Os passageiros continuam a ser apanhados de surpresa à porta de embarque da Ryanair, muitos ainda a assumir, de forma errada, que uma mala de cabine de 10kg está automaticamente incluída no bilhete. Apesar de a política de pagamento por esta tipologia de bagagem já vigorar há vários anos, assiste-se, nos últimos tempos, a um endurecimento significativo na fiscalização, com as taxas para quem não cumpre as regras a tornarem-se proibitivamente pesadas. Para quem planeia viajar de ou para um aeroporto português em breve, é crucial rever as condições do seu bilhete. Se antes havia uma pequena margem para alguns viajantes passarem despercebidos, o rigor atual elimina essa possibilidade, impondo cobranças que, por vezes, superam o custo original do próprio voo. Compreender as regras de bagagem da Ryanair é, portanto, mais vital do que nunca.
As políticas de bagagem da Ryanair: o que precisa de saber
A distinção entre bagagem pessoal e mala de cabine de 10kg
A regra basilar mantém-se inalterada na Ryanair: a tarifa “Basic”, a opção mais económica disponível, não engloba a mala de cabine de 10kg que se guarda nos compartimentos superiores. A única bagagem permitida gratuitamente é uma pequena mala pessoal, como uma mochila de tamanho reduzido ou uma carteira, que deve caber sem esforço debaixo do assento à sua frente. As dimensões aceites para esta bagagem pessoal foram ligeiramente atualizadas e fixam-se agora em 40cm x 30cm x 20cm. É imperativo que a bagagem não exceda estes limites para evitar surpresas.
Por outro lado, a mala de rodinhas padrão, geralmente com dimensões de 55cm x 40cm x 20cm, apenas poderá ser transportada a bordo se o passageiro adquirir especificamente a tarifa “Prioridade & 2 Malas de Cabine”. Esta opção, embora mais cara, garante não só a possibilidade de levar a mala de 10kg para a cabine, mas também a vantagem de embarcar antes dos restantes passageiros. Alternativamente, é possível adquirir a mala de 10kg para ser despachada no balcão de check-in, o que implica aguardar pela entrega da mesma no tapete de bagagens à chegada. A escolha dependerá da conveniência e do orçamento de cada viajante.
O aumento drástico das taxas à porta de embarque
A grande novidade, amplamente divulgada e sentida pelos passageiros, é o rigor sem precedentes na aplicação das taxas de penalização. Os viajantes que tentam embarcar com uma mala de 10kg sem terem adquirido a prioridade ou o serviço de bagagem correspondente enfrentam agora coimas à porta de embarque que podem variar entre os 46€ e os 70€. Estes valores são significativamente mais elevados do que as taxas aplicadas no passado e variam consoante a rota e a época do ano, sendo particularmente agravados em períodos de maior procura.
Os funcionários da companhia aérea receberam instruções claras e restritas para verificar as dimensões e o tipo de bilhete de cada passageiro antes da entrada no avião. Se a mala não cumprir os requisitos ou não tiver sido paga previamente online (onde o custo oscila, geralmente, entre os 6€ e os 30€, dependendo do momento da compra), não restará outra alternativa senão pagar a taxa máxima no local ou, em último caso, deixar a mala em terra, uma opção impensável para a maioria dos viajantes. A margem de manobra para “tentar a sorte” desapareceu por completo.
As armadilhas das dimensões e a experiência de outros viajantes
A regra inflexível dos medidores: rodas e pegas contam
Um dos erros mais frequentes e que apanha muitos passageiros desprevenidos ocorre no momento de medir a bagagem nas caixas metálicas de controlo, os chamados “sizers”. É de suma importância recordar que as dimensões-limite impostas pela companhia aérea incluem toda a estrutura da mala. Isso significa que as rodas, as pegas (quer sejam fixas ou extensíveis) e quaisquer bolsos externos volumosos contam para o tamanho final da bagagem.
Muitas malas rígidas, comercializadas como “tamanho de cabine” em lojas de departamento ou genéricas, acabam por reprovar neste teste decisivo, muitas vezes porque as rodas excedem o limite por escassos centímetros. Nestes cenários, a caixa metálica não oferece indulgência: se a mala não entrar total e facilmente, sem qualquer esforço ou compressão, o funcionário não hesitará em aplicar a coima. Por este motivo, muitos viajantes experientes têm vindo a optar por sacos de viagem flexíveis ou mochilas adaptáveis, que se moldam com maior facilidade ao medidor, evitando assim o risco de custos inesperados.
O alinhamento de outras companhias: o exemplo da Aer Lingus
O alerta quanto às regras de bagagem não se confina apenas à Ryanair. Outras transportadoras aéreas estão a ajustar as suas políticas, seguindo o modelo de rentabilização das companhias de baixo custo. A Aer Lingus, por exemplo, que opera diversas rotas populares de e para Portugal, também já alterou as suas normas para 2026. A partir desse ano, a mala de 10kg de cabine deixará de estar incluída nas tarifas mais económicas, conhecidas como “Saver”. Esta mudança sublinha uma tendência do setor de aviação, onde a bagagem de mão outrora gratuita se tornou um serviço extra pago, exigindo dos passageiros uma maior atenção e planeamento aquando da reserva dos voos. A era da bagagem gratuita na maioria das tarifas económicas parece estar a chegar ao fim.
Estratégias para evitar custos adicionais e viajar com tranquilidade
Planeamento antecipado: a chave para poupar
Para os viajantes portugueses, a recomendação mais eficaz e simples é o planeamento. Meça a sua mochila ou mala pequena antes mesmo de sair de casa para garantir que cumpre as dimensões da bagagem pessoal gratuita. Se precisar, de facto, de levar uma mala de rodinhas de 10kg para a cabine, a forma mais económica de o fazer é adicioná-la à sua reserva no momento da compra do bilhete. Optar por “tentar a sorte” na porta de embarque é, atualmente, um risco financeiro que não compensa correr, dada a severidade das coimas. Ao comprar o serviço de bagagem online e antecipadamente, os valores são consideravelmente mais baixos e previsíveis, evitando o stress e as despesas inesperadas.
A solução de última hora: reservar online antes do voo
Outra estratégia crucial é não deixar a decisão sobre a bagagem para o balcão de check-in. Caso se aperceba, já depois de ter adquirido o bilhete, que irá precisar de levar uma mala de cabine extra, utilize a aplicação móvel ou o website da companhia aérea para adicionar esse serviço. Este procedimento pode ser efetuado até cerca de duas horas antes da partida do voo. Embora o preço seja ligeiramente mais elevado do que se tivesse comprado inicialmente com o bilhete, ainda assim representará uma poupança muito significativa face aos valores proibitivos que são cobrados diretamente na hora do embarque à porta do avião. A proatividade é a melhor aliada para uma viagem sem imprevistos e sem custos indesejados.
Perguntas frequentes
Qual o tamanho exato da bagagem pessoal gratuita na Ryanair?
A bagagem pessoal gratuita na Ryanair deve ter, no máximo, 40cm x 30cm x 20cm e deve caber debaixo do assento à sua frente.
Quanto custa levar uma mala de cabine de 10kg na Ryanair?
O custo varia: se comprada online com antecedência, pode custar entre 6€ e 30€. Se for paga à porta de embarque, o valor pode oscilar entre 46€ e 70€.
As rodas e pegas da mala contam para as dimensões totais?
Sim, absolutamente. As dimensões limite impostas pela Ryanair incluem todas as partes salientes da mala, nomeadamente as rodas, as pegas e quaisquer bolsos externos.
Posso adicionar a mala de cabine de 10kg no aeroporto?
Sim, pode. No entanto, é significativamente mais caro. A recomendação é adicionar a mala online, através da aplicação ou website da Ryanair, até duas horas antes da partida, para beneficiar de um preço mais reduzido em comparação com as taxas cobradas à porta de embarque.
Para evitar surpresas desagradáveis e coimas elevadas, verifique sempre as políticas de bagagem da sua companhia aérea e reserve os serviços adicionais com antecedência. Uma pequena verificação pode poupar-lhe um grande custo e stress.
Fonte: https://postal.pt