Em diversas cidades, emergem serviços inovadores que visam resgatar condutores retidos em engarrafamentos. Estes serviços representam uma alternativa para quem necessita de chegar a um destino específico dentro do horário previsto e está disposto a pagar por isso. A ideia, originária da China, tem atraído atenção internacional, demonstrando uma forma de auxiliar pessoas presas no trânsito sem agravar ainda mais a situação do congestionamento.
O conceito baseia-se na atuação de empresas que disponibilizam equipas em motociclos para retirar passageiros de veículos imobilizados. O cliente, mediante o pagamento de uma taxa, é recolhido por um motociclo, que consegue circular entre as filas paradas, permitindo-lhe ganhar tempo quando cada minuto é crucial.
O funcionamento é relativamente simples. Uma equipa de dois profissionais desloca-se de motociclo até à localização exata do cliente, utilizando as coordenadas de GPS fornecidas. Ao chegarem ao local, o passageiro da mota entra no veículo do cliente e conduz até ao destino acordado. Simultaneamente, o cliente segue na traseira da mota, alcançando o seu compromisso com maior rapidez.
Este método aproveita a agilidade dos motociclos, minimizando o tempo perdido em engarrafamentos densos. Adicionalmente, o serviço reduz o impacto no fluxo geral de tráfego, impedindo que mais veículos tentem desviar-se por atalhos inadequados.
Apesar da sua eficácia, o serviço apresenta limitações. Os preços variam consoante a cidade e a distância percorrida. Quem necessita de ir para um aeroporto, por exemplo, só poderá transportar bagagem de pequena dimensão, e o local de entrega do automóvel deve ser definido previamente.
A segurança e a confiança são aspetos fundamentais. Além da utilização obrigatória de capacete e equipamento adequado, são necessários procedimentos rigorosos para gerir as chaves dos veículos e confirmar a identidade dos intervenientes. No passado, pelo menos uma empresa do ramo interrompeu a atividade devido a preocupações de segurança, o que demonstra a importância de regulamentos e seguros robustos.
O estatuto legal destes serviços tem sido objeto de análise em algumas cidades, com relatos de proibições iniciais seguidas de ajustamentos regulamentares. A viabilidade a longo prazo depende do cumprimento do código da estrada e da existência de seguros que cubram o transporte do cliente e a condução do veículo por terceiros.
A discussão pública sobre estes serviços acompanha um debate mais amplo sobre o congestionamento urbano e os seus custos socioeconómicos. O conceito tem sido apontado como potencialmente aplicável em outras metrópoles com trânsito intenso. Para isso, seriam necessários acordos com as autoridades locais, verificação prévia dos condutores, registo de matrículas e uma cobertura de seguro específica.
Com estes requisitos, o serviço poderá oferecer vantagens significativas quando o tempo de espera em filas ultrapassa largamente o tempo de deslocação em duas rodas. No entanto, uma adoção em larga escala exigiria um planeamento cuidadoso para gerir o número de motociclos em circulação, de modo a evitar a criação de novos pontos de congestionamento.
Fonte: postal.pt