St. John’s: A cidade canadiana mais próxima de África e Europa

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A geografia, frequentemente, reserva-nos surpresas que desafiam a nossa perceção comum do mundo, e a cidade de St. John’s, capital da província canadiana de Terra Nova e Labrador, é um exemplo notável dessa realidade. Contrariando a lógica aparente, esta localidade no extremo leste do Canadá encontra-se, de facto, mais próxima de vastas extensões de África e da Europa do que de Vancouver, na costa ocidental do seu próprio país. Esta revelação, que tem deixado muitos estupefactos, obriga-nos a reavaliar a forma como interpretamos os mapas e as distâncias, sublinhando a imensidão do território canadiano e as complexidades da projeção cartográfica. Em linha reta, a distância de St. John’s a Londres é de aproximadamente 3.700 quilómetros, enquanto a Vancouver ultrapassa os 5.000 quilómetros, revelando uma conectividade inesperada com o Velho Continente.

A escala surpreendente do Canadá

Distâncias que desafiam a perceção

O Canadá, uma nação que abrange uma extensão territorial colossal, é um país que constantemente desafia as noções convencionais de proximidade. Embora a maioria das pessoas visualize o país como um bloco compacto, a realidade geográfica é bem diferente e, no caso de St. John’s, verdadeiramente surpreendente. Se traçarmos uma linha reta desde St. John’s em direção ao oeste, rumo a Vancouver, o percurso implica uma distância de cerca de 5.000 quilómetros. No entanto, se o foco for alterado para o Atlântico, apontando a bússola para o sentido oposto, as distâncias revelam um cenário inesperado e contraintuitivo.

Para o Deserto do Saara, no norte de África, a distância desde St. John’s é de aproximadamente 4.500 quilómetros. Isto significa que um habitante desta cidade canadiana se encontra, tecnicamente, mais próximo das dunas africanas do que das montanhas da Colúmbia Britânica, na outra extremidade do seu país. A mesma lógica aplica-se à Finlândia, no norte da Europa, e até ao ponto mais setentrional do Brasil; todas estas localizações estão a uma distância inferior àquela que separa as duas costas canadianas. A percepção de que estar dentro das fronteiras de um país implica uma proximidade inerente é, neste contexto, totalmente desmistificada, evidenciando a grandiosidade e a singularidade da geografia canadiana.

O engano das projeções cartográficas

A projeção de Mercator e a curvatura terrestre

A nossa surpresa perante estas distâncias advém, em grande parte, da popular Projeção de Mercator, o mapa-mundo que dominou o ensino de geografia por gerações e que continua a ser amplamente utilizado. Esta projeção cartográfica, apesar da sua utilidade para a navegação, tem a particularidade de “esticar” as massas de terra que se situam mais perto dos polos, distorcendo significativamente as suas dimensões e as distâncias reais. Um dos exemplos mais famosos desta distorção é a comparação entre a Gronelândia e África. No mapa de Mercator, a Gronelândia surge com uma dimensão comparável à de África, quando, na realidade, o continente africano é catorze vezes maior, podendo conter no seu interior a Gronelândia, os Estados Unidos, a China, a Índia e quase toda a Europa.

Adicionalmente, a curvatura esférica do nosso planeta desempenha um papel crucial. As rotas sobre o Atlântico Norte são, de facto, muito mais curtas do que aparentam numa folha de papel plana. Esta combinação da distorção da projeção de Mercator com a curvatura da Terra faz com que St. John’s se encontre numa posição geograficamente privilegiada, funcionando como uma espécie de “ponte” natural entre continentes. Não é por acaso que a cidade possui uma rica história ligada à transcontinentalidade; foi neste local estratégico que se recebeu o primeiro sinal transatlântico sem fios e serviu como um ponto de partida vital para os pioneiros dos primeiros voos que ousavam cruzar o oceano Atlântico, sublinhando a sua importância como porta de entrada e saída.

Este fenómeno serve como um poderoso lembrete de que a dimensão do Canadá transcende a mera definição de país, assemelhando-se, pela sua vastidão, a um continente por direito próprio. Enquanto em Portugal, por exemplo, é possível atravessar o país de norte a sul em poucas horas, no Canadá, a geografia dita que um vizinho de província pode estar, fisicamente, mais distante do que um habitante de um continente totalmente diferente. Para os residentes de St. John’s, o Atlântico deixa de ser uma barreira para se tornar uma via de acesso privilegiada ao resto do mundo, alterando radicalmente a sua perspetiva de conectividade global. É uma perspetiva fascinante que nos convida a reavaliar os mapas e a reconhecer que a geografia, por vezes, desafia as expectativas mais comuns, revelando-se mais complexa e fascinante do que a ficção.

Fonte: https://www.tempo.pt

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