Relógio do Juízo Final avança para o ponto mais crítico da história

Meteored Portugal

A humanidade encontra-se, pela primeira vez na história, a meros 85 segundos da “meia-noite” simbólica, um marco que representa uma catástrofe global iminente. No dia 27 de janeiro de 2026, o Relógio do Juízo Final, uma iniciativa emblemática do Boletim dos Cientistas Atómicos, foi ajustado para este patamar sem precedentes. Este avanço, que o coloca mais perto do fim do que em qualquer outro momento desde a sua criação em 1947, sublinha a alarmante escalada de ameaças existenciais que enfrentamos coletivamente. A organização, através do seu Comité de Ciência e Segurança, tem monitorizado e avaliado anualmente os perigos que colocam em risco a sobrevivência do planeta e da nossa civilização. Os fatores que precipitaram esta decisão incluem uma confluência de crises interligadas, desde a escalada nuclear e as alterações climáticas galopantes até às preocupações emergentes com a biossegurança e o impacto das tecnologias disruptivas, como a inteligência artificial. A mensagem é clara: o tempo para uma ação decisiva está a esgotar-se rapidamente.

A ameaça crescente e os fatores determinantes

Nos últimos anos, a tendência tem sido de um avanço constante do ponteiro do Relógio do Juízo Final em direção à meia-noite. No ano anterior, o relógio marcava 89 segundos; o ajuste de mais quatro segundos em 2026 reflete uma deterioração contínua da situação global. Este é o terceiro avanço registado nos últimos quatro anos, evidenciando uma urgência crescente. A presidente e CEO da organização, Alexandra Bell, afirmou categoricamente num comunicado que a mensagem do Relógio do Juízo Final não poderia ser mais explícita: “Os riscos catastróficos estão a aumentar, a cooperação está a diminuir e o tempo está a esgotar-se. A mudança é necessária e possível, mas a comunidade global deve exigir uma ação rápida dos seus líderes.”

A escalada das tensões nucleares e a crise climática aprofundada

Entre os principais impulsionadores deste avanço encontra-se a persistente e crescente ameaça das armas nucleares. Observou-se um aumento significativo no arsenal nuclear da China ao longo do último ano, enquanto nações como os Estados Unidos e a Rússia continuam a modernizar e a aprimorar os seus próprios sistemas de lançamento. Esta corrida armamentista nuclear, longe de abrandar, parece intensificar-se, aumentando o risco de um conflito devastador.

Paralelamente, as alterações climáticas mantêm-se como uma das maiores e mais complexas ameaças ao planeta. Os cientistas nucleares têm vindo a alertar para o aquecimento global contínuo, que se manifesta através de recordes de temperatura quebrados com uma frequência alarmante e um ciclo hidrológico cada vez mais errático. Ondas de calor extremas, secas prolongadas e chuvas torrenciais recorde têm afetado milhões de pessoas em todo o mundo nos últimos anos, provocando deslocamentos, perdas económicas e crises humanitárias. A resposta global a esta ameaça tem sido descrita como “profundamente destrutiva”, com críticas particularmente direcionadas a administrações passadas que, segundo os especialistas, “essencialmente declararam guerra à energia renovável e a políticas climáticas sensatas, minando implacavelmente os esforços nacionais para combater as alterações climáticas.”

As tecnologias disruptivas e a complexidade da biossegurança

Um terceiro pilar que contribui para a atual posição crítica do Relógio do Juízo Final são as tecnologias disruptivas, com destaque para a inteligência artificial (IA). A preocupação centra-se, em particular, na diminuição das salvaguardas e no aumento exponencial da sua utilização sem a devida ponderação das suas consequências.

O impacto da inteligência artificial na informação global

O conselho de cientistas expressou que “a revolução da IA tem o potencial de acelerar o caos e a disfunção existentes no ecossistema global de informação, fortalecendo campanhas de desinformação e minando debates públicos baseados em factos, necessários para lidar com ameaças urgentes como guerra nuclear, pandemias e alterações climáticas.” O uso contínuo e crescente da IA, aliado à diminuição do financiamento para a investigação e mitigação de riscos em universidades, gera sérias preocupações sobre a capacidade da humanidade para gerir e controlar os perigos inerentes a esta tecnologia emergente.

As preocupações com a biossegurança, embora menos detalhadas no comunicado específico, englobam a ameaça de doenças pandémicas, o bioterrorismo e a manipulação genética irresponsável. Estes riscos, frequentemente interligados com a instabilidade climática e a desinformação veiculada por tecnologias avançadas, adicionam camadas de complexidade à já frágil segurança global.

O caminho para a inversão: cooperação ou catástrofe?

Apesar da gravidade da situação atual, os cientistas atómicos sublinham que este cenário não é irreversível. A possibilidade de recuar o ponteiro do Relógio do Juízo Final reside fundamentalmente na capacidade dos países e das nações trabalharem em conjunto. A ascensão da “autocracia nacionalista”, que fomenta a competição em detrimento da cooperação e divide o mundo numa mentalidade de “nós contra eles”, é identificada como um dos principais obstáculos. Para os especialistas, esta tendência global precisa de ser urgentemente revertida. A colaboração internacional em áreas cruciais como a desnuclearização, a política climática e a regulamentação da IA é vista como a única via para mitigar os riscos existenciais que enfrentamos.

No entanto, existem críticos do Relógio do Juízo Final que argumentam que os seus constantes alertas de aniquilação total podem, paradoxalmente, levar à indiferença do público, resultando numa “fadiga de alerta”. Outros sugerem que os fatores considerados para determinar o ajuste do relógio podem ser tendenciosos, refletindo as preocupações específicas dos cientistas envolvidos, em vez de uma avaliação holística e imparcial de todas as ameaças globais. Independentemente das críticas, o propósito fundamental do Relógio permanece: ser um poderoso símbolo e um lembrete contínuo da urgência de agir face aos desafios mais prementes da humanidade.

Perguntas frequentes

1. O que é o Relógio do Juízo Final?
O Relógio do Juízo Final é uma metáfora criada em 1947 pelo Boletim dos Cientistas Atómicos para ilustrar o quão perto a humanidade está de destruir o planeta com tecnologias perigosas, como armas nucleares e, mais recentemente, as alterações climáticas e a inteligência artificial. A “meia-noite” representa a catástrofe global.

2. Quais são os principais fatores que levam ao seu avanço?
Os principais fatores incluem a proliferação e modernização de armas nucleares, o agravamento das alterações climáticas , preocupações com a biossegurança (pandemias, bioterrorismo) e os riscos associados a tecnologias disruptivas, como a inteligência artificial, que pode amplificar a desinformação e minar a estabilidade global.

3. É possível reverter a situação atual do relógio?
Sim, os cientistas atómicos enfatizam que a situação é reversível. Para tal, é fundamental que as nações colaborem ativamente em vez de competirem. A cooperação global em áreas como a desnuclearização, políticas climáticas robustas e a regulamentação responsável de novas tecnologias é vista como essencial para afastar a humanidade da iminente catástrofe.

4. O que significa “85 segundos para a meia-noite”?
Significa que, na avaliação dos cientistas, a humanidade está a apenas 85 segundos de um ponto de catástrofe global irreversível. É o ponto mais próximo da meia-noite que o relógio alguma vez atingiu, sublinhando a extrema urgência da situação.

A complexidade das ameaças globais exige uma resposta unificada e sem precedentes. É imperativo que os líderes mundiais e a sociedade civil se unam para reverter este cenário e garantir um futuro seguro. Descubra mais sobre como pode contribuir para a defesa do nosso planeta.

Fonte: https://www.tempo.pt

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