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Reformado de 70 Anos Vive no Carro com Pensão Mínima

Por Portugal 24 Horas

Em Buenos Aires, a realidade da pobreza na velhice manifesta-se na história de Santiago, um reformado de 70 anos que, há mais de dois anos, faz do seu automóvel a sua casa. Estacionado perto do Parque Centenario, Santiago luta para sobreviver com a pensão mínima que recebe do Sistema Integrado Previsional Argentino, um valor que oscila entre os 37.500 e os 43.000 pesos mensais. “Uso o dinheiro da minha reforma para tentar sobreviver”, confessa.

A sua vida laboral começou aos 14 anos, no setor da construção, onde ascendeu a cargos de gerência. Contudo, após contrair Covid-19, a sua saúde debilitou-se, resultando na perda do seu emprego. Sem rendimentos suficientes, viu-se incapaz de manter o arrendamento do pequeno apartamento onde residia.

Inicialmente, Santiago encarou a situação como temporária. “Pensei que viver no carro seria provisório”, recorda, admitindo que a primeira noite foi particularmente difícil, quando a gerente de um McDonald’s, ao encontrá-lo no estacionamento, chamou a polícia.

Atualmente, o seu dia a dia é marcado pela monotonia. Passa longas horas a dormir, na esperança de que o tempo passe mais depressa. “Quem vive na rua tenta apenas que o tempo passe”, explica, referindo que muda frequentemente de local para garantir a sua segurança. Apesar da vergonha de ser visto pelos seus filhos e ex-mulher nesta situação, Santiago aceita dar entrevistas na tentativa de alertar a sociedade para o crescente problema da pobreza entre os idosos.

A sua rotina começa cedo, por volta das seis da manhã. Liga o rádio, prepara um mate e, quando possível, presta apoio a uma associação de caridade. “Sou como um Uber”, brinca, numa tentativa de amenizar a dureza da sua realidade.

A história de Santiago não é um caso isolado. Zulema, de 72 anos, vive uma situação semelhante. Dedicou a sua vida a cuidar de idosos e pessoas dependentes, mas agora encontra-se sem apoio. Recebe a pensão mínima e um pequeno subsídio alimentar. “Quero voltar a trabalhar, mas primeiro preciso de ter um teto”, afirma.

Jaime Coromina, de 70 anos, também enfrenta dificuldades. Trabalhou sempre em empregos informais e hoje paga um quarto sem contrato graças ao pouco que ainda ganha. Recorre à igreja para obter roupa, comida e apoio emocional. “Sinto vergonha que me vejam assim”, desabafa.

Um estudo do Observatório da Dívida Social Argentina revela que uma em cada quatro pessoas com mais de 60 anos vive em situação de pobreza. Entre os maiores de 75 anos, esta proporção é de uma em cada cinco. A precariedade das pensões, a informalidade laboral e a falta de políticas públicas eficazes contribuem para tornar a velhice um período de extrema vulnerabilidade para milhares de argentinos. Estas histórias revelam a face mais silenciosa da pobreza, que atinge aqueles que trabalharam toda a vida e chegam à reforma sem casa e sem rendimentos dignos.

Fonte: postal.pt

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