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Sintra: tempestades causam estragos severos em praias e arribas costeiras

Por Portugal 24 Horas

As recentes e intensas tempestades que assolaram a região de Sintra deixaram um rasto de destruição e preocupação ao longo dos seus 30 quilómetros de costa. Com ventos fortes, chuva torrencial e agitação marítima sem precedentes, as paisagens litorais do concelho de Sintra, reconhecidas pela sua beleza natural, encontram-se agora gravemente comprometidas. Praias outrora vastas e acolhedoras viram os seus areais praticamente desaparecer, enquanto as imponentes arribas foram destabilizadas, culminando em derrocadas e na queda de blocos rochosos. Este cenário alarmante levou a autarquia de Sintra e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a encetar um levantamento exaustivo dos pontos críticos, com o objetivo de diagnosticar a extensão dos danos e planear intervenções urgentes. A prioridade máxima é garantir a segurança dos cidadãos e reverter, na medida do possível, os prejuízos antes da próxima época balnear, um desafio que se afigura colossal face à dimensão dos estragos.

Os estragos sem precedentes na costa de Sintra

A desfiguração do areal e a instabilidade das arribas
As tempestades que fustigaram a costa portuguesa em janeiro e fevereiro foram particularmente implacáveis, transformando radicalmente as principais estâncias balneares do município de Sintra. O cenário atual é de praias com areal reduzido a um mínimo, áreas interditas por perigo iminente de derrocadas e uma instabilidade generalizada nas arribas que ladeiam a orla costeira. Este fenómeno, descrito por muitos como o mais grave de que há memória recente, afetou significativamente cerca de 11 quilómetros da orla costeira da freguesia de São João das Lampas, uma das zonas mais vulneráveis dos 30 quilómetros de costa que o concelho de Sintra abrange. Os elementos naturais – vento, chuva e agitação marítima – agiram em conjunto para erodir e descaracterizar estas paisagens costeiras, deixando para trás um registo visual dos seus efeitos devastadores que exige uma resposta imediata e coordenada por parte das autoridades competentes.

O caso do Magoito: um geomonumento ameaçado
Entre as praias mais fustigadas, a do Magoito emerge como um dos casos mais críticos e emblemáticos da destruição. Reconhecida não só pela sua beleza cénica, mas também pela sua notável duna fóssil, classificada como geomonumento e consolidada há mais de 10 mil anos, esta praia viu o seu areal quase desaparecer por completo. A duna, formada pela ação milenar do vento e do mar, é constituída por arenito e exibe laminações oblíquas que servem como testemunho dos ventos pré-históricos da região. A força inaudita das recentes intempéries provocou, além da perda dramática de areia, a queda contínua de blocos de rocha das arribas circundantes, colocando em risco a integridade deste património natural e a segurança de quaisquer visitantes. A área do passeio e o murete junto ao parque de estacionamento foram interditados, assim como a zona adjacente ao Forte de Magoito e a própria arriba fóssil, sublinhando a gravidade e a complexidade da situação.

Impacto alargado: de São Julião a Vigia
O impacto das tempestades, contudo, não se limitou à praia do Magoito. A praia de São Julião, por exemplo, um ponto de eleição para surfistas e bodyboarders devido à sua exposição às ondulações e ao seu extenso areal recortado por arribas, também sofreu severas derrocadas, criando múltiplos pontos de perigo crítico. As freguesias de São João das Lampas e Colares são atualmente o foco principal de um levantamento exaustivo que abrange a totalidade dos danos, mas outras praias, como a Vigia e a Aguda, também foram identificadas como necessitando urgentemente de intervenção. A extensão dos estragos em toda a linha costeira de Sintra demonstra a vulnerabilidade da região a fenómenos climáticos extremos e a necessidade premente de estratégias de mitigação e recuperação a longo prazo para salvaguardar este valioso património natural.

Plano de ação e intervenções prioritárias

Levantamento exaustivo e zonas de perigo crítico
Perante a magnitude da destruição, a Câmara Municipal de Sintra e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) uniram esforços para levar a cabo um diagnóstico aprofundado da situação. O levantamento exaustivo visa identificar e mapear todos os pontos críticos ao longo da costa, determinando as áreas de maior risco de derrocada das arribas e a extensão da perda de areal. Este trabalho meticuloso é crucial para fundamentar as decisões sobre as intervenções mais adequadas e a sua priorização. As equipas técnicas no terreno estão a avaliar o grau de instabilidade das formações rochosas e a quantificar os volumes de areia necessários para a recuperação dos trechos mais afetados. Este mapeamento detalhado é, portanto, a pedra angular para a elaboração de um plano de reabilitação eficaz e duradouro, que considere tanto a segurança como a preservação ecológica.

A urgência das obras no Magoito
Dada a severidade dos danos e a importância do seu geomonumento, a praia do Magoito, situada na foz da Ribeira da Mata, foi declarada prioritária para intervenções de caráter urgente. A reabilitação do areal e a estabilização das arribas nesta localização são consideradas essenciais e devem ser iniciadas o mais rapidamente possível. O trabalho incluirá a remoção de blocos rochosos caídos, a consolidação das estruturas rochosas instáveis e, sempre que viável, a reposição de areia para mitigar a erosão e restabelecer a segurança e a funcionalidade da praia. A complexidade do terreno e a necessidade de preservar o património natural, como a duna fóssil, exigem uma abordagem cautelosa e especializada, que combine técnicas de engenharia civil com o respeito pelas características geológicas da área, garantindo uma intervenção sustentável.

Obras de recuperação e o desafio da época balnear
O objetivo primordial das autoridades é acelerar as obras de recuperação do areal e de sustentabilidade das arribas para que a maioria das praias possa estar em condições de receber os banhistas na próxima época balnear. A meta ambiciosa é concluir as intervenções mais urgentes num prazo de aproximadamente três meses. No entanto, a autarquia reconhece que o sucesso desta empreitada de grande escala está intrinsecamente dependente das condições meteorológicas futuras, uma vez que novas intempéries poderiam atrasar ou mesmo comprometer os trabalhos. Existe, por conseguinte, uma dose de incerteza sobre a capacidade de reabrir todas as praias ao público no início do verão, sendo a segurança dos utentes a principal preocupação e critério inegociável para qualquer decisão. As autoridades estão cientes da importância económica e social das praias para a região, mas a integridade física dos cidadãos prevalece.

Financiamento e apelo à segurança

O investimento na sustentabilidade costeira
A recuperação da costa de Sintra exige um investimento financeiro avultado, o que reflete a escala da destruição e a complexidade das intervenções necessárias. A Câmara Municipal de Sintra estima que as obras de sustentabilidade das arribas e de recuperação do areal das praias atinjam os três milhões de euros. No entanto, face à imprevisibilidade da situação e à possibilidade de surgirem novos desafios durante os trabalhos, este valor pode ascender aos quatro milhões de euros. A verba necessária para este projeto de reabilitação deverá ser assegurada, em grande parte, pelo Fundo Ambiental, evidenciando o reconhecimento da importância nacional e ambiental da reabilitação costeira. Este investimento é crucial não só para restaurar a beleza e a funcionalidade das praias, mas também para proteger a infraestrutura costeira e salvaguardar a biodiversidade dos ecossistemas locais a longo prazo, garantindo a sua resiliência futura.

Alerta à população: perigo nas zonas costeiras
Até que todas as intervenções de segurança e recuperação estejam concluídas e a sinalização dos pontos críticos de perigo seja devidamente estabelecida, as autoridades fazem um veemente apelo à população. É fundamental que ninguém se aproxime das arribas nem das zonas à beira-mar que se encontram sinalizadas como perigosas ou interditas. A instabilidade das rochas, o risco de novas derrocadas e a perda de areal em algumas praias representam uma ameaça real à integridade física dos indivíduos. A segurança dos banhistas e visitantes é a prioridade máxima para a autarquia e para a APA, e a cooperação da comunidade é essencial para evitar acidentes e permitir que os trabalhos de recuperação progridam sem incidentes. A vigilância e o respeito pelas indicações das autoridades são, neste momento, mais importantes do que nunca para a proteção de todos.

Fonte: https://www.tempo.pt

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