticas – como barragens, diques, redes de drenagem urbana e sistemas de energia – para que consigam suportar condições meteorológicas adversas. A reabilitação de edifícios antigos e a promoção de novas construções com critérios de sustentabilidade e resiliência climática são igualmente etapas indispensáveis para garantir a segurança e a durabilidade do edificado.

O papel da sensibilização e da inovação tecnológica

A prevenção eficaz e a promoção da resiliência territorial não dependem apenas de infraestruturas físicas, mas também de uma população informada e de ferramentas tecnológicas avançadas. Campanhas de sensibilização pública são essenciais para educar os cidadãos sobre os riscos associados aos fenómenos extremos, ensinando-os a agir em situações de emergência e a adotar comportamentos mais seguros e sustentáveis. A inovação tecnológica desempenha um papel determinante, nomeadamente através do desenvolvimento e implementação de sistemas de alerta precoce mais precisos e abrangentes, que utilizam dados meteorológicos em tempo real, inteligência artificial e modelos preditivos para antecipar desastres. A utilização de drones para monitorização de florestas, sensores inteligentes para controlo de cheias e plataformas digitais para comunicação de emergência são exemplos de como a tecnologia pode salvar vidas e reduzir os danos, otimizando a resposta das equipas de emergência e das autoridades.

Fortalecer a capacidade de resposta e recuperação

Mesmo com as melhores medidas de prevenção e resiliência, alguns fenómenos extremos serão inevitáveis. Nesses momentos, a capacidade de resposta rápida e coordenada das autoridades e serviços de emergência é de importância capital. Portugal tem vindo a reforçar a sua Proteção Civil, mas é um processo contínuo que exige investimento constante em meios humanos, materiais e tecnológicos. A recuperação pós-desastre é a fase em que se consolida a resiliência de uma comunidade, permitindo não só reconstruir o que foi destruído, mas também aprender com a experiência e implementar melhorias que evitem futuras vulnerabilidades.

Coordenação multissectorial e recursos de emergência

Uma resposta eficaz a um fenómeno extremo exige uma coordenação multissectorial impecável. Isto significa que a Proteção Civil, as Forças de Segurança, os Serviços de Saúde, as Autarquias e outras entidades relevantes devem trabalhar em estreita colaboração, seguindo planos de contingência bem definidos e realizando exercícios conjuntos regularmente. O investimento em recursos de emergência, como veículos, equipamentos de combate a incêndios, meios aéreos e hospitais de campanha, é vital para assegurar que as equipas no terreno têm as ferramentas necessárias para intervir rapidamente e de forma eficaz. Além disso, a formação contínua dos profissionais de emergência, a par da revisão e atualização constante dos procedimentos operacionais, é fundamental para garantir a prontidão e a eficácia na salvaguarda de vidas e bens.

Reconstrução resiliente e apoio às populações

Após a ocorrência de um desastre, a fase de recuperação e reconstrução é um momento crítico para aplicar o conceito de “construir melhor” (build back better). Isso significa não apenas reconstruir o que foi danificado, mas fazê-lo de forma a que seja mais resistente a futuros eventos. As políticas públicas devem incluir programas de apoio financeiro e técnico às populações afetadas, garantindo que a reconstrução de habitações e infraestruturas incorpore normas de segurança mais elevadas e critérios de resiliência climática. É igualmente importante assegurar o apoio psicossocial às vítimas, bem como medidas que promovam a retoma das atividades económicas locais e o restabelecimento da normalidade na vida das comunidades. A recuperação deve ser vista como uma oportunidade para fortalecer o tecido social e económico, minimizando a vulnerabilidade a longo prazo.

O imperativo da ação coletiva face aos fenómenos extremos

A urgência e a complexidade dos fenómenos climáticos extremos exigem uma ação coletiva e concertada. Não basta apelar; é preciso agir, implementando políticas públicas que transitem da retórica para a prática, com investimentos significativos na prevenção, na resiliência territorial e na capacidade de resposta. Esta é uma responsabilidade partilhada que envolve governos centrais, autarquias locais, setor privado, academia e a própria sociedade civil. A construção de um futuro mais seguro e adaptado às alterações climáticas é um desafio que não admite adiamentos e que requer uma visão de longo prazo, resiliência na governação e um compromisso inabalável com o bem-estar das gerações presentes e futuras. Só assim poderemos mitigar os impactos e garantir a segurança do território e dos seus habitantes.

FAQ

O que se entende por “fenómenos climáticos extremos”?
Fenómenos climáticos extremos referem-se a eventos meteorológicos ou climáticos raros, que ocorrem com uma frequência incomum, ou que atingem uma intensidade fora do normal para uma determinada região. Exemplos incluem ondas de calor prolongadas, secas severas, inundações repentinas, tempestades intensas e grandes incêndios florestais. A sua frequência e intensidade têm vindo a aumentar devido às alterações climáticas.

Qual é o papel das políticas públicas na prevenção de desastres?
As políticas públicas desempenham um papel central na prevenção de desastres ao estabelecerem quadros legais e regulamentares para o ordenamento do território, investindo em infraestruturas resilientes, promovendo a sensibilização pública e financiando sistemas de alerta precoce. Visam reduzir os riscos inerentes a eventos climáticos extremos e proteger as comunidades e o ambiente.

Como pode a resiliência territorial ser reforçada em Portugal?
A resiliência territorial pode ser reforçada através de uma combinação de estratégias: ordenamento do território que evite zonas de risco, investimento em infraestruturas verdes e azuis (como parques inundáveis e sistemas de drenagem natural), proteção e restauração de ecossistemas, e o desenvolvimento de capacidades locais para a gestão de riscos, incluindo o envolvimento ativo das comunidades no planeamento e na resposta.

Quem são os principais intervenientes na resposta a fenómenos climáticos extremos?
Os principais intervenientes incluem os organismos de Proteção Civil a nível nacional e local, as Forças de Segurança (GNR, PSP), os Serviços de Saúde, os Corpos de Bombeiros, as autarquias, as Forças Armadas em apoio, e diversas organizações não-governamentais. A coordenação entre estas entidades é essencial para uma resposta eficaz.

Aprofunde o seu conhecimento sobre as estratégias de adaptação climática e apoie iniciativas locais que promovam a resiliência da sua comunidade.

Fonte: https://centralpress.pt

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